
Há quem diga que o futebol é feito apenas de números, mas o torcedor do Juventude sabe que, nos últimos três anos, o futebol foi feito de sorrisos, passes magistrais e uma humanidade que ultrapassa as quatro linhas. No fim da tarde desta sexta-feira (9), o torcedor do Juventude foi surpreendido com a recusa de Nenê em renovar com o clube.
O "Vovô Garoto", decidiu optar por um outro projeto, bem distante da Serra. Aos 44 anos, ele parte para um novo desafio no Botafogo-PB, mas deixa em Caxias do Sul um legado que não cabe apenas em estatísticas.
O Milésimo Capítulo
A história de Nenê com o Alviverde teve diversos sentimento. Foi vestindo a camisa jaconera que o meia atingiu a marca mítica de 1.000 jogos na carreira, justamente no jogo de ida da final do Gauchão 2024 contra o Grêmio. Com a humildade de quem já brilhou no PSG e no Mônaco, ele celebrou a marca como se fosse um menino da base:
— É difícil falar nesse momento. Realmente, muito feliz e orgulhoso. Uma marca dessas são poucos jogadores que conseguem chegar nesse nível. Então, o segredo é difícil falar. Fui muito abençoado de não ter tido muitas lesões — disse na época.
Ele se despede com 97 jogos pelo Juventude, sendo 96 oficiais e mais o amistoso contra o Boca Júnior. Nenê quase completou 100 jogos pelo Verdão. Ao todo, ele chegou as 1.052 partidas oficiais no currículo.
Protagonista de acessos e permanências
Nenê veio ao Juventude para "se aposentar". Porém, o vento serrano da longevidade o pegou. Em 2023, foi o maestro do acesso à Série A, com sete gols e sete assistências. Em 2024 e 2025, manteve uma regularidade física, somando 13 gols e 17 assistências ao todo pelo clube. Enquanto os críticos falavam da idade, Nenê respondia com a "canhota" calibrada e uma liderança que guiava os mais jovens.
Craque da solidariedade e do carisma
Se dentro de campo os números impressionam, fora dele Nenê virou quase um patrimônio de Caxias do Sul. Ele chegou a distribuir sanduíches durante a maior tragédia climática do estado em maio 2024. Ele também visitou à UTI do Hospital Pompéia para entregar uma camisa ao senhor José Zari Bueno, de 78 anos, que após a visita do ídolo ganhou alta e viu o time garantir a permanência na elite.
Nenê também foi ator. Nas redes sociais, encantou o torcedor Jaconero ao se disfarçar de atendente de loja para surpreender o pequeno Gabriel. Ainda levou o nome do Juventude para um dos principais jornais do mundo, o jornal Marca, da Espanha, ao se fantasiar de velhinho na Praça Dante Alighieri para anunciar sua permanência ao fim de 2024.
Nenê também foi protagonista do jogo Lance de Craque, junto com D'Alessandro. No fim de 2024, a partida solidária foi realizada no Estádio Alfredo Jaconi e beneficiou sete instituições da região.
O camisa 10 não foi apenas um jogador; ele foi um produto de marketing, um embaixador social caxiense e o melhor amigo das crianças jaconeras.
A trajetória de um gigante
Nenê vestiu 15 camisas diferentes, mas o Juventude já figura como o quarto clube onde ele mais jogou na vida, superando outros grandes clubes, como Mônaco, São Paulo e Santos.
- Vasco: 200 jogos
- Fluminense: 116 jogos
- PSG (França): 112 jogos
- Juventude: 97 jogos



