
As nogueiras da Serra vão produzir nesse ano o que nunca produziram antes, e contribuir para a safra, que deve colher até 7 mil toneladas em todo o Estado. A projeção é do Instituto Brasileiro de Pecanicultura (IbPecan). No ano passado, o volume chegou a 4,9 mil toneladas.
A região foi escolhida para receber, nesta sexta-feira (8), a oitava edição da abertura oficial da colheita, que ocorre a partir das 9h30min no salão comunitário de Travessão Bonito, em Nova Pádua.
O clima favorável e a maturidade das árvores, que já completaram 15 anos em algumas propriedades, ajudam a explicar o desempenho dos pomares que podem produzir nesse ano até 2,5 toneladas por hectare.
Anfitrião da abertura da colheita nesta sexta-feira, Arlindo Maróstica tem grande parte das 14 toneladas que estimava colher já colhidas e em estoque à espera da venda - neste ano, assim como em 2025, o quilo deve ser vendido a R$ 24. O bom desempenho de 2026, segundo ele, se deve muito ao manejo das plantas, que se adaptaram ao solo de Nova Pádua.
— Nosso solo é muito rico em nutrientes. A nogueira por natureza é uma planta que produz bastante, salvo períodos de intempéries, como em 2024, quando colhemos apenas quatro toneladas. Ao longo dos anos percebemos que a nogueira precisava de espaço. Quando o pomar fica muito sombreado, a árvore não produz. Então, a nogueira, se tiver espaço e nutrientes, ela se garante — diz.

O investimento na noz pecã é a longo prazo: a planta começa a produzir a partir do sétimo ano depois de plantada. Antes de 2026, além da espera, quem investiu no plantio precisou lidar com a enchente de 2024 e o excesso de umidade no ano passado.
Em Cotiporã, Luis de Rossi perdeu quatro hectares em 2024, depois de colher bem em 2023, quando foram retiradas 50 toneladas de nozes do pomar. No entanto, e desde lá, a colheita não havia sido mais a mesma:
— A safra desse ano nem se compara com a dos últimos dois anos. Tivemos um pouco de problema com a estiagem, mas que não prejudicou tanto quanto a chuva. A planta tem uma grande dificuldade com umidade, principalmente na época de floração, entre o final de setembro e o início de outubro.
Ainda em Nova Pádua, a colheita desse ano será a mais expressiva do pomar de quatro hectares de Roberto Baggio. Com auxílio de um implemento que abraça o tronco da nogueira para vibrar a árvore e fazer com que as nozes caiam, Baggio estima colher até quatro mil quilos que irão ajudar a pagar o investimento iniciado em 2015.
— Esse ano rendeu bem mais do que imaginava. O investimento é a longo prazo, mas a gente se apega na vida útil da nogueira, que pode chegar até 100 anos. Demora para começar, mas depois o ciclo é longo para receber. Cada ano vai dando um pouco mais. E comércio tem, as pessoas querem comprar — garante.
Atualmente, o Estado possui 7,2 mil hectares de noz pecã. Deste total, 5,5 mil hectares estão em produção. A maior parte localizada na região central do Estado, com destaque para Cachoeira do Sul. Além disso, o Rio Grande do Sul responde por 90% da produção nacional de noz pecã.
A 8ª Abertura Oficial da Colheita da Noz-Pecã em Nova Pádua vai reunir produtores e autoridades. A programação se inicia às 9h30min, com lançamento de um livro da Embrapa sobre como cultivar o fruto. Na sequência acontece um painel temático sobre a produção, manejo e mercado da noz-pecã.


