
A economia de Caxias do Sul retraiu 0,4% em maio de 2026 em comparação com o mesmo período do ano passado. No quinto mês do ano, o desempenho foi positivo nos serviços, com avanço de 8,1%, e, no comércio, com 4,6%. Porém, a indústria teve queda de 6,7%. Os dados foram divulgados na manhã desta quinta-feira (9) pela CIC e CDL.
Além disso, ao comparar maio com abril de 2026, houve uma desaceleração da economia de -3,3%. O resultado foi influenciado pelo desempenho da indústria, que registrou queda de 4,7%, seguida pelo setor de serviços, com retração de -4,3%. Nessa análise, o comércio foi o único setor a apresentar expansão no período, com crescimento de 3,2%.
Por outro lado, ao comparar os cinco primeiros meses de 2026 com o mesmo período do ano passado, a economia caxiense cresceu 0,4%. Dos três principais setores, apenas a indústria, com -6,2%, teve queda na relação. Comércio (com 5%) e serviços (com 9,8%) subiram no período.
— A indústria é o único setor que performa negativo. Mas entendemos que é interessante. O risco a gente olha para frente. Vemos uma geração de empregos muito pequena também no mês a mês. Com uma renda menor, um consumo menor, o comércio pode ter um risco de recaída, mas os serviços ainda se mantêm resilientes — explica Tarciano Cardoso, diretor de economia da CIC, sobre o acumulado do ano.
No acumulado dos últimos 12 meses, a economia de Caxias do Sul apresentou queda de 0,6%. Apesar do desempenho positivo do setor de serviços (9,6%) e do comércio (5,5%), a queda da indústria (-8,2%) impediu um resultado agregado mais favorável. Esse comportamento evidencia os efeitos de um contexto macroeconômico ainda desafiador, caracterizado por juros elevados, incertezas quanto ao cenário econômico e instabilidade geopolítica, que afetam as decisões de investimento, a produção e a dinâmica da atividade econômica.
Números

O alerta dos especialistas é com o setor industrial. Conforme Cardoso, ela é voltada aos bens de capital, e necessita de financiamentos para manutenção:
— A indústria de Caxias é uma indústria de bens de capital e ela precisa de financiamentos para que isso ocorra. O crédito existe, mas é um crédito caro. Então, isso vem travando a economia, vieram alguns subsídios do governo, mas são muito singelos. Então, hoje a gente tem esse entrave, o juro em tese é um remédio amargo. Por outro lado, o nosso PIB vem, de certa forma, se mantendo estável, até com expectativa de crescimento. Então, aquela questão estruturante que a gente tem na indústria, que vai gerar uma renda maior, que depois vai reverberar no consumo, no comércio, nos serviços, ela está aquém em função desse risco de juros.
Ramo duro e Dia das Mães
O comércio de Caxias do Sul registrou crescimento de 2% nas vendas do Dia das Mães de 2026 em comparação ao ano passado, segundo amostragem realizada pela CDL Caxias, de 12 a 15 de maio, com lojistas de diferentes segmentos da cidade. Esses números auxiliaram no mês positivo do setor, uma vez que é a segunda principal data do ano, atrás apenas do Natal.
Além disso, conforme análise CDL, o chamado ramo duro do comércio, com automóveis, caminhões, autopeças e eletrodomésticos se recuperou em maio ao comparar com abril. A alta foi de 3,21% no período. O ramo mole, com vestuário e calçados, por exemplo, subiu 3,04% na comparação.
— Outra situação que teve para nos auxiliar é que a partir de maio já começamos a observar uma entrada de massas frias e esse frio é o principal vendedor do comércio caxiense — aponta Mosár Ness, assessor de economia e estatística da CDL.
Para o segundo semestre, existe expectativa com o Dia dos Pais, Black Friday e o Natal.

