
As relações humanas são o mote da nona edição da Gramado Summit, que começou nesta quarta-feira (6), no Serra Park, no município da Região das Hortênsias. A relação do humano e o equilíbrio com a tecnologia foram os assuntos trazidos pelos palestrantes do Palco Principal durante a manhã, como a psicanalista, professora e escritora Maria Homem, que teve auditório lotado para seu painel.
Para Maria, que palestrou sobre as novas formas de liderança no mundo corporativo, é preciso ser humano e assumir a humanidade.
— Não há super-heróis. Há humanos tentando, juntos, fazer valer a experiência de existir — afirmou a palestrante no Palco Principal.
Conforme a professora, as relações mudaram, e os líderes não podem mais se basear no paradigma de autoritarismo ou de produtividade, que até o início dos anos 2000 era comum no mundo do trabalho.
— A gente está num terceiro paradigma que lida com logos, lógica, mas com phatos, com empatia, com afeto, com escuta. Atributo básico do líder contemporâneo do século 21, escuta de si e do outro, autoconhecimento, empatia, receber e se colocar no lugar do outro e estar junto — diz.
É preciso se adaptar ao novo formato de liderança sem hierarquia clara, que, segundo Maria, é um impasse contemporâneo. Como o modelo antigo, de organização, comando e controle já não é mais válido nas relações, é necessário assumir que o ser humano é razão e emoção.
— Não adianta você fazer, fazer e fazer algo que não faça sentido nenhum, que seja um amontoado de lixo, um amontoado de coisa que você tem vergonha, que é maligna, destrutiva, boba e fútil. O que nós, enquanto humanidade, queremos fazer, para onde ir? Pensando nisso, você vai com fé, com motivação, com interioridade e com vontade — destaca.
O sonho de infância que virou negócio

No Palco Geek, um dos 12 que recebem atividades simultâneas durante o evento, Rodrigo Selback, apresentador e roteirista do programa “Games e Profissões”, da Ubisoft TV, abriu a programação com o painel "Desbloqueando o Geek Money: onde o público nerd investe e a sua próxima Quest no mercado".
No vídeo de abertura, para aproximar o público da cultura pop e nerd, Selback trouxe referências de quadrinhos, filmes de super-heróis, desenhos dos anos 1990 e jogos.
O Geek Money, ou seja, a economia que gira a partir da paixão por jogos, animes, histórias em quadrinhos e nostalgia, são âncoras emocionais do público nerd, explicou o palestrante.
A partir dessa paixão e das experiências de infância nos anos 1980, ele próprio levou adiante como um estilo de vida.
— Tudo aquilo que no passado a gente não tinha começa a se tornar uma coisa que nos lembra muito o que era uma coisa que a gente queria muito ter. A gente leva isso para as nossas empresas, para a nossa vida e para a forma como a gente vive — afirma.
Ser nerd e assumir essa personalidade era algo que nos anos 1980 e 1990 era considerado pejorativo e que, hoje, se transforma em força de negócios.
— Quando a gente compra coisas de uma marca que a gente gosta, hoje, a gente não está comprando um artigo. A gente está comprando pertencimento. É porque eu estou fazendo parte de algo maior do que só eu. A gente tem uma explosão de geekwear, onde toda grande loja, hoje em dia, tem algum item de super-herói. Com isso tudo, a gente leva para as pessoas pertencimento — explica.
De forma geral, o Geek Money se origina da nostalgia e da vontade de pertencer a um grupo que, na infância e adolescência, era paixão.

— A gente financia a própria identidade. Investe numa economia da paixão. Quando você tem na sua casa um martelo do Thor ou um pac-man, não é apenas um objeto que está na sua casa. Faz parte de uma memória sua e faz parte de quem você é. E isso é muito importante quando a gente fala de era do Geek Money. A gente tem que pensar que, na verdade, a gente está financiando a criança que existia dentro da gente também — acrescentou.
Projetando os próximos passos do Geek Money, Selback elenca como tendências a nostalgia, o anime no mainstream, a alta-costura com inspirações geek, a febre asiática, os e-sports como espetáculos e a gamificação do cotidiano.
— O cara não tinha dinheiro nos anos 1980, que era o momento de recessão, para comprar, mas hoje em dia ele tem. A gente está reforçando identidade e isso é muito importante. Cada vez mais, a gente vai investir no nosso lado nerd. Mais do que isso, vamos conectar isso com outras coisas — projeta.


