
No jogo da vida, ser pai é vestir a camisa todos os dias. É ser o treinador e guiar os primeiros passos, celebrar as conquistas e apoiar em todos os momentos. Além disso, é ser o exemplo e a referência. No amor pelo clube do coração, pai e filho se encontram e compartilham memórias.
Paulo Roberto Lacava, 62 anos, é pai de dois filhos grenás. Pedro, 18, e Mateus, 31. Um amor que passou de pai para filho e mantém gerações grenás na família.
Para Paulo Roberto, a ligação com o Caxias nasceu muito antes de ele se tornar pai. A paixão grená foi herdada do próprio pai e, com o passar dos anos, transformou-se em um legado familiar. Hoje, divide a arquibancada com os filhos.
— Começou com o meu pai. O primeiro jogo que eu vim ainda era arquibancada de madeira. É orgulho, porque passou um amor pelo teu clube. Tu conseguiu transmitir pra eles (filhos) que depois com o tempo criam a própria raiz deles. O próprio amor deles que vai se estender e quem sabe meus netos, conseguir passar isso para os meus netos — comentou o pai.
A paternidade e o futebol compartilham algo em comum: a construção de memórias que atravessam o tempo. São momentos simples, mas capazes de marcar gerações e manter viva uma história que passa de pai para filho.
— A primeira lembrança que eu tenho é aquele Ca-Ju que nós ganhamos de 3 a 0. Eu estava com o Matheus, que na época era pequenininho. Ele queria ir embora. Aí começaram a sair os gols e ele despertou. Lembro também, na época com o meu pai, quando a arquibancada de madeira, um jogo da Associação Caxias. E os 3 a 0 no Grêmio, no ano em que a gente foi campeão gaúcho — disse Paulo, que completou:
— Hoje, já mais maduro, jamais imaginei que um dia eu iria torcer, me apaixonar tanto por um clube.
A gratidão do filho

A crença popular diz que o filho se espelha no pai. Herda gestos, valores e paixões. Com Pedro Lacava não foi diferente. O amor pelo Caxias nasceu em casa, cultivado ao lado do pai, e cresceu até se transformar em uma ligação inseparável, onde o clube e a figura paterna estão num lugar de afeto na memória e no coração.
— São duas relações muito boas, porque logo que eu comecei a vir, eu sempre falava: "Pai, me leva, me leva". E aí, quando o pai não podia, eu vinha com o meu irmão. Agora, como em nem todos os jogos o pai pode vir, porque ele trabalha, eu digo: "Estou indo pai". Mas eu fico muito mais feliz quando eu posso vir no jogo e ele está junto — disse Pedro, que completou:
— Eu já não imagino mais a minha vida sem o Caxias, sem estar aqui praticamente todo fim de semana assistindo o jogo. É um negócio que eu já não consigo imaginar sem, na minha vida.
Neste Dia dos Pais, a gratidão pelos ensinamentos compartilhados ao longo da vida ganha voz e se transforma em palavras.
— Eu só tenho a agradecer ele por ter me passado essa paixão e por ser esse paizão que ele é, sempre tentando me motivar quando eu estou desmotivado. Eu aprendi que, por mais que quando eu possa estar desanimando de alguma coisa, pensar que não vai dar certo eu tenho que sempre pensar positivo, porque se eu começar a pensar que não vai dar certo, vai acabar não dando certo — finalizou Pedro.

