
Usar notas de dinheiro ou até moedas já se tornou algo quase ultrapassado entre os jovens caxienses em 2026. Muitas vezes, essa escolha é acompanhada de uma brincadeira, como: "Vai pagar como os incas, maias e astecas?". O comentário reflete uma mudança de comportamento impulsionada pelo avanço das tecnologias e pela popularização do Pix, que transformaram a forma como as novas gerações lidam com as finanças, principalmente na hora do pagamento.
Situações como esperar o quinto dia útil para ir até uma agência receber o salário ou precisar ir ao banco para fazer uma transferência ficaram no passado. Hoje, praticamente tudo está na palma da mão. A jovem caxiense Fernanda Cavalli, de 20 anos, contou que quase nunca utiliza dinheiro físico e prefere a praticidade da carteira digital no celular. No aplicativo, mantém todos os cartões virtuais, acessíveis com apenas alguns toques.
— Quase nunca uso dinheiro, nem mesmo o Pix para pagar. Acho muito mais prática a carteira digital do celular, tanto que nem ando com os cartões físicos. Quando preciso fazer alguma transferência, uso o aplicativo do banco. Acho que a única vez que fui a uma agência foi para abrir a conta bancária mesmo — comentou.
Porém, depender exclusivamente do celular também traz desafios. A estudante de enfermagem Tatieli Comparin Alves, 21 anos, relatou que não costuma carregar nem R$ 2 na carteira, o que pode causar transtornos quando o telefone fica sem bateria.
— Eu uso muito o Pix e o cartão de débito no celular. Quando a bateria acaba, a gente fica praticamente sem vida financeira, porque está tudo lá.

O depoimento da estudante de Psicologia Marina Boff Cassini, 21, é ainda mais emblemático. Ela contou que há cerca de cinco anos não carrega dinheiro na carteira, exceto quando precisa pagar alguma consulta médica. Fora isso, utiliza o acessório apenas para guardar os cartões físicos em caso de emergência.
— Só saco dinheiro para pagar alguma consulta, quando o médico exige. Caso contrário, uso apenas Pix ou cartões de crédito e débito, quase sempre pelo celular. Já faz uns cinco anos que não levo notas na carteira — destacou.

83% das transações bancárias são feitas pelos canais digitais
De acordo com levantamento da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), por meio da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026 (ano-base 2025), realizada pela Deloitte, 83% das transações bancárias dos brasileiros são feitas por canais digitais, sendo 78% delas pelo celular. Ainda conforme o estudo, somente no mobile banking, o crescimento nos últimos cinco anos foi de 169%, alcançando R$ 187,5 bilhões de transações.
Nesse cenário, o Pix continua ampliando sua participação nas movimentações financeiras, com crescimento de 19% no mobile banking e de 53% no internet banking. A modalidade também lidera o avanço das transações realizadas em máquinas de cartão (POS).
A pesquisa reforça a consolidação dos canais digitais como principal ponto de relacionamento financeiro entre clientes e instituições bancárias. Como consequência, cresce o número de heavy users — clientes que realizam mais de 80% das transações em um único canal —, que já representam 76% da base de usuários digitais.
Ao considerar a média mensal de acessos, o relacionamento bancário desses usuários é diário no caso das pessoas físicas e ocorre, em média, quase duas vezes por dia entre as empresas.
Agências e caixas eletrônicos ainda são relevantes

Apesar dos avanços tecnológicos, muitas pessoas ainda preferem utilizar agências bancárias e caixas eletrônicos. Conforme o superintendente regional do Banrisul na Serra, Rodrigo Gusen, cerca de 65% dos clientes do banco ainda utilizam diariamente os espaços físicos, principalmente os caixas eletrônicos.
— Cerca de 65% do numerário que circula no Banrisul passa pelos caixas eletrônicos. Hoje, eles funcionam como uma espécie de agência bancária, pois permitem realizar praticamente todos os serviços. E algo muito emblemático para mim é que essas soluções não são conflitantes, elas se complementam. O mesmo cliente que utiliza os meios digitais também saca dinheiro. Pix e dinheiro físico não competem entre si — refletiu.
Outro aspecto observado é o perfil de quem utiliza os caixas eletrônicos. Segundo Gusen, há uma parcela significativa de aposentados, além de moradores de localidades mais afastadas dos centros urbanos.
— Percebemos que muitos aposentados ainda preferem sacar o dinheiro. Também há pessoas que utilizam o dinheiro físico para organizar melhor o orçamento familiar. Outro público é formado por clientes de localidades onde a evolução tecnológica ainda não chegou com tanta velocidade ou onde os estabelecimentos não aceitam, ou preferem não utilizar, meios digitais de pagamento, como cartões de crédito e débito — explicou.

O superintendente reforça, no entanto, que o dinheiro físico continua tendo papel importante na economia.
— O Pix mudou significativamente o comportamento das pessoas e se consolidou como uma das principais formas de pagamento. Mas o dinheiro continua sendo importante. É claro que o público jovem utiliza muito mais os canais digitais e o Pix, porém o dinheiro ainda exerce um papel relevante no sistema de pagamentos do país — concluiu.



