
Uma pesquisa realizada pela Serasa revelou que 57% da população do Brasil utiliza o crédito com frequência, e 48% veem a modalidade como indispensável para seguir com o padrão de vida. Esses dados foram revelados pelo Mapa do Crédito, divulgado pela entidade financeira no final do mês de julho. O levantamento foi feito em nível nacional e regional, não tendo dados específicos por cidades.
Segundo o Mapa do Crédito, 18,4 milhões de moradores da Região Sul do Brasil afirmam que possuem cartão de crédito, sendo a modalidade mais utilizada. O empréstimo pessoal já foi aderido por 9,4 milhões, figurando na segunda posição, seguido do crédito consignado, financiamento de veículos e financiamento imobiliário.
Ao mesmo tempo, Lais Kiyusato, especialista em educação financeira da Serasa, destaca que 55% dos brasileiros entrevistados disseram já ter se arrependido de ter utilizado o crédito em algum momento.
— O próprio cartão de crédito é utilizado dentro do dia a dia, cerca de 30% do uso dele é focado em despesas do dia a dia, e 17% mais ou menos em emergências de saúde, algum caso realmente mais corriqueiro. Mas a gente já vê que uma boa parte dela é voltada para o uso do dia a dia — detalha a especialista.
Jacqueline Corá, professora e coordenadora do curso de Ciência Econômicas da Universidade de Caxias do Sul (UCS), analisa a situação de forma similar. Segundo ela, nos últimos tempos tem se percebido um crescimento do comprometimento na renda das famílias com dívidas, o que consequentemente faz sobrar menos para as despesas recorrentes e essenciais, como alimentação, saúde, educação e transporte, por exemplo. Esse fato faz com que as pessoas acabem recorrendo ao cartão de crédito como uma solução.
Uma outra análise feita pela professora diz respeito a relação renda x inflação. Conforme ela, para alguns grupos familiares a renda acaba crescendo em níveis similares ou até superiores aos da inflação, enquanto em outros casos a situação é mais lenta.
— Quando estou com a renda já comprometida com gastos anteriores, eu vou precisar do crédito para complementar, vira uma extensão. E é uma análise errada que é feita. Muitos até têm consciência disso, mas não têm alternativas para quebrar esse ciclo de endividamento e usam o cartão de crédito como uma renda artificial — contextualiza Jacqueline.
Ao utilizar o cartão de crédito, a professora diz que é preciso ter consciência de que se uma compra for feita em um determinado número de parcelas, será necessário se programar para o pagamento naquele período, e de que a fatura não iniciará o mês zerada. O controle de gastos e o registro das compras também são fundamentais.
— E considerar que nunca se atrasa a fatura do cartão de crédito, ela precisa ser honrada no vencimento porque o custo do atraso é absurdo, e financiar ou pagar o mínimo também geram despesas em termos de juros que é difícil depois de conseguir colocar a casa em dia. Comprar no cartão de crédito somente o que você consegue honrar no mês seguinte na hora que venceu o cartão de crédito.
Cresce a inadimplência, mais uma vez
Em Caxias do Sul, o alerta está aceso mais uma vez para a inadimplência. Em janeiro de 2026, 165.577 pessoas estavam nesta condição no município. Em junho, o número fechou em 168.525. Ao comparar junho deste ano com o mesmo período do ano passado, o crescimento foi de 7,11% — no sexto mês de 2025, eram 157.327. Os dados foram levantados pela Serasa.
Ao mesmo tempo, o valor devido por todos que estão inadimplentes soma R$ 1,5 bilhão. São 926.564 unidades de dívidas, com tíquete médio de R$ 9.209,03 por inadimplente e de R$ 1.674,95 por dívida.
Para a professora Jacqueline Corá, esses índices também podem estar relacionados com o crescimento lento da renda familiar, e que a resolução não será a curto prazo. As famosas planilhas financeiras são fundamentais nesses momentos.
— Vai passar por um processo de médio e longo prazo de mudança também de uma realidade familiar que envolve não só as questões de renda, que as pessoas precisam encontrar meios de melhorar a sua receita, mas também entender melhor como gastam o seu dinheiro e evitar os desperdícios, evitar gastar por impulso.




