
Nas calçadas da Júlio de Castilhos, nos bancos da Praça Dante Alighieri, nas mesas dos bares e nos balcões das bodegas do interior, o assunto é um só. Caxias do Sul não apenas amanhece nesta quinta-feira (22), ela desperta dividida. De um lado, o sangue grená que pulsa na expectativa de retornar ao território vizinho para vencer. Do outro, o verde das listras verticais que defende a sua fortaleza.
O Clássico Ca-Ju de número 100 pela história do Gauchão não é apenas um jogo de futebol, é um rito cultural que mexe com os brios de uma cidade inteira, transformando o trajeto de poucos quilômetros entre os estádios Centenário e Alfredo Jaconi na jornada mais longa e tensa do ano.
Para o torcedor do Caxias, o duelo das 19h carrega um peso extra: o desejo de encerrar um jejum de sete anos. A última vez que o Grená celebrou uma vitória dentro da casa do rival foi em 2019, com um sonoro 3 a 0. Desde então, o Jaconi tem sido um terreno árido para o Caxias, que agora chega embalado por goleadas.
O mestre do equilíbrio na beira do gramado
No centro Grená deste turbilhão emocional estará Fernando Marchiori. Estreante no Ca-Ju, o técnico grená sabe que a tática, por vezes, curva-se diante dos nervos em um Ca-Ju. Para ele, a palavra de ordem é competência momentânea.
— Você tem que ser equilibrado. Clássico é um jogo em que muitas vezes você não tem tantas oportunidades, então a que tiver, tem que ter a competência de concluir. Mentalmente você precisa ser forte para conter as emoções. É saber sofrer quando o adversário pressiona e saber definir quando a chance aparece — projetou Marchiori.
Desafio da reconstrução silenciosa e pés no chão
Mesmo com a liderança antes da rodada começar e vindo de apresentações convincentes, o treinador evita o clima de euforia. Marchiori encara o clássico como um degrau fundamental em um processo de reconstrução que, segundo ele, é feito com muito silêncio e trabalho nos bastidores.
— Apesar da manutenção de alguns atletas, é uma reconstrução. O meu lema é trabalhar muito e ficar o máximo em silêncio possível internamente. Não é que estamos conseguindo vitórias fáceis; nós as estamos criando com margem de estudo e atitude dos atletas. Ainda é pouco tempo e precisamos ter a humildade de entender que temos muita margem para evolução — avaliou o comandante.





