
Um dos principais nomes da natação brasileira na atualidade, o baiano Guilherme Caribé esteve em Caxias do Sul nesta semana para uma série de atividades no Recreio da Juventude. O clube preparou uma programação que consistiu em clínicas, treinamentos e conversas com jovens atletas da base.
Aos 23 anos, Caribé vive um momento de afirmação. Ele é o atual vice-campeão mundial nas provas de 50m e 100m livre em piscina curta, foi campeão pan-americano e tem quebrado recordes e conseguido melhorar suas marcas a cada competição, sendo um postulante a medalha olímpica nas provas de velocidade na Olimpíada de Los Angeles, entre 14 e 30 de julho de 2028.
Na sua preparação, o nadador passou os últimos quatro anos nos Estados Unidos, treinando e estudando na Universidade do Tennessee, uma das referências mundiais do esporte.
— Foi realmente uma virada de chave na minha carreira, na minha vida. Fui pros Estados Unidos com 19 anos, nunca tinha morado longe de casa, especialmente num país que eu não falava a língua. Fui realmente pra arriscar e consegui um time que me acolheu muito bem. Um programa de treinamento que funcionou muito bem pra mim. Fiz meus quatro anos do College, e agora faço parte do time profissional — explicou Caribé.
Em 2026, Caribé foi campeão brasileiro no Troféu Maria Lenk nos 50m livre e 100m livre, além dos 50m borboleta. As três provas olímpicas para as quais direciona seu foco. Nomes como Manoel dos Santos, Gustavo Borges, Fernando Scherer, o Xuxa, Cesar Cielo e Bruno Fratus são a inspiração na busca pelo topo.
Confira mais detalhes da conversa com o nadador brasileiro:
Diferenças nos Estados Unidos
— Acredito que a parte da natação, dentro da água, seja bem parecido, a gente tem acesso a algumas coisas que aqui no Brasil é mais difícil de conseguir, mas acredito que a mentalidade nos Estados Unidos é diferente. Realmente me chocou, e eu aprendi muito com isso.
Referência na natação brasileira
— Eu coloco grandes expectativas em mim, mas isso é algo comigo mesmo. Não quero ter isso de ser o protagonista da natação brasileira. Acredito que todos os atletas têm grande potencial, mas eu tenho a expectativa de dar um grande resultado, de fazer algo que eu não fiz nas Olimpíadas de Paris, que eu aprendi muito com o que aconteceu. E agora virar essa chave e realmente brigar nas cabeças nas Olimpíadas, nos campeonatos mundiais e competições internacionais. Acredito que cada vez que eu caio na água competindo com esses grandes nomes da natação me prepara mais e mais para os Jogos Olímpicos.
Dois anos para LA
— São dois anos que passam muito rápido. Tem todo um time por trás para manter realmente o foco na natação, só em nadar. O acompanhamento psicológico é muito importante, mas pretendo continuar nos Estados Unidos durante esses dois anos, fazer toda a minha preparação lá, no mesmo programa que eu fiz nesses últimos quatro anos, que deram muito certo. Todos nós queremos um grande resultado nesses Jogos Olímpicos, e junto com outros atletas que também tem esse mesmo foco, um puxando o outro ali dentro d 'água.
Foco nas provas
— Nos Jogos Olímpicos eu pretendo nadar os 50m e 100m livre e os 50m borboleta, mas a preparação em si é mais para as provas de livre. Sim, quero performar bem no borboleta, acredito que tenho um grande potencial de brigar por uma medalha, mas a preparação não vai mudar por conta dessa prova.
Velocidade e referências
— O Brasil tem uma história muito bonita nas provas de 50m e 100m livre, com grandes nomes da natação. Grandes amigos meus também, então ter essa pressão de carregar esse legado é algo bem legal, saber que eu nado provas clássicas do Brasil e saber que eu ainda carrego esse nome nessas provas de velocidade me deixa bem feliz. Não deixar para trás esse legado do Brasil e continuar jogando para as próximas gerações também conseguirem carregar isso e colocar o País no topo de novo.
Referência para a gurizada
— É ser uma inspiração pra essa garotada. Querendo ou não tem uma certa pressão de influenciar crianças, mas eu fico muito feliz. Foi bem divertido ter esse contato, foram duas clínicas (no Recreio da Juventude), uma pela manhã com a garotada mais nova, uma pela tarde com o pessoal mais velho que fizeram treino comigo. Então, ter esse contato, mostrar que eu sou um ser humano, não tenho nada de diferente deles. Fizeram bastante perguntas e eu fico feliz em poder passar um pouco de tudo que eu já vivi, mesmo sendo muito jovem passar todas as experiências que eu já tive e mostrar um pouquinho da realidade da natação
O grande sonho
— O próximo grande objetivo é a medalha olímpica. É o que a gente está buscando é a mentalidade. Mas até lá tem grandes competições pela frente que a gente vai nadar bem.




