
Há lugares que deixam de ser geografia para se tornarem sentimento. Para o torcedor grená, o Estádio Francisco Stédile é esse reduto de segurança, um território sagrado onde o tempo parece parar a cada grito de gol. É a casa que protege, o palco que acolhe e o vulcão que, ao menor balançar de redes, entra em erupção, fundindo milhares de corações numa única explosão de alegria.
Neste domingo, às 16h, no duelo contra o Paysandu, esse gigante de concreto completa 11 dias de saudade e prepara-se para, quem sabe, testemunhar um capítulo eterno: a vitória de número 600 da história do Centenário. O técnico Marcelo Cabo reconhece que o número se torna mais um combustível para o elenco:
Construído para o Caxias jogar a elite do Brasileirão em 1976 e que leva como apelido uma homenagem aos 100 anos da imigração italiana na Serra, o Centenário — que caminha para o seu jubileu de ouro em setembro — é o cenário onde o Caxias projeta o seu destino. O desafio de domingo não poderia ser maior: vencer o Papão, atual líder da Série C. No entanto, para o time de Marcelo Cabo, a motivação vai além da tabela. Trata-se de validar uma história escrita com suor e paixão desde a inauguração, em 1976.
— São 50 anos de um estádio de uma tradição gigante. E você ter a oportunidade de fazer parte da história da vitória 600 aqui dentro do Centenário, isso é muito importante. A gente já é muito motivado de entrar aqui todos os dias e trabalhar. Agora você tem mais esse plus, que uma vitória no domingo nos traz a vitória 600, fazer parte dessa história nos deixa muito felizes, muito lisonjeados — comentou Marcelo Cabo, que completou:
— Eu sempre falei pra vocês de resgatar o DNA do Caxias aqui dentro. De os adversários nos respeitarem aqui dentro, temer a gente aqui dentro. Eu acho que essa atmosfera a gente conseguiu trazer de volta. Dos últimos cinco jogos aqui, a gente tem cinco vitórias. Vamos buscar essa vitória, 600 para o Caxias.
Gigante em Números
Desde que a bola rolou pela primeira vez em seus domínios, o Centenário moldou-se como uma construção difícil de ser transposta. Os números refletem a hegemonia grená em sua casa. Os dados são do escritor e historiador Gustavo Côrtes:
- Jogos realizados: 1.145
- Vitórias: 599
- Empates: 328
- Derrotas: 218
- Gols marcados: 1.729
- Gols sofridos: 944
Vencer o líder do campeonato seria a forma mais poética de atingir a sexta centena de triunfos. Para o torcedor, o domingo não é apenas mais uma rodada; é a oportunidade de ver o Grená de recordes, o Caxias, gravar mais uma página dourada na pedra fundamental da sua casa, que foi construída em outra marca histórica, sete meses.
100 EM 100
:: Vitória 100
Caixas 2x0 São José
Amistoso em 12/04/1984
:: Vitória 200
Caxias 2x0 Pelotas
Gauchão em 07/06/1993
:: Vitória 300
Caxias 1x0 Avaí
Série B Brasileirão em 22/08/2001
:: Vitória 400
Caxias 1x0 Brasil-Pel
Copa FGF em 28/11/2007
:: Vitória 500
Caxias 2x1 Metropolitano
Brasileirão Série D 12/06/2016
*Pesquisa do Historiador e Escritor Gustavo Côrtes




