
De uma caneta personalizada a um kit pensado com exclusividade. Os brindes, ou presentes personalizados, são uma boa opção para estreitar as relações entre parceiros comerciais, valorizar os colaboradores, e até mesmo para presentear parentes e amigos. Em Caxias do Sul, empresas que trabalham neste segmento percebem que a demanda por orçamentos e pedidos sempre aumenta no final do ano.
Para Marcos Rossi Victorazzi, vice-presidente de Comércio da CIC, os brindes estão muito ligados ao setor da indústria, principalmente pelos processos que envolvem a personalização, mas também há conexões com o próprio comércio. Na cidade, máquinas modernas têm ampliado as possibilidades e auxiliado na consolidação desse setor da economia.
— O mercado vem ampliando uma série de possibilidades. Entendemos também nessa questão de máquinas laser, hoje a gente tem a questão de impressora 3D, que dá a possibilidade de criar o produto — avalia Victorazzi.
Atualmente são inúmeras as opções disponíveis no mercado, principalmente com grandes plataformas de e-commerce anunciando produtos. Até por isso, o vice-presidente da CIC argumenta que a possibilidade de as pessoas analisarem o produto presencialmente é um diferencial para aumentar as vendas em Caxias do Sul.
— Como entidade, defendemos que o cliente não busque apenas preço. A referência da empresa que está produzindo e a qualidade do produto que está sendo entregue é muito importante. E faço um gancho com isso, porque falamos de alguns brindes, como uma caneta, como um copo, que talvez não tenham nenhum tipo de problema. Mas podemos entrar em brindes como material escolar, como brinquedos para as crianças, e aí tu tens um fornecedor que tem a qualidade, uma certa segurança, tem a avaliação do Inmetro naquele produto que está sendo entregue para o cliente final.

Como empresário, Victorazzi avalia que os brindes ainda seguem relevantes, principalmente como uma ferramenta de aproximação entre parceiros comerciais, e até mesmo entre empresa e funcionários em datas comemorativas.
— Vejo esse carinho que a empresa faz com o seu cliente, uma forma de relacionamento bem importante. Talvez eu não consiga dar brinde para todos os meus clientes, mas em alguns momentos eu acho que o brinde funciona muito bem, e buscamos na medida do tempo ter alguma coisa que a gente possa utilizar em momentos como referência para a marca ficar gravada com aquele cliente eventualmente.
Há mais de 20 anos personalizando
A Copihel está no mercado há 57 anos e há mais de duas décadas tem como uma das três frentes de trabalho os brindes — somam-se a impressão digital de pequenos formatos e comunicação visual em grandes formatos. Inclusive, os brindes personalizados representam aproximadamente 30% do faturamento da empresa, que teve um crescimento de 35% de 2025 para 2026 nesse segmento, conforme Cristiane Zamboni, uma das sócias da empresa.
— É (fruto de) um investimento forte focado nesse segmento em marketing digital, presença em eventos e a venda ativa com o cliente oferecendo esse produto em específico, porque começamos a fortalecer a rede de fornecedores de brindes, e trabalhamos com importação própria — avalia Cristiane sobre o crescimento recente.
A oportunidade de importações própria tem sido vista como um diferencial por Cristiane. Além disso, a sócia da empresa acredita que atualização do maquinário é um ponto que tem auxiliado no crescimento, inclusive, conta com uma de corte e vinco digital para pequenas embalagens, que dá a possibilidade de entregar o produto 100% pronto e embalado.
Para a sócia da Copihel, os brindes estão muito relacionados às datas comemorativas, como Dia das Mães, dos Pais, Outubro Rosa e Novembro Azul. E os últimos meses do ano acabam tendo um maior movimento.
Hoje são 32 colaboradores atuando, e milhares de produtos em linha e com possibilidade de personalização. Entre os mais procurados estão as garrafas e os copos térmicos, pequenos cadernos de anotações e canetas. Além da venda física, a Copihel tem um e-commerce forte, com clientes em outros Estados do Brasil.
— (A procura por brindes) está em um crescimento intenso, eu não sei até onde isso vai, mas acredito que a questão da importação, como ela está muito pulverizada, tem muitas importadoras trazendo produtos mais acessíveis para as empresas menores, pequenas ou grandes também fazerem os brindes.
Dos eventos à personalização
Foi durante a pandemia da covid-19 que o casal Jualiana e Luis Ferrigo precisou fazer uma mudança na vida. Trabalhando com a organização de eventos, viram a demanda zerar e, como já possuíam uma máquina a laser para suprir demandas das festas, resolveram começar a fazer produtos para o Dia dos Namorados e tábuas para o Dia dos Pais. Assim, em 2020, formalizaram a Encanto Laser.
Com a ideia sendo bem aceita, passaram a expandir o negócio. Atualmente eles têm máquinas de gravação a laser, tanto para metálicos como não metálicos, impressão UV (que usa luz ultravioleta) direto no produto sem limite de cores, sublimação e outros processos.
— Nós começamos atendendo somente pessoa física e acabamos entrando no corporativo justamente porque os clientes compravam presentes para um familiar ou amigo, e gostaram da nossa qualidade de entrega, da nossa qualidade do produto e indicaram para a empresa — relata Luís.
Além de Caxias do Sul, a Encanto tem clientes em outras cidades do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro. Atualmente são cinco colaboradores, e em períodos como o final de ano, que traz mais movimento, acabam contratando freelancers. Datas como Dia dos Pais Dia das Mães e Dia do Trabalhador também fazem aumentar a procura por produtos.
— Se comparado Dia das Mães, Dia do Trabalhador e o Dia dos Pais, fica bem parelho as três datas. E o final do ano comparado essas datas aumenta de 50% a 70% — avalia Luis.
Hoje são milhares os produtos oferecidos, indo de copos e garrafas térmicas, cuias, mesas de café da manhã, entre outros. As ferramentas digitais são vistas por Juliana como uma possibilidade de reforço e presença da marca, inclusive, a Encanto vende os produtos em plataformas como o Mercado Livre e Shopee. Mesmo assim, a loja física acaba sendo muito procurada por aqueles que desejam ver o produto antes de fazer a compra.
— No e-commerce a gente possibilita a venda para muitas pessoas, mas achamos necessário (ter o espaço físico), porque as pessoas querem ver o produto pessoalmente — diz Juliana.
"A caneta não saiu de moda"
Quem também mudou de área ao lado da esposa foi Jair Gazziero, proprietário da Brindes Caxias. Em 2012, ele e Adriana montaram a Brindes Caxias. Antes, tinham uma metalúrgica, que trabalhava usinagem de peças e matrizaria.
— Eu fazia a parte comercial e financeira. Quando tinha que fazer visita, sentia a necessidade de chegar na empresa e ter alguma coisa para entregar, deixar a lembrança da minha marca lá. Então, trouxe a ideia para a Adriana, e resolvemos colocar uma empresa de brindes personalizados para que as outras marcas também sejam lembradas.
A Brindes Caxias abriu as portas com um único modelo de caneta e hoje conta com aproximadamente 4 mil produtos em linha, tanto nacionais como importados. Por lá fazem gravação a laser, além de possuírem outras máquinas, como de impressão digital e sublimação. Nesses 14 anos no mercado, Gazziero afirma que as máquinas são um dos fatores que contribuíram para a melhoria do setor.
— O que melhorou foi na personalização, que quando começamos existia praticamente só a serigrafia lidava com tinta direta, aí teve a evolução do laser, a digital UV também veio para revolucionar, ela faz a gravação direto. Agora tem o DTF UV, que é tipo um adesivo, mas é cinco vezes mais resistente.
Os copos térmicos, as cuias e bombas de chimarrão e as squeezes (garrafas reutilizáveis e portáteis) são alguns dos produtos mais procurados pelos clientes, que na grande maioria são corporativos. Mas, para o empresário, tem um que não sai de linha:
— Eu digo que a caneta não saiu de moda. A caneta é o que mais a gente vende ainda, porque a caneta, se tu digitares no computador ou digitar no celular, tu não vais ter o mesmo aprendizado que escreveres na caneta ali. Então a caneta ainda é o carro-chefe.




