
Não bastar ser óbvio. A criatividade em meio à pressão vem sendo a solução dos problemas do Juventude diante de uma série de desfalques na Série B. E graças às escolhas do técnico Maurício Barbieri, o time voltou a vencer depois de quatro jogos, goleou o América-MG e mostrou a versatilidade do elenco.
Contra o lanterna da competição, na sexta-feira (29), Barbieri sabia que não poderia contar com Raí Ramos, Patryck Lanza, Alan Ruschel, Luan, Pablo Roberto, Mandaca e Allanzinho, ambos lesionados ou em recuperação; além deles, por desgaste físico, o experiente Rodrigo Sam teve que ser preservado. E para completar, no aquecimento para esta partida, o treinador do Ju perdeu outro titular no aquecimento: MP.
Destes, apenas Alan Ruschel não vinha atuando com frequência. Eram oito ausências de atletas com status de titularidade.
E o que fez Barbieri diante da série de problemas? Primeiro, o técnico reforçou a ideia do sistema com três zagueiros que vem dando resultados nesta temporada, uma vez que Gabriel, Messias e Marcos Paulo atuam com frequência, demonstrando regularidade e sendo importantes para o clube consolidar a segunda melhor defesa da competição.
— Qualquer um de nós que entrarmos em campo representaremos bem a camisa do Juventude e continuaremos com essa liga, com essa consolidação defensiva, porque a gente trabalha muito isso no dia a dia — confirmou Messias.
Depois, o treinador alviverde repetiu a estratégia de recuar Raí Silva para a segunda função do meio-campo, na falta de volantes com maior capacidade de sair pro jogo. Mas isso não impediu o meia de se aproximar da área. Tanto que, em jogada ensaiada de escanteio, Fábio Lima cobrou na medida para Raí Silva acertar em cheio e abrir o placar.
— Não é uma opção nova para mim. Eu já joguei assim na base e em Volta Redonda, no ano passado. Fico feliz pelo professor também contar comigo nessa posição — comentou Raí Silva.
O treinador do Ju ainda apostou no segundo tempo em Aderlan na ala direita e deu mais uma oportunidade para Alisson Safira no lugar de Alan Kardec. E o centroavante, que não marcava desde janeiro, fez o segundo gol, com assistência do lateral.
Por fim, Barbieri escalou três atacantes: Fábio Lima, Manu Castro e Alan Kardec. Mas como o trio ofensivo vinha sendo pouco efetivo, o treinador espetou Diogo Barbosa mais à frente, fazendo com que Manu Castro atuasse mais por dentro. Afinal, o maior adjetivo do uruguaio é ser um operário pra equipe. A mesma estratégia se repetiu no segundo tempo, com Wadson quando Diogo Barbosa já apresentava sinais de desgaste. Foi dos pés do lateral-esquerdo, inclusive, o terceiro gol na goleada por 3 a 0.
— Uma surpresa até para mim, né? Entrei ali de extrema, mas estou aqui para ajudar o clube, a equipe, todos os meus companheiros. E, graças a Deus, pude ajudar marcando o gol — comentou Wadson.
Novas apostas?
Como não há expectativas concretas de que Barbieri tenha reforços vindos do departamento médico para o jogo da próxima sexta-feira (5), diante do Operário-PR, a versatilidade do grupo e as apostas do treinador podem ser úteis uma vez mais para colocar o Verdão no G-6 da Série B.
— O principal desafio era pegar um elenco quase que completamente reformulado e fazer com que eles fossem capazes de jogar juntos porque cada um ali tem a sua história, já apresentaram muita coisa ao longo do futebol. Mas o desafio era tornar eles todos, esse grupo de trabalho, em uma equipe, e eu acho que o tempo tem demonstrado isso — comentou Barbieri, que finalizou:
— É sim um desafio ter tantos jogadores fora, tantos jogadores importantes, mas não tem outra saída que não seja trabalhar e buscar soluções alternativas e criativas como a gente fez hoje (sexta).



