
Há 50 anos, no dia 1º de março, um clube, de uma cidade com 30 mil habitantes na Serra Gaúcha, nasceu para ultrapassar as barreiras estaduais, nacionais e internacionais. A ACBF, fundada em 1976, virou muito mais do que um escudo. Tornou-se memória viva, presença constante nas quadras e que reverbera pelo mundo. Em Carlos Barbosa, o futsal pulsa e ecoa como um time que aprendeu a transformar dedicação em paixão e identidade.
A tradição da equipe laranja não surgiu apenas dos títulos conquistados, mas da força humana que a sustentou. Assim, a ACBF não apenas vence. O clube cria talentos, espalha histórias e consolida uma essência que atravessa fronteiras e permanece eterna.
— Eu nunca imaginava que a gente iria disputar uma Libertadores, um Mundial. O nosso negócio era campeonato regional — lembra Clovis Tramontina, um dos fundadores do clube e Presidente de Honra Vitalício.
E aqui está um personagem fundamental dessa história. A ACBF sempre contou com um torcedor apaixonado, alguém que acompanhou o clube desde os primeiros passos e teve papel decisivo na sua transformação: Clovis Tramontina.

O engajamento do empresário, aliado ao trabalho estruturado desenvolvido no município, ajudou a impulsionar a equipe rumo a uma nova era, marcando o início de um ciclo que redefiniu o cenário da modalidade no país.
— No ano 2000, o seu Ruy Scomazzon, o sócio do meu pai, dizia que nós tínhamos que tirar a ACBF aqui do ginásio, que estava dentro da fábrica. Vamos incentivar a prefeitura para fazer um ginásio municipal. E ele, conversando com o prefeito na época, incentivou e nós fizemos uma parceria, a Tramontina com a prefeitura. A Tramontina construiu em troca de impostos. Então, custou muito mais barato para a prefeitura, ficou pronto em um ano e pouco — recordou Tramontina.
As origens da ACBF
A história da ACBF tem início muito antes de o clube nascer. Clovis Tramontina, ainda criança, criou seu primeiro time, o Real, que mais tarde passou a disputar o campeonato citadino. Ali surgiu a rivalidade com o River, equipe do primo Sérgio Luiz Guerra, o Shéi, marcada por confrontos e derrotas frequentes.
Em 1976, após perder mais uma final, a confraternização na tradicional Lancheria Original, em Carlos Barbosa, transformou frustração em ideia. Entre conversas descontraídas, Tramontina e o primo decidiram unir Real e River para montar uma equipe capaz de competir no estadual, gesto que marcaria o início de um novo projeto vitorioso para a cidade.

O plano ganhou forma com a sugestão do proprietário da lancheria, Aldo Pontin, de batizar o time com o nome do município. As cores foram definidas por Agostinho Fachini (falecido em 2013), combinando referências à Holanda, ao Real e ao River.
Enquanto ele e Victor Luiz Cousseau criaram o escudo com cinco bolas, simbolizando os times de origem. Para financiar o início, o grupo percorreu casas da comunidade arrecadando doações por meio do Livro Ouro.
— Nós criamos, na época, o tal do Livro Ouro, que surgiu com o Sócio Ouro. Nós passávamos de casa em casa para pegar um dinheirinho. Era doação e fazia isso para montar a equipe. O nosso primeiro jogo foi feito contra o Torino, de Caxias Do Sul, no dia 1º de Março de 1976 — relembra Tramontina.
Assim nasceu a ACBF: fruto da amizade, rivalidade esportiva e da vontade coletiva de impulsionar o futsal de Carlos Barbosa. Anos depois, a cidade viria a ser reconhecida como a Capital Nacional do Futsal.



