
A liderança do Caxias na Série C também é fruto do trabalho de profissionais que não aparecem nos holofotes. Tiago Cetolin, preparador físico do clube, está em sua quarta passagem pelo clube. Com 43 anos, o pelotense que mora na Serra, retornou ao grená no final de 2023. Um ano antes, estava no vice-campeonato gaúcho. Com sua experiência acumulada no futebol, quer ajudar o Caxias em busca do acesso.
Em meio à rotina intensa de jogos e viagens, o preparador físico destaca a importância de equilibrar descanso e carga de trabalho.
— Eu acredito que, com uma semana cheia, a gente pode fazer o trabalho em dois períodos. Até porque, como eu falo para os atletas, tem um dia da manhã que é só meu, só trabalho físico. Então, aí fica comigo lá — afirmou Cetolin, em entrevista ao Show dos Esportes, na Rádio Gaúcha Serra.
À medida que o campeonato avança e se aproxima dos quadrangulares, o foco do trabalho muda: a força dá lugar à velocidade, com o objetivo de manter os atletas mais leves e prontos para os momentos decisivos da Série C.
A individualização também é parte fundamental do planejamento. Embora o trabalho físico comece de forma homogênea, as características de cada jogador — velocistas, híbridos ou resistentes — são consideradas para ajustar os treinos.
— A tendência, quando nós chegarmos próximos dos quadrangulares, é reduzir, pelo menos, algumas questões de força e colocar trabalhos mais de velocidade, onde eles fiquem um pouco mais leves, entre aspas, ou tendo uma sobrecarga menor durante a semana, para que eles estejam mais aptos — contou o preparador.
Desgaste físico

O monitoramento do desgaste é feito com tecnologia e observação. Além do GPS, Cetolin utiliza testes de salto para avaliar o estado neuromuscular dos atletas. A análise ajuda a decidir se o jogador deve ser poupado ou apenas redirecionado para atividades menos intensas, mantendo o desenvolvimento físico.
Com 20 anos no futebol, passagens por Figueirense, Paraná, Guarani e América-RN, o profissional mostra que experiência e sensibilidade são essenciais para manter o elenco competitivo e saudável ao longo da temporada. Para Cetolin, a preparação física é uma combinação de ciência e arte.
— Dentro de uma cultura de trabalho. Está cansado, mas vai treinar igual. Porque se você começa também a tirar os atletas, você deixa de desenvolver ele. Muitas vezes, o poupar de uma atividade só se realmente é uma dor que impossibilita o atleta — comentou.
Destaque
Thomas Bastos é o jogador do Caxias que mais se destaca na preparação física. Aos 33 anos, o meio-campista impressiona pela entrega e pelos números gerais, mesmo competindo com atletas bem mais jovens.
Segundo o preparador físico Tiago Cetolin, Bastos mantém o ritmo de treinos igual ao dos demais, sem pedir redução de carga.
— Até brinco com ele: "não começa a falar que tem 33, porque tu está na flor da idade". Não começa com essas coisas. O Tomas Bastos chama atenção pelos números. Claro que em alguns quesitos, de velocidade, tem outros, mas no pacote geral, o Tomas Bastos chama atenção pelo empenho dele — destacou.



