
Uma seleção tricampeã mundial e favorita contra uma que disputa apenas sua quarta Copa do Mundo. Assim foi o confronto entre França e Senegal, em Nova Jersey. Pela primeira rodada do Grupo I, os Azuis venceram os Leões de Teranga por 3 a 1.
O resultado era previsível, mas a derrota não anulou a empolgação da comunidade senegalesa de Caxias do Sul. Antes do início da partida, o Centro de Capacitação e Comércio (CCC) já estava enfeitado com bandeiras do Brasil e de Senegal, o que mostra a união entre os países.
— Já estávamos sentindo a energia, esse time joga bem e estou ansioso para ver meu time ganhar — disse Dara, um dos comerciantes.
Sem televisão no espaço, os vendedores permaneceram em suas bancas e acompanharam o confronto cada um pelo seu celular. A ansiedade tomou conta do espaço, com poucas interações, mas muitas narrações simultâneas.
A loja Mustafá, na rua Pinheiro Machado, é comandada por um casal que adotou o Brasil como sua segunda casa. Babacar Gning e Sokhna carregam no peito — e na fachada do estabelecimento — as raízes senegalesas.
— Enquanto o Brasil joga, nós gostamos. Quando Senegal joga, é longe de casa, mas perto do coração, então nós acompanhamos cada minuto — comentou Babacar.
Para uma boa sequência no torneio, Gning destacou a mudança do futebol moderno e a possibilidade de surpresas na Copa do Mundo.
— Hoje em dia, o futebol não tem mistério, é jogar bem e ganhar. Os times favoritos estão empatando, então há chances. Temos jogadores bons e que querem ganhar.
Escrito na história
Era 2002. Coreia do Sul e Japão sediavam a Copa do Mundo. Senegal fazia sua estreia no maior torneio de futebol justamente contra a atual campeã, França.
Muitos pensavam que o resultado era óbvio. Mas a equipe senegalesa tinha Papa Bouba Diop. Aos 30 minutos do primeiro tempo, o volante marcou o primeiro gol da seleção na história da competição, e garantiu a vitória sobre os atuais campeões.
— Eu acompanhei a Copa de 2002. O elenco de Senegal era de patriotas, de gente que jogava com o peito. Temos um time bom, mas o de 2002, não tem igual — disse Babacar.
Senegal chegou às quartas de final naquele ano. Até hoje, sua melhor participação em Copas do Mundo. Mas Dara pensa diferente, e sonha com o título.
— Temos um time bom, podemos ir longe na Copa e, se Deus quiser, conquistar o título. Essa equipe é melhor que a de 2002, temos muita confiança — finalizou.



