
O futebol, quando quer ser eterno, ignora os relógios e convoca o tempo para jogar junto. Neste domingo (16), às 16h, sobre o gramado do Estádio Centenário, os 90 minutos não serão apenas a contagem protocolar do cronômetro. O torcedor vivenciará o reencontro entre o passado em dívida com o Grená, o presente que exige a vitória e o futuro que clama pela glória.
Pela 17ª rodada da Série C do Campeonato Brasileiro, Caxias e Figueirense medem forças em uma partida onde cada minuto de bola rolando carregará o peso da história. O confronto atravessa três eras, começando pelo passado com uma cicatriz que nunca fechou. A rivalidade com a equipe catarinense ganhou capítulos fora das quatro linhas em 2001, quando as decisões dos tribunais e o "tapetão" tiraram do Caxias a vaga na elite do futebol brasileiro.
Agora, o torcedor e os atletas do grupo de 2026 vivem o presente. Quem balançar as redes pelo Caxias neste domingo inscreverá o seu nome nas paredes do Estádio Centenário do clube, assinando o gol 5 mil da trajetória quase centenária da instituição e cinquentenária do seu reduto, conforme dados do historiador Gustavo Cortes.
Contudo, o jogo também vale o futuro grená. Os três pontos são vitais para consolidar a equipe de Marcelo Cabo no G-8 e manter acesa a odisseia do retorno à Série B — que jogou pela última vez em 2005.
"O gol é de todo o Caxias"
Para o técnico Marcelo Cabo, a iminência do gol 5 mil não deve ser vista como uma vaidade individual, mas sim como a coroação do trabalho coletivo no Estádio Centenário:
— É uma pena que eu não possa fazer gol. Eu adoraria entrar para a história do clube fazendo o Gol 5.000. É uma marca importante não só para o autor do gol, mas para todos os que participam da construção. O jogo e o gol são construídos durante a semana. Um atleta terá a representatividade do chute, mas o gol pertence a todo o Caxias — declarou o técnico Marcelo Cabo.
O lateral-direito Felipe Albuquerque confirmou que, embora o ambiente interno mantenha o foco nas questões táticas e técnicas, a marca histórica serve como combustível para o elenco:
— Nós não chegamos a comentar muito sobre esse número no vestiário, pois é um assunto que mobiliza mais a diretoria e a torcida. No entanto, o tema nos motiva sim. Serve para entrarmos em campo ainda mais focados para conquistar os três pontos e ficar mais próximos do nosso objetivo principal — afirmou o lateral.
Retomada da força em casa
Diante da cobrança pelos quatro jogos recentes sem vitória no Centenário, o técnico Marcelo Cabo adotou uma postura positiva em relação a produção da equipe e rechaçou recortes mais pessimistas. O comandante lembrou que o retrospecto geral em casa é amplamente favorável (quatro vitórias, três empates e apenas uma derrota em oito jogos):
— Precisamos entender o contexto macro e não fazer recortes. Qual é a lente pela qual vamos olhar? A dos quatro primeiros jogos, em que fomos 100%, ou a do último jogo? Como treinador, eu analiso o geral. Temos apenas uma derrota dentro de casa em oito partidas, e ela não pode pesar para o jogo contra o Figueirense. A equipe sabe como jogar e se comportar no Centenário. Nos últimos três jogos em casa, somamos 65 finalizações. O futebol tem dessas coisas: contra o Itabaiana, finalizamos menos e fizemos dois gols de fora da área. Estamos trabalhando muito e o grupo sabe o que precisa fazer — analisou o treinador grená.
A galeria dos gols Caxias
A caminhada rumo à marca de 5.000 gols foi construída gol a gol ao longo de 91 anos. Relembre os autores dos gols que marcaram as viradas de milhar na história do clube:
- Gol 1.000 (16/10/1960): Anotado por Modesto (seu 2º gol na partida), na vitória por 2 a 0 sobre o Montenegro, fora de casa, pelo Campeonato Gaúcho da 2ª Divisão.
- Gol 2.000 (15/04/1979): Anotado por Clóvis Duarte, na vitória por 1 a 0 sobre o Estrela, fora de casa, pelo Campeonato Gaúcho.
- Gol 3.000 (17/09/1995): Anotado por Raul, no empate em 1 a 1 contra o Pelotas, na Boca do Lobo, pelo Campeonato Brasileiro da 3ª Divisão.
- Gol 4.000 (07/11/2007): Anotado por Castor (seu 1º gol no jogo), na vitória por 3 a 1 sobre o Aimoré, no Centenário, pela Copa FGF.




