
O técnico William De Mattia terá 180 minutos para corrigir os problemas urgentes apresentados pelo time do Caxias na reta final em busca da vaga ao G-8 da Série C do Brasileirão. Vencer fora de casa não tem sido o obstáculo para a equipe grená.
O time vem de dois resultados positivos longe do Estádio Centenário, e o próximo compromisso é exatamente fora do Rio Grande do Sul, diante do Santa Cruz, no sábado (22), às 19h30min, na Arena Pernambuco — um confronto direto na luta por uma vaga nos quadrangulares. Para a sua estreia, o treinador enfatiza a necessidade de contar com uma equipe mentalmente forte.
— Independentemente da plataforma ou do modelo de jogo, o que faz a diferença hoje entre um atleta estar em uma Série A, Série B ou Série C de Campeonato Brasileiro, na minha visão, é a parte mental. Então, a gente tem que saber resgatar todos os atletas para que eles recuperem o seu melhor nível de performance e a sua confiança, garantindo que se sintam tranquilos e confortáveis para fazer o que sabem dentro de campo — destacou De Mattia, que completou:
— Essa parte mental é o que diferencia a conquista de um resultado de ficar lamentando após o apito final. Durante os 90 minutos — e os acréscimos —, é preciso estar extremamente focado. Você tem que estar mil por cento concentrado em todos os detalhes, porque uma falha de concentração resulta na falta de resultado. O mais importante de tudo é resgatar a confiança dos atletas com uma blindagem emocional sólida.
Três desafios táticos
Contudo, a questão emocional não é o único desafio do Caxias. Os últimos jogos evidenciam três problemas urgentes que precisam da intervenção imediata do novo treinador.
O primeiro deles é a necessidade de manter a intensidade e a atenção durante os 90 minutos e acréscimos. Enquanto alguns atletas se entregam de corpo e alma em campo, outros parecem estar em uma voltagem diferente na partida.
O segundo ponto a ser tratado é a armação e a camisa 10. O Caxias contratou três meias para a Série C e nenhum deles se firmou como titular absoluto. João Lucas foi o titular na última partida, mas não teve uma boa atuação. Ravanelli segue em transição física e também não conseguiu engrenar. Já Matheus Anjos negocia a sua saída do clube e sequer foi relacionado para o último jogo.
O terceiro aspecto envolve o ataque. A bola tem chegado muito pouco ao centroavante Quirino. Contratado para ser a sombra de Salatiel, o camisa 9 sofre com a baixa participação nas finalizações da jogada. O time se mostrou dependente do seu titular, Salatiel, artilheiro que se recupera de uma pubalgia no momento mais crítico da equipe na tabela.
Sincronia coletiva
Para reverter o cenário e potencializar o rendimento dos atletas, William De Mattia prega a união de todas as esferas do clube, valorizando a estrutura oferecida pela gestão grená:
— No futebol não se conquista nada sozinho, é uma sincronia. Se a pessoa que cuida do gramado não fizer o seu melhor trabalho, se não houver pagamento em dia, boa alimentação e estrutura, os resultados não vêm. Aqui no Caxias é completamente diferente: sabemos que os salários estão em dia, que a estrutura é ótima e que existem atletas de qualidade. O diferencial será ter essa coesão entre clube, torcida e elenco, sem vaidade alguma, para alcançarmos o objetivo principal, que é o resultado em campo — disse De Mattias, que completou:
— O Caxias é um clube que está momentaneamente na Série C, mas possui estatura de Série B e Série A, sendo respeitado no Brasil inteiro e com uma ótima gestão. Hoje em dia, todo mundo no cenário nacional fala muito bem do Caxias. Se ligar para qualquer jogador, ele demonstra interesse em vir justamente pelo projeto por trás do clube. O Caxias tem que pensar grande. O primeiro objetivo é degrau a degrau, focado neste jogo contra o Santa Cruz, para buscarmos essa classificação que será fundamental para todos nós.



