
Em fase final de homologação, o programa Caminho da Escola, do governo federal, deve ter a caxiense Marcopolo S.A. como uma das grandes vencedoras. A partir do resultado do primeiro leilão da licitação, realizado em abril, a empresa deve ser habilitada para fornecer de forma direta e indireta 5.210 ônibus escolares.
Além dos próprios modelos, a Marcopolo também fabrica carrocerias para a MAN, da Volkswagen — que também venceu parte da licitação. As outras 200 unidades do edital, referentes à micro-ônibus, foram vencidas pela Agrale, também de Caxias.
Nos próximos dias, a Marcopolo espera receber representantes do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e do Inmetro para finalizar a homologação. A partir disso, a empresa estará habilitada para receber as encomendas de administrações públicas.
— Depende de virem esses técnicos do FNDE e também do Inmetro para fazer a inspeção. Mas, nós estamos aqui com os carros prontos na fábrica para receber eles e mostrar que o carro está atendendo todos os pré-requisitos e normas conforme a documentação — explicou o gerente executivo da Volare, Sidnei Vargas.
Originalmente, o edital contempla 7,4 mil unidades, divididas em diferentes modelos de ônibus escolares. Contudo, itens do leilão, que somam cerca de dois mil veículos, foram questionados e ainda estão julgamento.
Criado em 2007, o programa do governo federal tem como objetivo o fornecimento desse tipo de veículo para garantir o acesso à escola de, especialmente, estudantes de áreas rurais e ribeirinhas em todo o Brasil. No total, a mais recente licitação do governo federal, que é a fase 13 do Caminho da Escola, pode movimentar cerca de R$ 4 bilhões na indústria de veículos — o dobro da parcela do Move Brasil 2 destinada para ônibus.
Dentro do histórico do programa, a empresa de Caxias do Sul já entregou mais de 20 mil ônibus escolares. A marca foi alcançada ainda na penúltima fase do Caminho da Escola.
Previsão de pedidos e logística
A quantidade de veículos produzidos depende dos pedidos que serão feitos. Mesmo assim, Vargas lembra que a empresa adiantou-se em processos preparatórios, como uma previsão para fornecedores de peças necessárias para a fabricação dos ônibus. A caxiense também leva em conta o histórico do programa para essa organização.
Existe a expectativa de que o governo solicite uma parcela do edital ainda em 2026. O prazo de entrega depende da região destino, variando de 110 a 160 dias.
Conforme o destino do pedido, inclusive, a fabricação pode acontecer em Caxias ou na planta da Marcopolo em São Mateus (ES).
— Nós temos hoje a capacidade de produzir nas duas plantas. Lá no Espírito Santo e aqui em Caxias. Óbvio que a maior quantidade hoje é feita aqui (em Caxias) — contou o gerente executivo.
As encomendas podem ir acontecendo durante a validade da habilitação, geralmente de um ano e que pode ser renovada. Os últimos pedidos da fase 12, por exemplo, foram no fim do ano passado, no limite do prazo. No primeiro trimestre deste ano, a Marcopolo entregou 771 unidades para o programa.
Já neste mesmo trimestre, a produção total da empresa foi de 2.997 unidades, contando com 363 de operações internacionais. No período, a companhia registrou um lucro líquido consolidado de R$ 264,6 milhões, marcando o crescimento de 8,8% em comparação aos R$ 243,1 milhões dos primeiros meses de 2025.

