
Diariamente, um tsunami de informações chega aos celulares, computadores e televisões. Mesmo sem perceber, um turbilhão de propagandas e novidades nos alcança a cada segundo. A partir dessa provocação, o antropólogo e escritor do best-seller Coisa de Rico, Michel Alcoforado apresentou ao público da Gramado Summit seus estudos e considerações sobre a economia da atenção: de que forma conquistar e cativar os públicos. Ao contrário do que as pessoas estavam esperando, ele não falou sobre o livro que o tornou muito conhecido.
No Palco Principal, nesta sexta-feira (8), Alcoforado começou falando sobre a atenção, ou a falta dela, fazendo um comparativo com um peixe dourado, que dá apenas oito segundos de atenção aos estímulos, a partir de dados de uma pesquisa das Universidades de Oxford e Stanford:
— Falta de atenção é um problema da cultura e está afetando os estímulos e a forma como a gente se relaciona com o planeta — afirmou.
Com um gráfico nos telões, apresentou dados que revelam que com o passar do tempo, a informação e estímulos disponíveis aumentaram drasticamente. Por isso, a falta de atenção começa a se tornar uma característica comum dos novos tempos. Ele ainda afirma que o problema não é individual, mas geracional:
— É a partir dos anos 2000, com um boom informacional, que o TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) começa a se tornar uma doença de adulto. O problema não é você, o problema é que a atenção que o mundo quer de você, você não tem como dar. O modelo de atenção que estão nos cobrando é do século XIX. Você aguentou isso, teu filho não mais.

Alcoforado disse também que, com o tempo, fomos treinados que olhar é sinônimo de atenção, mas isso já não é mais realidade. Para prestar atenção, hoje, não é preciso mais estar apenas olhando, já que respondemos aos estímulos de diferentes maneiras.
— A gente cada vez mais esta sendo cobrado a desenvolver outros modelos de conexão. Olhar é diferente de atenção — explicou.
De acordo com o antropólogo, existem múltiplos modelos de atenção: a hiperfocada, a flexível e a fracionada. A hiperfocada requer uma alta concentração e baixa interrupção, nos moldes da publicidade tradicional. Já a flexível, a forma como vivemos o mundo, dá ao indivíduo a possibilidade de transitar entre tarefas, estímulos e conteúdos. Por fim, a fracionada se caracteriza pela baixa concentração com alta interrupção.
Mas de que forma manter a relevância nesse mundo hiper conectado, cheio de estímulos e com um "tsunami de informação"? Para Alcoforado, a resposta é conquistar relevância, por meio da identificação, reverberação e repertório com seu público.
— Identificação é quando a marca é tão relevante que abre para o consumidor a oportunidade de interagir com ela. A reverberação é se inserir na cultura, participar das narrativas que estão em jogo. Isso é ter a chance de pegar a tua marca e botar dentro do jogo. O repertório é como você captura a memória, o principal ativo na captura da atenção. A arte de construir memória no mundo fragmentado — explicou.
Quem é Michel Alcoforado?

Além do sucesso com o best-seller Coisa de Rico, ele é doutor em antropologia social e estudou antropologia do consumo na University of British Columbia, no Canadá, onde também trabalhou como consultor estratégico para grandes marcas internacionais.
Mais tarde, fez uma pós graduação em Brand Luxury Management na London College of Fashion e um MBA na Berlin School of Creative Leadership. De volta ao Brasil, fundou o Grupo Consumoteca, um hub de empresas de pesquisa de mercado, consultoria de tendências de consumo focadas nos hábitos dos consumidores da América Latina.
Há 15 anos, se dedica a estudar o comportamento dos super ricos brasileiros.


