
Três pontos que valem por uma temporada. O duelo entre São Bernardo e Caxias, neste domingo (5), pela quinta rodada do quadrangular da Série C do Brasileiro no estádio 1º de Maio, em São Paulo, tomou ares de decisão.
Uma vitória mantém vivas as chances de cada um lutar por uma vaga à Série B na rodada final. Um empate resultará em mais um fim de semana sem vitórias nesta fase da competição; já a derrota pode significar uma despedida melancólica antecipada, caso no outro duelo Floresta e Londrina empatem no Ceará.
Cenário bem diferente do vivido pelos dois clubes na primeira etapa da competição. Com um dos maiores investimentos dentre os 20 participantes, o São Bernardo se classificou com a quinta melhor campanha e rendeu elogios, inclusive de técnicos rivais, como foi o caso de Júnior Rocha, que considerou a equipe paulista como uma das mais fortes da competição.
Por sua vez o Caxias, surpreendeu a todos que acreditavam que a equipe disputaria apenas a parte de baixo da tabela, lutando contra o rebaixamento. De maneira implacável, o time conquistou 12 vitórias em 19 jogos e garantiu o primeiro lugar na etapa inicial. Na segunda fase, iniciou-se um novo campeonato. E nele, o Caxias ainda não sabe o que é vencer.
— Assim como a gente sonhava em não brigar por descenso, depois a gente sonhava em classificar, sonhava em fazer um quadrangular muito bom e subir. Continuamos acreditando que é possível, ainda mais no futebol — destacou Júnior Rocha, técnico do Caxias.
Novo xerife na defesa

Para seguir vivo na competição e chegar na rodada final diante do Floresta querendo fazer a festa do acesso diante da torcida, no Estádio Centenário, o time do Caxias terá mudanças.
A única, no entanto, confirmada pelo técnico Júnior Rocha antes da bola rolar está na defesa. Com a lesão que tirou Alisson do restante da competição, Gustavo Henrique ganhará uma oportunidade entre os 11 iniciais.
Em entrevista ao Show dos Esportes, da Rádio Gaúcha Serra, o atleta de 25 anos mostrou segurança e tranquilidade de quem sabe lidar contra este tipo de pressão que vive o Caxias.
Emprestado pela Portuguesa, o atleta conviveu com um momento difícil e semelhante que passa o Grená. Afinal, a Lusa fez a melhor campanha de seu grupo na primeira fase da Série D, mas foi eliminada na etapa seguinte, acabando com o sonho do acesso.
— O futebol é de desempenho, performance e resultado. E, infelizmente, nós não conseguimos na Portuguesa, por mais que nós fizéssemos uma primeira fase muito boa, nós não conseguimos dar o acesso para a torcida, que era uma coisa tão esperada. Mas eu acredito que aqui vai ser diferente — confirmou o defensor.
Natural de Catanduva, no interior paulista, Gustavo Henrique não chegou a passar por categorias de base. Ele gostava de jogar futebol com os amigos, se dedicava aos estudos, apesar de levar bronca dos pais por tirar nota 7. Como castigo, ficava sem celular por alguns dias.
— Comecei a jogar aos seis anos. Em Catanduva tinha projeto social em um quadra da cidade, com várias atividades, música, pintura, computação, e o futebol era uma delas. Um dia fui almoçar na casa da minha avó, acabei passando em frente a este projeto e fui lá ver como é que funcionava. E a partir daí fui crescendo, disputei campeonatos municipais — revelou Gustavo, que completou:
— Era meia nesse projeto social, quando a gente migrou pro campo porque eu tinha uma certa qualidade técnica, mas não tinha altura. Depois dos 15, 16 anos, eu fui crescendo. "Ah, vou ser volante?". Gostava de marcar e jogar de frente. E aí, com 17 anos, mais ou menos, estava disputando um municipal e o nosso zagueiro foi expulso. E aí, o treinador falou: "Gustavo, você não faz lá, não?". Falei, eu faço, aí virei zagueiro.
A gente sabe a importância do jogo de domingo
GUSTAVO HENRIQUE
Ao ser fixado como zagueiro, já com seus 1m90cm de altura, Gustavo passou a ser um atleta federado em 2018 pelo São Carlense-SP. Até que no ano seguinte ganhou uma oportunidade na equipe sub-20 do Atlético-MG e, na pré-temporada de 2020, foi chamado pelo então técnico do Galo, Jorge Sampaoli, para compor o elenco principal.
— O Júnior Chávare (diretor-executivo), falou pra mim passar a pré-temporada no time profissional do Atlético. E aí, foi quando chegou o Sampaoli e me chamou pra integrar o elenco. Fiquei lá como quinto zagueiro — recordou Gustavo Henrique.
E depois de cinco temporadas e novas experiências em equipes como Bahia e Portuguesa, Gustavo Henrique tem a grande chance de fazer parte de uma nova história, a de conduzir o Caxias à Segunda Divisão Nacional.
— A gente sabe a importância do jogo de domingo. Estamos com foco total. Eu acho que agora, ao mesmo tempo que é um período bem delicado, mas é um período que nós atletas temos que estar habituados. O Caxias fez uma primeira fase sensacional, estava assistindo e vendo o quanto estava encaixado e não que deixou de ter esse encaixe, mas a partir do momento que tem essa classificação, ela te prova mais também. Então é um outro campeonato e a confiança se mantém a mesma — finalizou o zagueiro.




