
O Caxias vive meses decisivos para o futuro de sua gestão institucional e futebolística. No mês de maio, o clube contratou uma empresa especializada para conduzir os aspectos técnicos e jurídicos da constituição da nova entidade desportiva. A expectativa da diretoria é de que, no prazo de 90 a 100 dias, todo o processo legal da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) esteja concluído.
Em entrevista à Rádio Gaúcha Serra, o presidente grená, Roberto de Vargas, detalhou o andamento dos trabalhos de auditoria e a preparação para a reforma estatutária do clube:
— Está evoluindo, sim. O Caxias assinou o contrato com a empresa responsável por levantamentos documentais e auditoria. Já está sendo agendada uma reunião do Conselho Deliberativo para alterarmos o estatuto e atendermos às exigências legais de uma SAF. O processo está em andamento e acreditamos que, dentro de 90 a 100 dias, o Caxias poderá se transformar em SAF — destacou Roberto de Vargas.
Questionado sobre seu interesse em permanecer no comando do clube para o próximo mandato, o dirigente preferiu manter o foco absoluto em subir o clube à Série C.
— Olha, o futuro a Deus pertence. Não estou pensando nisso no momento, pois o meu objetivo prioritário é colocar o Caxias na Série B. Assumi a presidência para alcançar essa meta e estou totalmente focado nisso. A questão política será tratada após o término da Série C. Mas a tendência é que, no ano que vem, já tenhamos investidores e uma SAF estruturada. Aí, a história do clube muda completamente — completou o mandatário.
O histórico da mudança
A caminhada rumo ao modelo empresarial ganhou força em 14 de outubro de 2024, data em que o Conselho Deliberativo aprovou a viabilidade da SAF. Naquela oportunidade, a assembleia — que reuniu 113 conselheiros — demonstrou forte convergência política: foram 111 votos favoráveis e apenas dois contrários.
O modelo aprovado prevê a constituição da SAF por meio da cisão do departamento de futebol. A modalidade é vista como estratégica pela direção por permitir que o futebol opere sob lógica estritamente empresarial, enquanto o patrimônio físico e imobiliário social do clube permanece 100% preservado sob a propriedade da associação civil.
Sondagens de mercado
O interesse em transformar o Caxias em empresa vem sendo trabalhado desde a gestão do ex-presidente Mário Werlang. Nesse período, a diretoria grená recebeu visitas e sondagens de grupos econômicos dos Estados Unidos, investidores portugueses e do ex-presidente do Flamengo, Rodolfo Landim (sócio da empresa LG2).
Até o momento, as tratativas mantêm-se em estágio de consultas preliminares. A direção assegura de forma categórica que, sob nenhuma hipótese, o clube cederá o seu patrimônio imobiliário, alterará o escudo tradicional ou modificará as cores históricas que moldam a identidade da S.E.R. Caxias.




