
A um ano de completar duas décadas da lei que autorizou o parcelamento de solos e a criação de condomínios fechados, 20 empreendimentos instalados em Caxias do Sul já correspondem a 2,6% do IPTU arrecadado em todo o município.
Depois de dezembro de 2007, quando a lei foi criada, em conjunto com o Plano Diretor que definiu novas zonas urbanas, a paisagem de localidades como Nossa Senhora da Saúde, Linha 40 e Pedancino mudou.
Ruas e casas tomaram o lugar dos parreirais de famílias que passaram a ser permutantes de construtoras como a Aviva, responsável por entregar o Condomínio Montalcino Riserva, em 2019, que acelerou a busca pelo conceito e valorizou as áreas do entorno.
A renovação no estilo de morar é apontada pelo sócio proprietário da Aviva, Pedro Tolotti, como um dos grandes fatores de sucesso do empreendimento que custou na época R$ 40 milhões.
— Em outros lugares morar em condomínio já era consolidado, mas, em Caxias, por mais que houvesse alguns, a preferência ainda era por morar em lotes de bairros. Quando trouxemos o conceito de infraestrutura, isso mudou o jeito do cliente olhar. Ele passou a dizer que valia a pena. O objetivo do meu pai com esse empreendimento era deixar um legado para a segunda geração da empresa e para Caxias do Sul. Quando você coloca um produto de alto nível, você levanta a régua e o padrão muda — considera Tolotti.

Sete anos depois, o padrão é replicado, quase ao lado, em 151 lotes — todos comercializados — no Condomínio Montieri. Em obras que já concluíram todo o calçamento, a área de cerca de 13 hectares deve começar a receber as primeiras construções das casas no ano que vem, quando a infraestrutura da área comum com piscina térmica, salões de festas, quadras de tênis, beach tênis e futebol será entregue.
— Tudo começa com a moradia, as lembranças, o estilo de vida, tudo é impactado pelo ambiente em que você cresce. Segurança é obrigatória, mas as pessoas levam em consideração o fato de morar onde os filhos possam ter uma infância feliz — destaca Tolotti.
Responsável pelos empreendimentos, a Aviva segue investindo em Caxias do Sul. Sem revelar detalhes, a construtora vai desembolsar R$ 120 milhões na construção de outros dois condomínios, um deles também no bairro Nossa Senhora da Saúde e outro próximo do Recreio da Juventude.

Valorização
É quando leva os clientes para conhecer as áreas que o corretor de imóveis Maurício D'Agostini percebe os interesses do futuro morador. Em geral, são pessoas de 35 a 50 anos que já moraram em casas na infância, passaram a morar em apartamento e agora desejam retornar.
— O conceito de viver em condomínio em Caxias é muito novo, essa experiência era vivenciada antes no Litoral ou na Região das Hortênsias. Os primeiros moradores de condomínio de Caxias vivenciaram isso só nas praias. Sempre vai ter o cliente do prédio, mas as construtoras agora têm a concorrência também do mercado de casas — diz.
Outro aspecto é a compra das famílias para efetivamente construir ao invés de investir em uma valorização que pode ser atraente. No início das vendas, lotes com valores que partem de R$ 800 o metro quadrado, podem, em cinco anos, ser negociados a até R$ 2,5 mil o metro quadrado.
— O cliente não compra para investir, compra para usar. Quem compra terreno para investir então constrói a casa e vende tudo junto. E tenho a percepção que a geração que compra é aquela que foi para o prédio porque Caxias se verticalizou, mas agora tem novas opções para morar, com segurança, em casas.
Novos comportamentos
Consolidados no mercado imobiliário de Caxias, os residenciais contribuem para a expansão urbana da cidade e motivam uma série de novos comportamentos e necessidades. De mercados autônomos a feirantes que levam os produtos até a porta das casas, morar em um condomínio é ter à disposição a estrutura capaz de receber serviços na vizinhança.
Instaladas em cada um deles, quadras de tênis têm horários disputados por moradores e são um dos ativos das construtoras para atrair clientes. Antes praticado basicamente em clubes, o tênis passou a ser mais cômodo para quem mora nos condomínios. O comportamento lotou a agenda do professor Augusto Pirovano, que atualmente só dá aulas nos residenciais.
— A comodidade de poder fazer o esporte “em casa” e o incentivo dos vizinhos para jogar juntos sem dúvida fomentou o esporte. Toda minha clientela hoje mora em condomínio e veio de indicações dos vizinhos — conta.
De Portão, Gilberto Strapazzon conquistou a clientela dos condomínios no boca a boca. A Frutas do Giba tem o dia certo para passar em cada um deles entregando as encomendas.
– Um dia estava perto de um, vendendo na rua e uma mulher pediu se não levaria para dentro do condomínio. Depois disso, nunca mais saí e passei a atender só esse tipo de clientela.


