
A diretoria do Caxias reconhece que errou do início ao fim no planejamento e na montagem do elenco para a temporada de 2026. Um número sintetiza e comprova o tamanho do problema. Conforme levantamento do Pioneiro, 52 jogadores passaram pelo grupo grená durante a disputa de quatro competições ao longo do ano — Gauchão, Copa do Brasil, Copa Sul-Sudeste e Série C do Brasileirão.
Apesar da alta rotatividade, o ano terminou sem que o torcedor soubesse a escalação titular na ponta da língua, escancarando os problemas no setor de criação e no ataque. A única exceção positiva foi a defesa: o goleiro Busatto firmou-se como a figura individual que se salvou na temporada, liderando um setor que figurou entre os menos vazados da primeira fase da Série C.
Seca de gols e camisa 10
No ataque, a situação foi a mais agravante. O clube teve 16 atacantes no ano, mas apenas um conseguiu se sobressair: o centroavante Salatiel. Contudo, no momento mais decisivo da Série C, o jogador virou desfalque devido a uma pubalgia. Contratado na reta final para tentar ser o fator de desequilíbrio, Dentinho não obteve sucesso, fez apenas um gol, o de número 5.000 da história do clube. Já Quirino, trazido para ser o substituto imediato do camisa 9, decepcionou e encerrou a sua passagem pelo Centenário sem marcar um único gol em cinco partidas.
O setor de criação também virou uma dor de cabeça crônica após a saída de Tomas Bastos. Ao todo, sete meias estiveram à disposição para a camisa 10 grená no ano e nenhum se firmou como o comandante do meio-campo. Matheus Anjos, Ravanelli e João Lucas alternaram a titularidade. João Lucas foi o único a demonstrar maior entrega e mobilidade em campo.
Erros de centralização na montagem do Grupo
O próprio presidente Roberto De Vargas admitiu que, no início do ano, a gestão errou ao conceder mais poderes ao técnico na montagem do elenco. O Caxias começou o ano com Fernando Marchiori no comando técnico.
— Na primeira etapa, adotou-se um padrão de jogador, e talvez aí tenha sido a nossa falha. Erramos naquele momento. Já na segunda etapa, com a chegada do Farnei, houve uma outra conscientização: tudo passou a ser decidido pelo departamento de futebol e, depois, comunicado e conversado com o treinador. Entendo que esse é o modelo correto — disse o presidente, que concluiu:
— O Caxias precisa ter o seu modelo de jogo definido e contratar o técnico que se enquadre nele. Esse é um passo que precisamos dar, pois até hoje se contratava o treinador que estava disponível no mercado. Aí mudava o sistema, o profissional tinha um estilo diferente, chegava aqui e alterava tudo.
A reformulação e o conceito do executivo
Após as eliminações precoces no primeiro semestre, a equipe passou por uma profunda reformulação: 15 atletas deixaram o Centenário e outros 15 foram contratados. Mudou o executivo de futebol e o comando técnico, com as chegadas de Marcelo Cabo e Farnei Coelho. O Caxias ensaiou uma reação na Série C com uma sequência invicta em casa, mas o rendimento desabou na segunda metade da primeira fase. O técnico Marcelo Cabo chegou a declarar que o time iria "decolar", mas a equipe sequer tirou os pés do chão e afundou em campo.
O executivo de futebol Farnei Coelho enfatizou que o papel da diretoria e do executivo é consolidar a identidade do clube para evitar constantes trocas de perfil:
— Quando não se define com clareza o modelo de jogo do clube — aquele modelo que a torcida gosta, que faz parte da cultura da instituição e que traz sucesso —, o trabalho fica prejudicado. O nosso papel como profissionais é adaptar a cultura do clube à realidade da competição. Não adianta a torcida querer um time de passe curto e posse de bola se a Série C exige disputar a primeira e a segunda bola. Precisamos unir o gosto do clube ao modelo das competições. Esse é o trabalho da direção e do executivo: definir a identidade e trazer um treinador alinhado a ela."
Farnei também analisou especificamente a busca pelo perfil ideal para a articulação da equipe:
— Mesmo tentando me adaptar o mais rápido possível — vivendo o clube 24 horas e conhecendo a história de enfrentamentos —, entendi que o Caxias não se adapta a um camisa 10 mais técnico, não é uma característica que a direção, que o conselho, que a torcida gostam. Então, a gente gosta de 10 com mais mobilidade, pise na área. Isso tu só vai aprendendo convivendo no dia a dia, por isso que eu acredito muito em tempo de trabalho — contou.
Ao fim da temporada, o balanço numérico do grupo profissional registrou a presença de cinco goleiros, sete laterais, sete zagueiros, 10 volantes, sete meias e 16 atacantes. Matematicamente, a quantidade de atletas seria suficiente para montar quatro equipes. No campo, porém, o Caxias não conseguiu consolidar sequer uma.
ATLETAS EM 2026
Goleiros: Léo Lang, Gustavo Busatto, Marcelo, Pedro e Gabriel Toebe;
Laterais: Vitor Gabriel, Vitinho, Roberto, Felipe Albuquerque, Dija, Ronei e Thiago Ennes;
Zagueiros: Joilson, Andrés Robles, Mauricio, Windson, Moraes, Ianson e Carlos Henrique;
Volantes: André Dantas, Marcelo Freitas, Breno Santos, Matheus Nunes, Dudu Vieira, Wellington Reis, Grigor, Luis Fernando, Lucas Candido e Zanelatto;
Meias: Matheus Anjos, Yan Rolim, João Luft, Tomas Bastos, Ravanelli, João Lucas e Tomas Bastos
Atacantes: Salatiel, Dentinho, Jhonatan Ribeiro, Vitor Feijão, Douglas Skilo, Andrew, Gustavo Nescau, Luis Miguel, Kaio Torres, Quirino, Calyson, Gaspar, Leozinho, Felipe Rangel, Jeam e Arthur Viana.


