
Se antes uma viagem para a Serra Gaúcha era planejada com até 90 dias de antecedência, agora a decisão costuma ser tomada poucos dias antes da partida. O Sindicato da Hotelaria, Restaurantes, Bares, Parques, Museus e similares da Região das Hortênsias (SindTur) observa que os turistas estão planejando menos e decidindo a viagem próximo à data.
Com quase 70 anos, o Hotel Ritta Höppner, de Gramado, identifica essa mudança no comportamento dos visitantes. A semana geralmente inicia com cerca de 40% ou 50% dos quartos reservados, mas a ocupação chega à lotação no fim de semana. Segundo o gerente geral Antônio Camargo, os turistas relatam que levam em consideração o clima quando decidem viajar. Porém, para o estabelecimento, a falta de previsibilidade desafia o planejamento das equipes e a garantia de insumos.
— O pessoal verifica bastante a previsão do tempo no momento do check-in. Uma previsão de neve ou de mais frio acaba atraindo o público — afirma.
De acordo com o setor, turistas das regiões Norte e Nordeste costumam planejar as viagens com mais antecedência, devido à compra de passagens aéreas e à organização da rotina. Já visitantes de estados mais próximos, como São Paulo, além dos próprios gaúchos, frequentemente definem a viagem apenas dois ou três dias antes.
Cerca de 30% desse público que visita a Região das Hortênsias, aproveita para conhecer a Região Uva e Vinho, principalmente Bento Gonçalves. Os destinos são considerados complementares e ampliam o roteiro dos visitantes, como por exemplo, o Trem do Vinho, popularmente conhecida como Maria Fumaça.
Segundo a gerente de marketing da Giordani Turismo, que opera o atrativo, Cristiane Tomazini, o comportamento de decisão de última hora também se repete na região.
— Muitos optam pelo turismo local depois da pandemia, explorando atrativos que valorizam a própria região — destaca.
Outono com menos movimento
Além da mudança no comportamento do visitante, o setor registrou queda no número de turistas durante o outono. O SindTur atribui o movimento menor a fatores econômicos. O presidente do sindicato, Cláudio Souza, aponta que o cenário não é isolado.
— A situação econômica do país tem um peso grande. Em ano de Copa do Mundo e eleições, o mercado se retrai. Não é um problema pontual da região — diz.
A expectativa é de aumento no fluxo de visitantes com o Dia dos Namorados e a chegada do inverno.
O governo do Estado estima crescimento superior a 18% na chegada de turistas por transporte aéreo, além de que a estação segue como a mais procurada por quem escolhe o Rio Grande do Sul como destino.




