
Tempo, o ativo invisível, esse foi o tema explorado por especialistas no CIC Connection 2026. A terceira edição do evento de gestão se iniciou nesta quarta-feira (17), no UCS Teatro, em Caxias do Sul, e segue até esta quinta (18).
Durante a tarde e início da noite, um teatro lotado pôde acompanhar conselhos valiosos sobre o gerenciamento do tempo, especialmente em uma rotina tecnológica cada vez mais acelerada. O presidente da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC Caxias), Ubiratã Rezler, abriu o dia de palestras refletindo sobre o tema, destacando a importância de valorizar o tempo disponível e saber como usar ele, na vida como um todo, uma vez que não é um bem que pode ser comprado para ser deixado para depois.
— Ele é invisível. Mas os resultados são completamente visíveis — exclamou o presidente da CIC.
Tempo, o ativo invisível
O dia foi aberto com um talk show com a condução da comunicadora do Grupo RBS Andressa Xavier. O principal assunto foi a relação da tecnologia e do tempo. Os especialistas Alessandra Erthal, diretora global de vendas da Padtec, e Mario Laffitte, sócio da ML Comunicação, compartilharam os desafios e benefícios do uso de novas ferramentas para gerenciar o tempo.

Alessandra utilizou como exemplo a inteligência artificial (IA) generativa. A diretora passou a utilizar a ferramenta para tarefas corriqueiras, como checagem de e-mails, como uma forma de ter o tempo disponível para outros momentos. Contudo, observou que nem tudo é perfeito e cuidados precisam ser tomados:
— Tem uma ajuda, mas às vezes ela atrapalha. Então, nós temos que saber como melhor usar. Eu olho todo domingo ou segunda-feira meu calendário e falo o que eu vou deixar de fazer nesta semana, o que a tecnologia pode fazer com que eu deixe de fazer na semana, para eu pensar uma estratégia de curto ou de longo prazo para que sobre o tempo para eu falar com outros países. Então, ela ajuda, mas às vezes atrapalha, então a gente tem que saber bem em que momento utilizar — comentou.
Já Laffitte notou que os brasileiros conseguem adotar facilmente as tecnologias na rotina. Para o especialista, as ferramentas podem ser “deflacionárias”:
— Ele traz uma possibilidade para a gente fazer mais coisas com menos recursos, entre eles o tempo, então, como foi falado, a IA não gera tempo para a gente, ela redistribui o nosso tempo. É decisão nossa de alocar esse tempo que a IA redistribui para gente. Vamos fazer mais do mesmo?
Os painelistas também refletiram sobre como ter tempo de qualidade em meio as rotinas que demandam, muitas vezes, uma conexão de 24 horas durante os sete dias da semana. Nesse caso, a tecnologia pode ajudar para reduzir distâncias, mas os especialistas aconselharam sobre o cuidado de ter os momentos em família.
— Essa questão da qualidade e da quantidade aparece muito quando a gente fala de tempo, gestão de tempo, trabalho, equilíbrio, trabalho, vida pessoal. É muito fácil falar, não é tão fácil executar, a gente sabe disso. Mas você tem que ter um tempo de qualidade, aí sim, tentando deixar o seu lugar mais à margem, virar de cabeça para baixo, talvez, e conseguir ter aquele tempo de qualidade com a família — analisou Laffitte.

Mais tempo
“Pare de correr e comece a andar naquilo que é importante”. Foi com esse conselho que Christian Barbosa, fundador da Tríade Brasil, abriu a palestra. Para o público, Barbosa apresentou A Tríade do Tempo, considerada uma solução para trazer equilíbrio na vida, entre trabalho e família, especialmente.
O processo apresentado pelo palestrante foi criado depois das experiências profissionais de Barbosa. Nos anos 1990, aos 15 anos, fundou a primeira empresa dele na área de informática e logo se tornou milionário. Aos 18 anos, por conta de um comportamento workaholic, de viver apenas para o trabalho, desenvolveu um tumor e mudou o estilo de vida. Um dos passos foi a gestão do tempo.
Barbosa vendeu a Blue Edge, criou a investidora de startups Dreammaker e passou a divulgar a Tríade do Tempo.
Por conta do sistema, Barbosa é considerado um dos maiores especialistas de gestão do tempo do Brasil. Para ele, tudo começa com a mudança de mentalidade e segue pelas etapas de criar método para isso, ter métrica, escolher uma ferramenta ideal e ter a persistência.
— Quero ser mais produtivo como gestor, quero ajudar o meu time a ter mais produtividade. Primeira parte, a minha própria mente muda. Se a minha mentalidade não muda, nada muda. Minha empresa não muda, meu time não muda. O que é minha mentalidade? Eu preciso entender que eu preciso tornar a minha empresa mais produtiva — aconselhou.
Dentro da solução apresentada por Barbosa, o equilíbrio para vida é essencial. O especialista chamou atenção para estudos que indicam que a média ideal para empreendedores focarem no próprio negócio é de cerca de 50 horas semanais — e não todo tempo disponível do gestor, como geralmente é falado por influenciadores.
O equilíbrio precisa existir entre hobbies, sono, alimentação e exercícios, como recomenda Barbosa. A melhor coisa, como destacou o especialista, é buscar esse equilíbrio:
— Um bom sono afeta demais a sua produtividade ou pode ajudar demais a sua produtividade. O sono é fundamental. Outra coisa, a pessoa precisa aprender a ter um hobby.
O especialista lembrou também sobre a importância de realizar um planejamento, para ter a gestão do tempo, e como a tecnologia também pode auxiliar - citando exemplos de ferramentas de IA. Uma situação cotidiana nas empresas, por exemplo, é a quantidade de reuniões e se são realmente úteis ou trazem alguma produtividade.

O tempo a favor das empresas
Para fechar o primeiro dia, Ricardo Amorim, um dos economistas mais influentes do país, trouxe a visão dele sobre o cenário nacional colocando o tempo como o fio condutor. Para o público atento, Amorim chamou atenção que o mundo como conhecemos hoje não chegou no contexto atual por acaso.
— Mudança e transformação é a essência do que o tempo faz — avisou o palestrante.
Entre as situações que transformaram o mundo, Amorim fez um recorte dos últimos cem anos. Para ele, três grandes motivadores foram a criação da energia elétrica, a transformação demográfica de uma população mais velha e as mudanças geopolíticas.
O primeiro caso é o pontapé para as tecnologias transformadoras da rotina, como smartphones. Já a geopolítica, o especialista chamou atenção que o mundo passa pela principal transformação desde a Segunda Guerra Mundial, puxada pelos confrontos como da Rússia e Ucrânia ou EUA e Irã, além das tensões na Índia.
Esse cenário, como já aconteceu anteriormente, transformou o Brasil em um destino atraente para investidores. É um país emergente sem riscos de conflitos.
Na visão de Amorim, com a economia esquentando e novos investimentos surgindo, há reflexões que podem ser feitas. Entre elas, as oportunidades que estão surgindo, e muitos podem não estar prestando atenção, e como melhorar a produtividade.
— Primeiro, tempo é importante, mas a outra coisa que é importante é fazemos o quê? Quando temos essa economia, eu estou falando de produtividade. Para o mesmo tempo, você pode produzir mais ou menos — afirmou.
Nesse contexto, Amorim também citou que a IA generativa deve ser cada vez mais utilizada. As possibilidades dela podem trazer uma nova dinâmica para a gestão do tempo:
— Uma das coisas que vamos ter que pensar é o que vamos fazer com esse tempo todo? Porque vai sobrar muito.
O CIC Connection 2026 terá o segundo e último dia nesta quinta-feira (18), novamente no UCS Teatro. Entre os palestrantes, o astronauta e senador Marcos Pontes, a fundadora da 7th Art, Erica Bamberg, e o ex-Microsoft Ricardo Wagner.



