
A indústria moveleira está criando produtos para acompanhar as mudanças na rotina dos consumidores. Na 25ª edição da Movelsul, em Bento Gonçalves, as empresas expositoras apresentam móveis que reúnem mais de uma função, ocupam menos espaço, incorporam tecnologia e utilizam materiais reaproveitados.
Um dos exemplos é uma cadeira de escritório que permite praticar atividade física enquanto trabalha. O produto foi desenvolvido para acompanhar o crescimento do trabalho remoto e do modelo híbrido. Segundo a expositora Bruna Dias, a ideia é combinar atividade física, ergonomia e conforto no mesmo produto.
— As pessoas, desde a pandemia, estão trabalhando muito mais em casa. É justamente para elas, estão em casa o tempo todo trabalhando, possam se exercitar, possam ter mais saúde — diz.
O lojista Jair Martins, que foi à feira em busca de novidades, se interessou pela cadeira. Ele decidiu levar o produto para vender no comércio eletrônico que tem, e também para a própria equipe.
— Quero trazer um pouco mais de conforto para a área de apoio, mas com um olhar muito forte para o e-commerce. O pessoal tem uma tendência natural de buscar novidades e eu acho que essa aqui vem bem de acordo.
Móveis para espaços menores

Outra tendência apresentada na feira é a multifuncionalidade. Em um dos estandes, uma cama também funciona como estação de trabalho. A proposta acompanha a necessidade atual de aproveitar melhor o espaço das moradias, que estão cada vez menores.
— É uma cama estação de trabalho que a gente chama. Ela tem acoplada uma escrivaninha, retrátil, que permite otimizar o ambiente. Na escada ela tem uma gaveta e portinhas para acomodar brinquedos e outros objetos necessários — explica o expositor Alan Basso.
A proposta acompanha a necessidade atual de aproveitar melhor o espaço das moradias, que estão cada vez menores.
Sustentabilidade: restos de borra de café viram tampo de mesa
O reaproveitamento de materiais que terminariam no lixo também está em pauta na Movelsul. Na feira, restos de borra de café são utilizados na composição de um tampo de mesa, tampinhas de garrafa são transformadas em uma cadeira, e chinelos de borracha viram um banco.
Para o designer Dionisio de Bortoli, o impacto ambiental, e a durabilidade dos materiais e dos produtos passou a fazer parte da decisão de compra:
— Os designers estão dedicados a esse tema porque a gente precisa fazer um reciclo, fazer com que os materiais durem mais, que os produtos durem mais. Cada vez mais a gente percebe que o consumidor leva isso em consideração na tomada de decisão de adquirir ou não um produto.
Casas modulares

As oportunidades que surgem no mercado também geram novos negócios para o setor. Uma empresa de São Marcos apresenta na feira casas modulares que podem ser utilizadas como segunda moradia ou para hospedagem de curta temporada.
Segundo a expositora Júlia Daloia, o modelo foi pensado para atender uma demanda percebida de aumento no interesse de um público em investir em casas para hospedagem de curta temporada:
— O mercado de locação por temporada já movimenta bilhões de reais no Brasil. Muitos investidores estão apostando nesse método construtivo porque você não tem as dores de cabeça que uma obra convencional traz.
A mesma empresa também apresenta uma proposta de eletroposto, um ponto para recarga de carros elétricos que pode ser instalado em regiões remotas.
— É uma solução que deve ajudar muito o turismo, porque permite a recarga do veículo em regiões afastadas, onde hoje não se encontra um eletroposto — explica Daloia.
Novos mercados
As mudanças apresentadas na Movelsul também refletem uma adaptação da indústria aos diferentes mercados. Desde o aumento na tarifa de importação pelos Estados Unidos, empresas que vendiam para o país passaram a buscar consumidores em outros lugares, principalmente na América Latina.
Uma das empresas afetadas pela mudança é a de Edwin Lucci. Antes do aumento das tarifas de importação dos Estados Unidos, 20% das exportações da indústria tinham como destino o país. Com a perda de competitividade, a empresa passou a concentrar as vendas no mercado interno, principalmente em São Paulo.
— Com a taxação, a gente perdeu essa competitividade, então o negócio deu uma freada. Voltamos de novo com o mercado interno e fomos buscar mais uma vez novas oportunidades — afirma o empresário Edwin Lucci.
A América Latina passou a receber mais atenção das empresas. Segundo o empresário Cassiano Baccin, os consumidores desses mercados têm buscado móveis menores e multifuncionais:
— O que a gente vê que está crescendo muito, que está se desenvolvendo na América Latina, são esses produtos com conceitos mais modernos, menores e que têm uma multifuncionalidade. Esse é um perfil que está vindo forte em todos os países.
Programe-se
- O quê: Movelsul Brasil
- Quando: até quinta-feira (20).
- Horários: terça e quarta, das 12h às 19h. Na quinta, das 12h às 17h.
- Onde: Parque de Eventos de Bento Gonçalves (Alameda Fenavinho, 481).
- Credenciamento: disponível no acesso ao evento.
