
Helder encerrou sua trajetória como jogador profissional em 2024, após a disputa da Divisão de Acesso. O fim da carreira veio de forma antecipada, com a não renovação de contrato com o Pelotas, clube que marcou seus últimos passos nos gramados. O ex-lateral-direito, de 37 anos, construiu uma carreira sólida e versátil, marcada por passagens em diferentes cenários do futebol nacional e internacional.
Helder começou no Juventude e viveu experiências no futebol europeu, atuando na Romênia e na França, antes de retornar ao Brasil e vestir camisas de peso como Inter, Ceará, Náutico, América-MG e Goiás.
— Não é fácil. Era uma coisa que eu estava fazendo há 20 anos, profissionalmente. Então, quando começa a não ter mais aquela rotina, por mais que eu estivesse cansado de algumas coisas, é totalmente diferente. Eu estava acostumado a acordar oito horas da manhã, ir pra um vestiário, brincar, fazer as nossas zoeiras do dia a dia, e agora eu acordo no mesmo horário, mas vou ensinar a gurizada. Ninguém sabe, mas eu fiquei dois semestres fazendo engenharia da computação, pra não mexer com o futebol. Mas não tem como, ele traz você — contou Helder em entrevista ao Show dos Esportes da Rádio Gaúcha Serra, que completou:
— Tem um lado muito complicado, e esse lado do futebol começou a me incomodar muito no ano passado. A gente fez uma baita campanha ali com o Pelotas. A gente subiu e eu pensei realmente que eu ia ficar no Pelotas. Eu não tinha planejado parar. Tinha planejado em parar esse ano depois do Gauchão. O que vale é o que está no papel, não adianta. Eu comecei a esperar, comecei a ficar ansioso e quando vi já estava em dezembro e não tinha mais como ir, já contrataram outro lateral. Teve até um convite do Avenida para jogar.
Helder conheceu um jovem professor e resolveu antecipar a aposentadoria. A parceria entre ele e Bryan Petrin, 21 anos, surgiu ainda nos tempos de Juventude Futsal, quando a afinidade e a troca de experiências abriram caminhos para um novo projeto.

Com a iniciativa de criar um funcional, eles começaram modestamente em janeiro com a Escola BR Soccer, com cerca de 20 alunos. Hoje, o número já ultrapassa os 100, incluindo jovens que frequentam aulas avulsas e outros que estão há bastante tempo no grupo.
— A gente começou e eu falei que eu ia vender um sonho para um pai e para o guri, só que eu preciso realizar esse sonho. Eu não quero só receber de um pai e não dar um retorno para ele. Por exemplo, três meninos foram aprovados pela Chapecoense, temos seis no Grêmio, temos dois no Inter, quatro no Esportivo — contou e completou:
— Na verdade, sempre falei que eu nunca tinha perfil de ser treinador. Eu sempre quis ser auxiliar. Eu entendo quando um guri tá triste, não pegou lista e eu gosto muito de corrigir. Então, isso se tornou um hábito pra mim.
Carreira

Helder, ex-lateral-direito, teve duas passagens pelo Juventude. Primeiro, quando chegou ao clube em 2005 e se destacou três anos depois, despertando o interesse do futebol europeu, sendo negociado com o Nancy, da França. Na sequência da carreira, o lateral atuou no futebol da Romênia, voltou para a França e retornou ao Brasil em 2013, para defender o Inter.
— O Dunga foi uma parte triste pra mim, porque quando eu voltei pro Brasil, foi pro Inter. Eu voltei feliz e até pensando em seleção. Pra quem não sabe, eu fui afastado no Inter por uma foto que eu tirei do Dunga. Na época do Gauchão, na final contra o São Luiz, eu volto pro vestiário e o Dunga estava deitado, acho que pensando no time. E eu tiro uma foto. Fomos campeões e eu posto a foto no grupo. Chegou até o Dunga e fui afastado. Uns dias depois, tocou meu telefone. Era o D'alessandro. Ele sabia o aconteceu e disse que no dia seguinte eu voltaria. Eu lembro que ele falou isso pra mim e eu chorava. E daí eu voltei a treinar — relembrou, que completou:
— Eu era zagueiro. Quando eu cheguei no Juventude em 2005, meu maior ídolo era o Juan e de repente eu tava com o cara jogando depois de oito anos. Jogando com o Dida, Kleber. Pensava: "não é possível que eu tô aqui". E isso me atrapalhou também, porque eu não consegui desempenhar um bom futebol ali. Essa é a realidade, mas fiz amigos. O Damião até hoje a gente se fala, quase todos os dias. O Alisson a gente conversa.





