
O nome de Hellen Telles é conhecido no meio esportivo. Inicialmente, por ser irmã do lateral-esquerdo Alex Telles, formado pelo Juventude, com passagens por Grêmio, Galatasaray, Porto, Manchester United, Sevilla, Seleção Brasileira, e hoje atuando no Botafogo-RJ. Depois, por seu trabalho com o agenciamento de atletas. Mas, agora, Hellen vivencia uma nova experiência em sua carreira: ela é a CEO da Apafut.
A caxiense acompanha o Tricolor da Serra desde os primeiros passos, em 2011, quando o projeto focava em proporcionar o esporte para crianças. Com o tempo, Hellen pôde crescer com o clube, que lançou sua categoria profissional em 2024. No ano seguinte, já garantiu o acesso à Série A-2 do Gauchão. Na celebração de 15 anos da Apafut, ela valorizou a trajetória do time caxiense.
— Para mim, que comecei lá no início, é uma satisfação imensa. Eu acompanhei eles, não de tão perto quanto agora, mas lá atrás eu vi como isso surgiu como uma escolinha, uma possibilidade de transformar a vida das crianças através do esporte. Hoje a gente consegue cuidar, desde os seis anos até a equipe profissional, de toda a construção desses atletas — disse Hellen, em entrevista à Rádio Gaúcha Serra.
Para o novo cargo, ela deixou seu trabalho de agenciamento na carreira de atletas em stand-by. Ao abraçar o projeto como CEO, a empresária criou novos objetivos e metas, construindo novos caminhos junto do clube.
— Eu estou numa posição que é uma parte de gestão e estratégia, não de agenciamento. Então, todos os atletas envolvidos, a gente tem um departamento específico para isso. Eu estou na parte estratégica, de captação e desenvolvimento de orçamento — explicou.
Uma trajetória além do sobrenome
No meio esportivo, onde homens são maioria, Hellen construiu uma carreira a longo prazo e conquistou seu espaço. Com sua visibilidade, também deseja influenciar mulheres que querem seguir no esporte e destaca a importância de ter referências femininas para se espelhar.
— Para mim, é uma oportunidade de mostrar para elas que existe um lugar que pode ser ocupado. Até então, se a gente não enxerga alguém naquela posição, não imagina que pode ocupá-la. Entrei no futebol por conta do meu irmão e hoje construí uma história própria. E a Apafut me dá essa oportunidade de poder colocar o meu trabalho a serviço, não só daquilo que já era da minha família, mas do que eu acredito como futebol, que é formação, que é integridade, que é credibilidade — disse Telles, que completou:
— Sendo mulher, muitas vezes, gera uma certa desconfiança, mas essa desconfiança também gera curiosidade. E é a curiosidade que abre a porta, que me faz entrar, que faz eles me escutarem. Eu tenho que usar essa oportunidade ao meu favor, mas mais do que isso, eu sei que eu represento muitas meninas que lá na frente podem estar ocupando um espaço como o meu, e o meu objetivo é mostrar que isso é possível.

Um novo capítulo
Assim como Hellen Telles, a Apafut também tem um novo desafio para 2026: a Divisão de Acesso. Com os pés no chão, a CEO destaca o foco na permanência e na visibilidade para o trabalho construído no futebol de Caxias do Sul.
— A gente tem um objetivo muito claro de se consolidar na divisão, mas no trabalho do nosso departamento de futebol, a gente acredita na criatividade e ela traz nomes com um perfil interessante, uma estrutura que dá condições de trabalho. Sabemos que uma fórmula com bons ingredientes pode dar efeitos muito positivos — comentou.
A Apafut faz seu segundo jogo na Divisão de Acesso e o primeiro em casa na competição, nesta quarta-feira (5). No Sesi, o time caxiense recebe o Esportivo, às 15h, em busca de seu primeiro ponto no torneio.
— A gente tem um clube que é carismático, isso acaba atraindo todo mundo e a gente quer ser isso. Quer trazer a comunidade para perto e fazer com que eles não precisam escolher um lado. Aqui eles podem ser dos dois (Caxias e Juventude) e podem ser parte da Apafut também, como uma nova força do futebol de Caxias do Sul. Só quem ganha é a cidade. — finalizou.





