
Após o apito final no empate em 2 a 2 entre Juventude e Atlético-GO, os dois times seguiram no gramado e foi possível observar muita discussão. Foi quando o árbitro Ramon Abatti Abel ergueu os braços e fez o gesto oficial que remete ao protocolo antirracismo.
O motivo foi relatado em súmula pela arbitragem. Segundo o documento, divulgado no site da CBF, após o último lance da partida, o goleiro Paulo Vitor, do Atlético-GO disse ter sofrido injúria racial por meio de gestos de um torcedor, que teria imitado um macaco. Depois, já nos vestiários, mudou de versão, e afirmou que teria ouvido uma frase com cunho racista: "Joga a bola, macaco".
Já com a presença da Brigada Militar e com representantes dos dois clubes no gramado, não se conseguiu identificar qual teria sido o possível agressor. Na mesma súmula, o árbitro ainda confirmou que o goleiro, na chegada ao vestiário, teria quebrado a placa de identificação do vestiário visitante.
Não foi realizado boletim de ocorrência por parte do jogador ou do clube. Na saída do estádio, os presidentes do Atlético-GO, Adson Batista, e do Juventude, Fabio Pizzamiglio, conversaram rapidamente sobre o tema.
O que diz a súmula:
"Após o apito final da partida, o goleiro da equipe do Atlético Goianiense sr. Paulo Vitor Fagundes dos Anjos, jogador de número 1, dirigiu-se ao quarto árbitro e proferiu as seguintes palavras: "Um torcedor fez gesto de macaco em minha direção". Na sequência, o referido goleiro dirigiu-se a mim (árbitro da partida) e informou que havia sofrido ato de racismo. Diante do relato apresentado pelo atleta, eu realizei o gesto oficial informando a todos que houve um ato de racismo. Relato ainda que não realizei o protocolo na íntegra do antirracismo, visto que a primeira etapa do protocolo prevê a paralisação do jogo, e como relatei o jogo já havia finalizado. Na sequência os jogadores dirigiram-se ao vestiário. Posteriormente, o goleiro compareceu ao vestiário da equipe de arbitragem, onde estavam presentes todos os integrantes da equipe de arbitragem, um representante do Atlético Goianiense, sr. Ewerton Murtosa Junior, e um representante do Juventude, sr. Gustavo Vieira, e o delegado da partida, sr. Ari Debenetti. Na ocasião, o goleiro do Atlético Goianiense informou que não houve gesto, e sim uma fala: "joga a bola, macaco". Ressalto que tanto o gesto inicialmente relatado quanto a manifestação verbal posteriormente informada pelo goleiro não foram presenciados nem ouvidos pela equipe de arbitragem, que tomou conhecimento dos fatos exclusivamente por meio dos relatos do referido atleta.


