
Geada, frio intenso e termômetros perto de 0°C. Poucos dias depois, sol forte e temperaturas próximas dos 30°C. As mudanças bruscas no clima durante o inverno têm influenciado diretamente a produção e as vendas no setor de vestuário na Serra.
Na Gida Malhas, que vende por atacado em Caxias do Sul, os tons claros e os fios mais leves já anunciam a chegada da nova coleção. Esse é o foco da produção destinada a clientes de todo o Sul do Brasil.
Segundo o sócio-diretor Nelso Giacomin, a procura por roupas de inverno diminui nesta época do ano:
— Quem comprou inverno praticamente não compra mais, a menos que tenha algo muito pontual. É evidente que o verão não representa tanto que nem o inverno, é uma coleção mais 'enxutinha', que talvez tenha um percentual bem menor, obviamente, mas que a gente também precisa movimentar.
As ondas de calor registradas durante o inverno fizeram algumas indústrias anteciparem as coleções da chamada meia-estação. É o que acontece na Malharia Paniz de Farroupilha.
— Chegou metade de julho, deu calor e atrapalhou muito. Então, nós tivemos que antecipar coleções que nós já tínhamos semi-prontas para largar. Nem pulou da meia-estação já para verão, e agora inverteu tudo de novo — afirma a proprietária da fábrica, Adelaide Paniz.
Do outro lado da cadeia, os lojistas também adotam uma postura mais cautelosa. Rejane Moraes, que tem uma loja em Campo Bom, diz que as compras são feitas conforme as vendas avançam.
— É meio complicado nessa época, né? Porque é uma transição, é uma mudança de estação. Então, para o lojista, ele tem que estar dando uma segurada. Conforme vão rodando as peças, a gente vai comprando — diz.
Período de transição
Enquanto roupas mais leves e peças de meia-estação já ocupam espaço nas vitrines, os produtos de inverno seguem disponíveis, muitas vezes com descontos. A gerente da Julia's Closet, Fernanda Massignani, afirma que a redução nos preços é uma oportunidade para os consumidores:
— A gente tem de 30% até 60% de desconto na nossa coleção de inverno. Então, muita oportunidade para o cliente aproveitar nossos casacos, por exemplo. Como está esse tempo, um dia está calor e outro dia está frio, dá pra aproveitar.
A professora Maru Gomes aproveitou a promoção. Para ela, as mudanças no tempo exigem versatilidade também na hora de se vestir.
— Ainda mais que a gente acorda de manhã e não sabe o que vestir. É efeito cebola, mas, enfim, dá para aproveitar as promoções — diz.
Para os fabricantes, o desafio vai além de vender o estoque disponível. A necessidade é desenvolver produtos que atendam a diferentes temperaturas e possam ser usados por mais tempo. Segundo a diretora criativa da Julia's Closet, Léia Dias, a oscilação do clima tem provocado mudanças até mesmo no perfil das coleções.
— Essa oscilação impacta muito a gente porque não adianta ter um produto só bonito, tem que ter um que se ajuste ao momento, né? O nosso carro-chefe, há anos atrás, era somente casacos pesados de lã natural e hoje, cada vez mais, a gente está indo para o produto meia-estação — explica.
De olho nas tendências
Com a chegada das novas coleções, as fábricas também apostam em diferentes materiais, texturas e cartelas de cores. Segundo a gerente da Gida Malhas, Patrícia Schrober, tons como rosa, azul e amarelo devem marcar as próximas peças.
— O algodão, por exemplo, a gente traz muito o rosa, o azulzinho, o amarelinho, que têm tudo a ver agora com essa coleção. Ela tem diferentes texturas, ela tem fios que trazem essa releitura das folhas, das flores, assim como ela tem diferentes fios também que trazem toda essa proposta da renda, que parece uma renda, mas tudo é tricô — explica Patrícia.
Entre promoções das peças de inverno e o lançamento das novidades para os próximos meses, o setor busca manter as vendas independentemente da previsão do tempo. A expectativa, segundo Patrícia, é positiva:
— Ansiosíssimos para vender bastante.


