
Com nomes consagrados do esporte, como Bruninho, Lucão, o caxiense Fernando Kreling, o Cachopa, e Marcelo Fronckowiak, técnico principal do Steaua Bucareste, da Romênia, e assistente da Seleção Brasileira, a segunda edição do Gigantes do Vôlei fez Caxias do Sul voltar a respirar a modalidade no último sábado (23).
O Gigantes do Vôlei é idealizado pela Associação RS Olímpico e integra um projeto de fortalecimento da modalidade na região. Conforme Gustavão, ex-jogador e um dos organizadores do evento de sábado (23), a ideia é que se possa mobilizar a comunidade local para a criação de uma equipe de alto rendimento que possa disputar a Superliga.
— Está tudo preparado, tem algumas empresas que já mostraram interesse, precisamos de outras que ajudem para que consigamos montar uma equipe. Só que estamos com tempo bem curto, precisamos acelerar, temos até a primeira semana de junho para nos inscrevermos e jogarmos a Superliga C e B — explica o ex-jogador.
E a mobilização recebeu apoios importantes, como dos campeões olímpicos no Rio em 2016, Bruninho e Lucão. O levantador, que atua em Campinas, relembrou que já veio diversas vezes ao Rio Grande do Sul para atuar contra equipes locais, e que sente falta da representatividade.
— Poder fomentar o vôlei onde estamos sentindo falta, e voltando ao Rio Grande do Sul, quando eu jogava na Cimed tínhamos quatro, cinco equipes no Rio Grande do Sul, esperamos que as pessoas entendam a importância de ter uma equipe de alto rendimento, porque você consegue mobilizar toda a comunidade através de projetos sociais, escolinhas. Podermos estar aqui com a nova geração, o Darlan, o Cachopa, eu o Lucão, o Maurício Borges, poder ajudar de alguma maneira com a nossa imagem, para ver se podemos trazer uma visibilidade maior — disse Bruninho.
Já Lucão, que vive grande momento após ter sido campeão da Superliga e eleito o melhor jogador da competição, disse que espera que até o final da carreira possa retornar ao estado para jogar. O central está com 40 anos e atua pelo Cruzeiro.
— O Rio Grande do Sul é um celeiro para o voleibol nacional, e não ter times profissionais aqui às vezes faz as crianças optarem por outros esportes, não conseguem ter um ídolo aqui o tempo inteiro, claro que veem pela TV, mas vir ao ginásio, ver como funciona, é muito diferente. Espero que até o final da minha carreira eu possa voltar a jogar aqui no Rio Grande do Sul, que minha família possa voltar ao ginásio e torcer — destacou o central.
O caxiense Fernando Kreling, o Cachopa, atuou pela primeira vez na cidade no ano passado, justamente na primeira edição do Gigantes do Vôlei. Dessa vez, voltou a comemorar o feito e reiterou a torcida por uma equipe profissional:
— Ano passado foi a primeira vez que eu joguei em Caxias depois que sai para seguir minha carreira, foi especial, para a região foi especial, mostrou que a comunidade de Caxias acolhe bem o esporte, e é um bom sinal para trazermos um esporte de alto rendimento para a cidade, uma equipe de vôlei que hoje não tem no estado, é um motivo a mais termos essa aceitação do povo gaúcho, seria o momento certo de trazer o vôlei de novo.
Impacto na cidade
Marcelo Fronckowiak já tem 45 anos de vôlei e foi um dos comandantes das equipes no último sábado em Caxias. Natural de Porto Alegre, o ex-jogador é atualmente o técnico principal do Steaua Bucareste da Romênia e assistente técnico da seleção Brasileira. Ele relembrou que o Rio Grande do Sul sempre revelou grandes nomes para o esporte, como Éder Carbonera, também campeão olímpico em 2016 e natural de Farroupilha.
— Eu desejo que o Rio Grande do Sul possa voltar a ter uma representatividade importante. É óbvio que milito no esporte de alto rendimento, mas não deixo de ter atenção ao conjunto do processo, que é: o esporte tem que ter seu espaço na sociedade. Uma sociedade que pratica esporte é mais saudável, uma juventude que tem acesso a ícones, atletas fora de série, quantas pessoas conseguem chegar a uma Olimpíada? Quantos atletas olímpicos temos reunidos aqui hoje? Esse exemplo de que dedicação, superação, disciplina e educação funcionam.

Ao longo da carreira, ele teve passagens por equipes gaúchas, como em Canoas, por exemplo. Entre as ações importantes para que um clube possa se formar em Caxias, destacou que é necessária a integração entre a comunidade, empresas e instituições de ensino.
— Sem dúvidas alguma. A qualidade desse ginásio, ele está no nível dos melhores ginásios da Superliga, e com um público que com certeza está sedento para isso. O Rio Grande do Sul merece uma iniciativa como essa, Caxias do Sul pode fazer história.

