
Há oito meses, empresas brasileiras enfrentam aumento de impostos para exportar produtos aos Estados Unidos. Na Serra gaúcha, o chamado “tarifaço” impacta diretamente setores como o madeireiro e o moveleiro. Embora as tarifas tenham sido reduzidas recentemente, a instabilidade no mercado internacional ainda preocupa.
No setor madeireiro, a abertura de novos mercados foi a principal alternativa para manter as operações. Em agosto do ano passado, passaram a vigorar taxas de até 50% sobre exportações aos Estados Unidos, o que travou negociações. Em fevereiro deste ano, o percentual caiu para 10% para a maioria dos produtos derivados da madeira. Ainda assim, o cenário segue incerto, conforme o sindicato que representa as empresas do segmento.
Segundo o presidente do Sindimadeira RS, Leonardo De Zorzi, as mudanças tiveram impacto direto nos preços e na competitividade. Ele destaca que o mercado americano é historicamente o principal destino dos produtos brasileiros e que, apesar de decisões recentes indicarem possível melhora, ainda há riscos de novas tarifas.
As indústrias gaúchas exportam principalmente chapas compensadas, cercas e itens para embalagens. Com a elevação das taxas, os produtos brasileiros perderam competitividade no exterior. A retração do mercado americano gerou excesso de oferta, pressionando preços para baixo em outros destinos.
Mesmo com a conquista de mercados alternativos, as empresas passaram a vender com margens menores.
— Uma questão de oferta e demanda natural. Então, mesmo que a gente tenha encontrado alguns mercados substitutos ao mercado americano, isso veio com uma penalidade muito grande em preço —resume De Zorzi.
Em Cambará do Sul, a Reflorestadores Unidos, uma das principais empregadoras conseguiu manter os postos de trabalho até agora, apesar das dificuldades. Nas últimas semanas, porém, um novo fator passou a afetar o setor: problemas logísticos relacionados a conflitos no Oriente Médio.
De acordo com o diretor-presidente da empresa, Cassiano De Zorzi, a região havia se tornado um dos focos de exportação após a retração dos Estados Unidos. No entanto, pedidos foram cancelados e cargas já embarcadas sofreram alterações de rota, gerando custos extras e atrasos na entrega.
— A gente já teve pedidos cancelados de alguns clientes, pedidos que estavam em andamento, já estavam embarcados, os navios já tinham saído e a gente acabou recebendo a notícia de que alguns containers iam ser deixados em portos que não os portos de destino. E isso aí acaba nos trazendo transtorno, gerando custos extras, o cliente não recebendo a mercadoria. Essa questão da guerra tem nos atrapalhado consideravelmente — conta o diretor-presidente da Reflorestadores Unidos.
O setor madeireiro emprega diretamente cerca de 8,5 mil pessoas no Rio Grande do Sul. Em municípios dos Campos de Cima da Serra, a atividade é uma das principais bases econômicas.
— Nós temos cidades inteiras em que a atividade de plantio, manejo e colheita e também de industrialização acaba sendo a principal. Então, qualquer dificuldade que o setor passe, inevitavelmente a gente acaba vendo essa dificuldade passando também para a sociedade nesses municípios menores — explica o presidente do Sindimadeira RS.