
A queda das temperaturas prevista para o final desta semana, com mínimas na casa dos 10°C, é uma boa notícia para fabricantes de malhas e confecções da Serra. Isso porque, para eles, a matemática é simples: fez frio, vendeu.
Conforme o presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem, Malharias, Vestuário, Calçados e Acessórios da Serra (Fitemavest), Rogério Bridi, os meses de calorão, como janeiro, fevereiro e março, foram um período para a produção das peças.
— Foram meses de boa produção tanto para malharias quanto para a indústria de confecção, com a expectativa de colocar os pedidos que já têm em casa e também para repor estoque do consumo de ano passado, que foi razoavelmente bom. Como o frio no ano passado foi extenso, proporcionou um consumo bom e o pessoal se livrou dos estoques — explica.
De acordo com Bridi, o frio mais intenso já é esperado pelos produtores e lojistas a partir de maio, também coincidindo com o Dia das Mães.
— Esse primeiro trimestre foi um trimestre de boa produção e o pessoal está apostando de que vai fazer frio. Pontualmente, tem alguém que já está se preocupando em fazer alguma peça pra meia estação, mas, no geral, o pessoal está trabalhando em cima de inverno que está por vir. O frio é a mola propulsora do comércio das peças de inverno, não tem campanha melhor, então a gente está na expectativa— projeta.
O volume de produção, conforme Bridi, segue o mesmo. Isso porque, mesmo com o calorão, as indústrias têm aproveitado para repor os estoques vendidos no último ano. A tendência de maior volume de vendas é para os meses de maio, junho e julho.
Adaptação com o novo consumo

Na confecção Personalitá, no bairro Esplanada, em Caxias do Sul, há cerca de dois anos o proprietário Ivanes Spiller percebeu a necessidade de adaptar a produção. A empresa surgiu há 24 anos com a venda de casacos de lã. No entanto, recentemente, eles têm dividido espaço com linhas de produtos mais leves, em malha, e a mais recente novidade: uma linha casual, chamada Comfy.
— A gente já vem, há alguns anos, fazendo um exercício de tentar trabalhar com moda feminina em geral. Realmente, os invernos são mais curtos, às vezes eles fazem mais frio, às vezes demoram para chegar e a gente fica numa dependência do clima. Então, estamos com várias outras peças de inverno, mas uma meia estação, com outras bases de tecido — explica.
Mesmo que o carro-chefe siga sendo o casaco de lã, a produção se divide em 50% com os novos itens mais leves. A mudança veio, principalmente, a partir da observação das mudanças no consumo em mercados consumidores no Paraná e em Santa Catarina, que diminuíram o volume comprado.
— Por exemplo, em Cascavel, no Paraná, temos clientes que no passado vendiam muita lã, e a gente notou que estava vendendo menos. Porque é uma região mais quente. Nós lançamos esse produto mais leve, mais meia estação, e a gente começa a retomar alguns clientes que no passado vendiam muito — afirma.
No entanto, mercados como o de Curitiba seguem investindo nos casacos de lã. Por isso, a aposta é no equilíbrio entre os dois tipos de produtos:
— Curitiba é uma capital que vende muita lã porque o clima é muito parecido com Caxias do Sul. Lá tem uma situação que é alto poder aquisitivo, porque o casaco tem também o valor agregado mais alto. E o clima é favorável — explica.





