
O tablet ou o QR Code utilizado para atendimentos em restaurantes, bares ou cafés é apenas a ponta de um sistema que está ligado à própria gestão dos negócios. Em Caxias do Sul, essa mudança na hora de fazer o pedido está cada vez mais presente nos estabelecimentos, o que pode gerar curiosidade de início, mas são fáceis de se adaptar.
É o que notou, por exemplo, a proprietária do Café Galópolis, Greta Bachi, 44 anos. Há cerca de dois anos, em busca de uma nova tecnologia para melhorar processos do dia a dia, os tablets com um sistema de atendimento digital foram alugados para um período de três meses.
No início, a proprietária era até contra a ideia. Mas logo o sistema deu resultados e a aquisição foi feita em definitivo.
— Para ter uma noção, neste tablet aqui, todas as funções dele estão dentro da empresa. Não é só pra fazer o pedido — destacou a proprietária do café.
Mesmo que o cardápio em tablet proporcione o autoatendimento, Greta conta que todos os funcionários do café estão orientados a ajudar ou até fazer o pedido caso o cliente prefira. Segundo a dona do café, a equipe não foi reduzida a partir da implantação da tecnologia.

O sistema ajudou a proporcionar um atendimento diferente e até com mais atenção ao visitante:
— Quem atende e serve, pode ficar focado no cliente. Atendemos muitos turistas, então podemos tirar fotos, por exemplo. Tenho essa percepção. Porque se for pegar e anotar um pedido, quanto tempo vai demorar?
A agilidade no atendimento é vista, especialmente, nos finais de semana. De acordo com a proprietária, cerca de 7 mil pessoas passam pelo café. Com os tablets, a equipe consegue fazer o salão "girar" em cerca de 20 minutos.

Sistema ligado com todo o negócio
Por trás do cardápio digital está toda uma engrenagem que otimiza serviços do dia a dia. Como demonstra Greta, o cardápio digital gera o pedido direto para cozinha e a demanda direto para o caixa.
Do outro lado, o cardápio digital é editável e está ligado ao estoque do estabelecimento. Ou seja, o café tem um controle mais rápido do que precisa comprar ou até mesmo do que quer oferecer, proporcionando flexibilidade às opções em relação a um cardápio físico, como opina a proprietária.
— Eu consigo vender o que eu quero aqui. Eu escolho o que eu quero vender. Por exemplo, eu posso fazer promoção, fica interligado ao marketing também — descreveu.
Outra conclusão sentida por Greta no café é que o "tablet vende mais que nós".

"Diminuir fila e automatizar o processo"
Na Vanzetto Informático, a venda de sistemas para automatizar processos em bares e restaurantes condiz a 20% dos negócios. Representante em Caxias da solução da catarinense DigiSat, o proprietário Carlos Vanzetto, 52, explica que o programa tem uma mesma base que pode ser utilizada para diferentes segmentos da indústria, do comércio e serviços. Ao todo, são 37 tipos de negócios, como farmácias, pet shops, postos gasolina, entre outros.
O software traz funções que facilitam, por exemplo, cadastro de clientes, de produtos, controle de mesas e reservas, e a própria gestão financeira. Como observa Vanzetto, o programa também leva em conta a legislação tributária, como o decreto estadual 56.670, que pede que a Nota Fiscal do Consumidor Eletrônica (NFC-e) seja emitida e integrada de forma automática aos meios de pagamento eletrônicos, como cartões e Pix.
— Hoje o restaurante precisa diminuir fila e precisa automatizar o processo — destacou Vanzetto.
Os sistemas oferecidos podem contar com soluções como catracas ou simplesmente as comandas digitais. No caso da catraca, é aquele formato em que para entrar num estabelecimento, uma comanda é gerada e para sair, precisa ser devolvida.

As comandas digitais são geralmente os cartões com código de barras, em que o pedido é feito pelos garçons por meio de um aplicativo no celular. Junto a esse dispositivo, há restaurantes, como exemplifica Vanzetto, que também instalam balanças automatizadas. Nesse caso, o próprio consumidor pesa e o valor é registrado na comanda.
— Consigo também criar cardápios. Por exemplo, aquele cardápio colorido com as imagens dos produtos que você tem nos sistemas. Consigo ordenar cardápios, além de imprimir na cozinha o que o garçom lança. O pedido da bebida vai para o bar e o da comida, para cozinha — acrescentou Vanzetto.
O valor para ter o sistema varia conforme a estrutura do negócio. Vanzetto dá o exemplo de um restaurante de menor porte, com dois computadores, em que a mensalidade fica entre R$ 300 e R$ 350 para o suporte e manutenção. Já o sistema fica na faixa de R$ 1,8 mil.

Conforto para o cliente
Na Uff Bier, no bairro Jardelino Ramos, o sistema escolhido é por meio do QR Code. A tecnologia foi adotada em 2021, um ano depois do bar iniciar a ampliação no atendimento, como relembra o sócio-proprietário Marco Brugger, 26.
A decisão foi positiva entre todos os sócios, que são os pais de Brugger, Peter Brugger, 66, e Claudia Mielniczuk, 60, e os irmãos Arthur, 29, e Sofia, 25.
Com um ambiente amplo e contando com espaço aberto, Brugger percebe uma melhora na comodidade do cliente e na organização da demanda para os garçons, especialmente no verão e nos dias mais quentes.

O sistema evita, por exemplo, aquela situação em que o garçom precisa atender uma mesa de cada vez, anotar os pedidos e levar para a cozinha ou bar. Nos dias de maior movimento, a Uff chega a receber entre 300 e 400 pessoas.
— Pensando no cliente conseguir fazer o pedido quando ele quiser, colocamos as plaquinhas de QR Code, que têm o número da mesa. Ele escaneia o QR Code com o celular, já abre o cardápio diretamente no celular, faz o pedido dele, pelo celular mesmo, e entregamos o pedido na mesa. Viemos e entregamos. Seja pizza, seja drinque, vinho, enfim, o que for entregamos — contou Brugger.
O sistema automaticamente divide os pedidos: os pratos vão para cozinha e os drinques para o bar. A solução, inclusive, está interligado com a comanda digital, retirada pelo cliente na entrada do bar.
Qual formato escolher?
Com mais de 20 mil negócios atendidos em todo o país, a empresa Goomer, que foca no setor de alimentação, oferece o sistema também para QR Codes e totens, além dos tablets. O CEO Felipe M. Lo Sardo descreve que a tecnologia "acompanha o cliente em cada etapa dentro do salão, desde o pedido até o pagamento, a pesquisa de satisfação e as ações de fidelização".

Além da redução de processos operacionais repetitivos e de erros de comunicação nos pedidos, o CEO percebe que o sistema pode trazer um aumento de até 40% no tíquete médio nos estabelecimentos. Na prática, como percebe o especialista, a solução elimina lançamentos manuais entre sistemas, reduz erros de pedido e agiliza o atendimento. O cliente é atendido mais rápido, e a equipe ganha tempo no dia a dia.
— Já o aumento do tíquete médio ocorre porque a jornada digital permite apresentar sugestões de complementos, bebidas, sobremesas e combos de forma organizada e personalizada no momento em que o cliente está fazendo o pedido. Como essas sugestões aparecem naturalmente durante a compra, a aceitação costuma ser maior, contribuindo para um crescimento de até 40% no tíquete médio, dependendo do perfil do restaurante — observou.
Para a escolha do melhor formato, o CEO da Goomer aconselha levar em conta fatores como modelo de atendimento, volume de clientes, espaço físico, perfil do público e objetivos estratégicos da operação:
— Restaurantes que trabalham com atendimento à mesa costumam encontrar mais valor em soluções como os tablets, que enriquecem a experiência durante a permanência do cliente. Já operações com grande circulação de pessoas normalmente priorizam totens para aumentar a capacidade de atendimento e reduzir filas. O QR Code, por sua vez, atende bem estabelecimentos que desejam iniciar a digitalização de forma mais simples e flexível.
Lo Sardo também notou uma procura maior pela tecnologia nos últimos anos. Entre as motivações, soluções que auxiliam a "enfrentar desafios como escassez de mão de obra, aumento dos custos operacionais e necessidade de melhorar a experiência do cliente". Do outro lado, o CEO da Goomer percebe que o consumidor também se acostumou a pedir e a pagar de forma autônoma, simples e rápida, passando a esperar o mesmo do restaurante.


