
Após um Campeonato Gaúcho onde a solidez defensiva foi a marca registrada, o técnico Mauricio Barbieri começa a desenhar o futuro tático do Juventude para os desafios nacionais, com a Copa do Brasil, a Série B do Brasileiro e a Copa Sul-Sudeste. Embora o esquema 3-5-2 tenha garantido a invencibilidade e a efetividade necessária em um início de temporada com apenas 13 dias de preparação, o comandante alviverde deixou claro que não pretende ser refém de uma única formação.
Em análise sobre o desempenho da equipe até aqui, Barbieri fez questão de ajustar a percepção sobre a "consolidação" do sistema herdado de Thiago Carpini, ressaltando que o equilíbrio ofensivo é tão presente quanto a segurança lá atrás.
— Eu só trocaria a palavra consolidado. Eu acho que talvez consolidado dá a sensação ao torcedor de que o esquema é esse e não vai mudar. Eu acho que é um esquema que tem dado resultado, tem se mostrado efetivo e sólido. Apesar da gente ter saído invicto, temos que lembrar que em todos os jogos a gente marcou gols. Não é uma equipe excessivamente defensiva. Agora, eu não quero ficar preso à questão dos três zagueiros — pontuou o treinador.
Variações
A manutenção dos três zagueiros foi uma escolha diante da escassez de tempo para treinar, mas Barbieri já vislumbra alternativas que podem envolver a saída de um dos defensores para dar mais corpo ao meio-campo ou ao ataque. Segundo ele, o repertório de construção pode mudar conforme a peça utilizada.
— Eu acho que se em algum momento a gente entender que pode tirar um zagueiro e construir a saída de três com um lateral, como a gente já fez com o Ruschel, ou com um volante, a gente vai usar essas alternativas. Eu preciso estudar os adversários e ver o que a gente vai ter pela frente — explicou.
O técnico lembrou que o time já experimentou variações durante o Gauchão, mesmo que de forma menos "automatizada". Ele citou o uso de Juan Christian no decorrer dos jogos e a mudança no perfil do ataque no duelo contra o Grêmio, quando escalou Taliari, Manu Castro e Safira.
— Mesmo dentro dessa estrutura inicial de três zagueiros, a gente tem buscado maneiras de não ser previsível e de ter opções de variação. É isso que a gente vai seguir fazendo — reforçou Barbieri.
O fator "tempo" para a Série B
A transição para modelos táticos mais autorais, característicos da carreira de Barbieri, deve ganhar corpo agora em março. Com a estreia na Copa do Brasil marcada para o dia 5 e o início da Série B apenas no fim do mês, o treinador terá, enfim, as brechas necessárias no calendário para implementar mais conceitos táticos ao grupo.
— É preciso tempo para você desenvolver outras formas. A gente avançou e se aproximou de ter uma forma um pouco mais consolidada nisso agora, mas a gente tem variações. Talvez não tenha tido tempo suficiente para tornar essas mudanças 100% automatizadas pela equipe, mas a gente tem capacidade para fazer variações de característica — concluiu.

