
Quem nunca precisou comprar um item de última hora, como molho de tomate para finalizar um macarrão, ou uma escova de dente no meio de uma viagem? Para isso, lojas de conveniência ou de proximidade são um bom "bote salva-vidas", principalmente para quem não tem carro. Porém, já imaginou ter esses negócios na área central de Caxias do Sul?
Segundo o Sebrae, os conceitos de loja de conveniência e de proximidade são muito similares, sendo o horário de atendimento um dos maiores diferenciais. Geralmente as de conveniência funcionam 24 horas. No entanto, seguem com o mesmo objetivo: facilitar o acesso ao consumidor.
Conforme o coordenador de atendimento do Sebrae RS na Serra, Aldoir Bolzan, são quatro fatores que explicam mais desse tipo de negócio:
- Conveniência e a capilaridade (capacidade de expansão): em função do trânsito, as pessoas preferem os "mercadinhos de bairro" para eventual necessidade, além disso, têm mais facilidade de se expandirem e conquistarem o público.
- Fidelização e relação de confiança: quando o cliente conhece o proprietário, por exemplo.
- Digitalização: compras facilitadas pela internet.
- Apoio aos pequenos negócios: crescimento do consumo local consciente.
Junto disso, o Sebrae aponta que houve um crescimento no Brasil desse tipo de negócio nos últimos anos, especialmente após a pandemia. Entre 2020 e 2024, o setor registrou crescimento de 43,7% no número de empregos formais, mais que o triplo do crescimento do varejo nacional (12,1%), segundo a Fecomércio-SP.
Esse avanço está ligado a mudanças de comportamento: consumidores passaram a priorizar comércios próximos, práticos e digitais. Em 2026, Caxias do Sul entrou nas estatísticas ao ganhar duas lojas neste modelo de negócio. A loja de conveniência TriShop, da RodOil, e a loja de proximidade SIM Aqui, da Rede SIM. Ambas de postos de combustíveis.
Aberta 24 horas e com produtos orientais
No caso da loja da TriShop, da RodOil, localizada na Coronel Flores esquina com a Sinimbu, a unidade se define como uma “conveniência fora dos postos de gasolina”, conforme explicou o gerente de marketing da empresa, Eduardo Irigoyen.
O espaço funciona 24 horas, diferentemente das lojas dos postos tradicionais da região, e com um mix de produtos que podem auxiliar nas urgências do dia a dia oferecendo de um simples café e um pastel até uma ração para o cachorro ou um kit churrasco. A ideia é ter um público que vá além do motorista, que frequenta a conveniência de posto.
— Nós tínhamos a intenção de criar uma loja conceito, que a gente pudesse testar, pilotar iniciativas, a criação de mix de produtos, a validação de iniciativas de negócios, foi por isso que nós decidimos abrir essa loja, que é a primeira TriShop fora de posto. A ideia aqui é trabalhar o mesmo conceito da loja de conveniência de posto, com um público independente do motorista — explicou.
Um dos destaques da unidade tem sido os produtos internacionais, como os doces e bebidas orientais. Nas redes sociais já é possível encontrar diversos vídeos de moradores indo até a loja para comprar esses itens e fazer reviews.
— O nosso franqueado tem experiência com esse tipo de item importado, então pediu para incorporar ao mix. A gente aceitou e incentivou essa ideia porque sabia que teria um fluxo muito grande, temos um marketing local muito intenso e muito através do digital para demonstrar esses produtos e, na verdade, isso viraliza. As pessoas veem, usam, gostam, querem mostrar, querem compartilhar e acho que é muito o espírito dessa nova geração — contou.
Isso, inclusive, influenciou a líder de atendimento Suelen Andriane Brito dos Passos, 34, e sua filha Ketlyn Mariana Brito da Silva, 12, a aproveitarem a ida no médico para já passarem na loja e garantirem seus produtos.
— Vimos na internet o pessoal fazendo vídeos sobre os produtos e como minha filha adora essas coisas, viemos aqui aproveitar. Achei interessante porque é uma novidade para a gente, já que o pessoal vai sempre para fora para comprar e agora nós estamos aqui, já facilita — comentou Suelen.
A localização do negócio também foi essencial nessa procura de atender ao maior número de públicos possível e nos horários inusitados, sendo mais um dos diferenciais quando comparado com as lojas normais dos postos.
— Se a necessidade for fazer um lanche rápido, resolver algo do trabalho tomando um café, pegar o pão para levar para casa, levar uma comida congelada para fazer em casa para a família, para todos esses momentos eu tenho uma solução rápida. O tempo é um recurso muito escasso hoje e, às vezes, não é possível se planejar. Então, essa loja funciona como uma solução rápida para as questões do dia a dia — salientou Eduardo.
Na última segunda-feira, inclusive, outro serviço foi inaugurado ao lado da TriShop: a Lavanderia Gambino, de autosserviço.
Opções que vão de lanches a frutas e verduras
Já no caso da unidade SIM Aqui, da Rede SIM, a ideia é ser uma “loja de proximidade” conforme o diretor de Conveniência da empresa, Igor Medeiros.
Diferentemente da loja de conveniência, ela funciona das 6h às 20h, está localizada na esquina da Avenida Júlio de Castilhos com a Marechal Floriano, e com itens que vão além do convencional, ultrapassando apenas alimentação e itens básicos. Entrando no espaço, já é possível encontrar carnes embaladas, laticínios, frutas e verduras.
— Isso norteou a nossa decisão de tirar os nossos pilares de conveniência para fora do posto e continuar facilitando a vida das pessoas. Então acrescentamos a parte de perecíveis, de frutas, legumes e verduras, açougue, padaria e laticínios para ser uma solução emergencial ao consumidor. A ideia não é ser um “minimercado” porque a gente não tem amplitude de sortimento dentro das categorias, mas a gente tem o básico para quem está se deslocando para o trabalho, seja voltando para casa — salientou.
O diretor também defendeu que o espaço é para aqueles que estão caminhando pelo centro da cidade.
— Não é uma loja que você tá se deslocando de carro, não tem estacionamento próprio. É muito mais se está passando a pé pela redondeza e sentiu necessidade de comprar ou se alimentar — comentou.
E foi isso que chamou a atenção da Sali Fiorio, 65, e da sua filha, Milena, 30. Elas estavam passeando pelo Centro e resolveram fazer uma pausa para um café na loja e garantir o pão para casa.
— Moramos no Bela Vista e estávamos pelo Centro, achamos legal o lugar, viemos tomar um café e já aproveitamos para pegar o pão da marca que gostamos. Assim, não precisamos ir no mercado — comentou Sali.
Apesar do pouco tempo de abertura da loja, a segunda unidade já está sendo planejada dentro do Hospital da Unimed. Conforme Medeiros, o negócio será ainda mais personalizado, pensando no público que deve frequentá-lo.
Loja de urgência = preços de "urgência"
Apesar dos conceitos similares, ambos os comércios são para urgências, sendo assim, os valores seguem a mesma base. No entanto, as lojas buscaram definir preços que não se sobressaíssem tanto de um item de supermercado em um dia sem ofertas, por exemplo.
Na loja da TriShop, é possível encontrar um saco de carvão de 4kg para aquele churrasco de última hora por R$ 23,90. Ou um molho de tomate por R$ 3,99 e um pacote de macarrão caseiro por R$ 12,90.
— A conveniência no Brasil começou na metade dos anos 1990 como uma loja que tinha itens importados, cigarro, chocolate, bala e chiclete, tudo muito caro, atendendo apenas emergências. Se encontrasse um sabonete ou escova de dente, seria uma experiência de compra péssima, porque você ia ficar lembrando que pagou R$ 40 naquilo. Não é o nosso objetivo aqui — explicou Irigoyen.
Na unidade da Rede SIM, o intuito também é o mesmo: manter condições para que o cliente possa comprar na loja. No local, é possível encontrar laticínios por R$ 9,99, alface por R$ 5,99, legumes cortados por R$ 8,49, nada muito acima do que se encontra nos supermercados.
— Como é uma proposta de valor diferente, é um modelo de negócio diferente, não é uma conveniência do posto fora do posto, muda a necessidade do cliente, muda a minha concorrência, muda o meu mix, então existe toda uma inteligência de precificação de mix voltada para exclusivamente esse tipo de formato — salientou Medeiros.

