
A confirmação da sobretaxa de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros elevou a preocupação da indústria madeireira da Serra gaúcha, que teme perda de competitividade e novos impactos sobre emprego e produção. Enquanto entidades do setor defendem a continuidade das negociações entre os governos brasileiro e norte-americano, empresas já começam a rever planos de expansão.
Os Estados Unidos são o principal destino da madeira exportada pelo Rio Grande do Sul. Neste ano, o Estado embarcou US$ 97,1 milhões em produtos madeireiros para o mercado americano, o equivalente a 36% das exportações do setor. Em 2024, foram US$ 108,2 milhões, correspondentes a 31% do total exportado.
Presidente do Sindicato das Indústrias da Madeira, o Sindimadeira RS, Leonardo De Zorzi afirma que a nova medida gera insegurança justamente quando o segmento começava a se recuperar das restrições impostas no ano passado.
— O setor vinha se recuperando e apresentando melhora nas exportações. Agora fomos penalizados novamente. Os Estados Unidos são o nosso principal mercado, e isso deixa o setor em uma situação bastante fragilizada — afirma.
Segundo ele, a expectativa é que as negociações diplomáticas avancem para reduzir os efeitos da medida.
— Esperamos que o governo brasileiro consiga construir um caminho de negociação que coloque o país em uma posição mais favorável, especialmente em setores com forte vocação exportadora, como o madeireiro.
Enquanto não há definição sobre o alcance das tarifas, a orientação é evitar decisões precipitadas.
— O momento é de apertar os cintos, manter diálogo com os clientes e tentar preservar os postos de trabalho. As próximas semanas serão decisivas para entendermos o tamanho do impacto.
Contratações em espera
A incerteza também chegou às empresas. Proprietário de uma madeireira voltada à produção de pallets para exportação em Farroupilha, Paulo Marques ainda aguarda a divulgação da lista de produtos atingidos para saber se o negócio será afetado. De acordo com o cronograma de transição, a vigência da nova tarifa de 25% ocorre em 22 de julho.
A empresa, que completa 34 anos de atividade, emprega 112 funcionários e destina cerca de 80% da produção ao mercado externo. Antes da confirmação da nova tarifa, a expectativa era contratar mais 20 trabalhadores para ampliar a capacidade de produção. Agora, os planos devem ser adiados.
— Vamos segurar as contratações e esperar para ver como isso vai ficar. Se o nosso produto entrar na lista, vamos precisar buscar alternativas para manter a produção e procurar novos mercados.
Marques lembra que, durante a primeira rodada de tarifas anunciada pelos Estados Unidos, a empresa ficou de fora da lista de produtos atingidos e conseguiu expandir o quadro de funcionários. Caso o cenário seja diferente desta vez, ele teme uma redução no ritmo da atividade.
— Na outra vez em que houve o tarifaço, chegamos a ficar três meses sem produzir. A intenção agora é tentar encontrar alguma alternativa para continuar operando enquanto aguardamos uma definição.



