
O confronto entre Juventude e Cuiabá na próxima sexta-feira (17), às 19h, válido pelo Campeonato Brasileiro da Série B, reserva um enredo diferente no Estádio Alfredo Jaconi. A partida terá o retorno do zagueiro Vitor Mendes ao gramado da casa jaconera. No entanto, longe dos aplausos e do carinho que marcaram suas duas passagens anteriores pelo clube, o defensor deve encarar uma atmosfera de repulsa por parte da torcida.
Entre as temporadas de 2021 e 2022, Vitor Mendes foi um dos atletas mais queridos pelo torcedor do Juventude. Ele despontou como pilar do sistema defensivo na campanha de manutenção do clube na elite do futebol brasileiro em 2021. Diante do prestígio, retornou ao Alfredo Jaconi no ano seguinte sob grande aprovação. Contudo, os bastidores de sua segunda passagem esconderiam um escândalo que, meses depois, destruiria de forma definitiva sua relação o torcedor, que carrega uma ferida de traição a quem sempre lhe deu a mão.
O escândalo "Penalidade Máxima"
Em 2023, o nome de Vitor Mendes surgiu no centro das investigações da Operação Penalidade Máxima, deflagrada pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO) para desarticular uma organização criminosa especializada em manipulação de resultados no futebol brasileiro para beneficiar apostadores.
Segundo a denúncia do Ministério Público, o zagueiro aceitou dinheiro para forçar cartões amarelos em partidas do Juventude no Brasileirão de 2022 — uma delas no empate por 1 a 1 contra o Fortaleza. Os valores acertados com os manipulares consistiam em R$ 35 mil, além de um adiantamento de R$ 5 mil pagos antes de a bola rolar.
Nas investigações, Vitor Mendes aparecia em trocas de mensagens com os apostadores, evidenciando uma relação de proximidade. Em um áudio interceptado, o chefe do esquema de manipulação, Bruno Lopez, referia-se explicitamente ao defensor do Juventude como "jogador nosso". Para piorar o cenário perante o clube da Serra, as investigações apontaram que o atleta prometeu intermediar o contato de outros dois companheiros de equipe para que também entrassem no esquema ilegal.
Gancho no STJD
Para evitar ser réu em um processo criminal, Vitor Mendes aceitou assinar um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) com o Ministério Público de Goiás, admitindo a sua participação e se comprometendo a colaborar com as investigações.
Na esfera desportiva, contudo, as consequências foram severas. O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) julgou o caso e aplicou uma das punições mais duras da história do futebol brasileiro: o zagueiro recebeu um gancho de 720 dias (dois anos) de suspensão de todas as atividades profissionais ligadas ao esporte, além de uma multa administrativa de R$ 70 mil. Outros oito atletas envolvidos no esquema também foram punidos na mesma leva de julgamentos.



