
A retomada do Juventude no Brasileirão 2025 passa também por um novo entendimento da função do camisa 10 do clube. Após a chegada de Thiago Carpini, Nenê passou de um jogador de grupo a novamente um protagonista, mesmo aos 44 anos.
Os números estão aí para comprovar. Com Fábio Matias e Claudio Tencati, o meia participou de oito partidas, e só foi titular em uma, na derrota para o Grêmio, no Alfredo Jaconi. Não fez gol ou deu assistências. Além disso, o discurso era de que Nenê não conseguia encarar a intensidade de jogo do Brasileirão.
Thiago Carpini chegou ao clube na reta final do primeiro turno. De lá para cá, Nenê foi utilizado 13 vezes. Em sete como titular. Nessas partidas, fez três gols, deu quatro assistências, e voltou a contribuir diretamente para o sonho da permanência na elite.
— Eu acho que para você usar um atleta de 44 anos, precisa criar alguns comportamentos coletivos para facilitar, principalmente quando a equipe não tem a bola, porque é claro que sobrecarrega um pouco mais. Mas, em contrapartida, ele tem a capacidade técnica. Não temos essas características dentro do elenco, como diversos times, que podem girar as opções, trocar e elevar o nível — disse Carpini após a vitória sobre o Vasco, no Rio de Janeiro.
A última semana do camisa 10 foi ainda mais impressionante. Em sete dias, ele foi titular contra Palmeiras, Sport e Vasco. Nos três jogos, atuou por mais de 60 minutos.
— Quando eu retornei, o Nenê estava um pouco fora do contexto. Não sei o que aconteceu, também não é problema meu. Mas, a partir do momento em que eu cheguei, trouxe ele de novo para o processo. Então, se ele tiver 50 anos fazendo gol e dando assistência, como eu não vou querer os melhores com capacidade de resolver jogo jogando? — questionou Carpini.

O treinador ainda contou uma conversa especial que teve com Nenê no vestiário de São Januário. Diante do ex-clube, pela segunda vez na temporada, o meia balançou as redes. Além disso, foi ovacionado pela torcida da casa e saiu de campo celebrando os três pontos.
— Foi um dia muito especial para ele e para mim. Eu dei um abraço a ele no vestiário. Não sei se eu poderia até compartilhar, mas acho que é bacana. Eu disse para ele: "talvez você não tenha oportunidade de voltar em São Januário, jogar uma Série A contra o Vasco de novo. Então, lembra quando você começou no Paulista de Jundiaí? E quando você não tinha conquistado tudo que você conquistou. E trate essa última oportunidade como o início da sua carreira". Não foi por isso que ele jogou bem, fez o gol, mas acho que pela amizade que nós construímos, o respeito, o relacionamento, ele tomou isso pra si — relatou Carpini, na entrevista pós-jogo no Rio de Janeiro.




