
Ainda com disponibilidade tímida nas fruteiras de mercados, o pinhão é encontrado por até R$ 22 o quilo em Caxias do Sul. A alta no preço pode ser explicada pela menor oferta. De acordo com a Emater, a safra na Serra deve ser menor do que as 600 toneladas do ano passado. Por lei, a colheita da semente só pôde iniciar em 1º de abril.
A região é a maior produtora do Estado — das 860 toneladas de 2025, 600 foram da Serra, incluindo Região das Hortênsias e Campos de Cima da Serra. No RS, a colheita deve alcançar até 750 toneladas neste ano.
— Um dos principais fatores de redução na safra se deve principalmente às condições climáticas durante o período de reprodução e crescimento do pinhão, como secas recorrentes nos últimos anos, chuvas abundantes no final do inverno e início da primavera. Além das condições climáticas, contribui a alternância de produção, que é uma característica da espécie Araucária angustifólia. A espécie apresenta variações de produtividade em média a cada três anos — explica a engenheira florestal da Emater Adelaide Juvena Kegler Ramos.
A Emater havia projetado preços parecidos aos do ano passado. As estimativas apostavam que a semente mantivesse a média do preço do quilo. De acordo com a Emater, o valor médio deve ser de em torno de R$ 5 o quilo dos produtores para os intermediários e poderia ser de até R$ 16 em mercados.
Em beira de estradas, fruteiras e feiras livres, a estimativa era do valor entre R$ 8 e R$ 16. Uma das novidades neste ano é que a venda também foi permitida em mercados a partir de 1º de abril.
Safra menor e impostos impactam preço
Na Ceasa Serra, a cotação é similar ao do ano passado. O gerente técnico operacional Marcelo Bufon informa que o valor do pinhão está entre R$ 10 e R$ 12 o quilo. Contudo, alerta que pode haver aumento durante a safra com a possível diminuição da oferta.

Já nos mercados, o preço conferido é entre R$ 18 e R$ 22 o quilo. Em estabelecimentos que comercializam a semente, valores foram encontrados a R$ 18, no bairro Jardim América e no Centro, a R$ 20, no bairro Santa Catarina, e a R$ 22, no bairro Cruzeiro.
Em todos os locais, o cenário conferido foi o mesmo: do pinhão em bandejas menores. O presidente do Sindigêneros de Caxias, Volnei Basso, explica que dois fatores impactam o preço neste ano: a produção menor e os impostos.
Basso utiliza o exemplo do próprio estabelecimento. Neste início de safra, a semente foi comprada por R$ 15 o quilo.
Para a revenda, o mercado tem o custo de impostos, como ICMS de 18% e tributos federais, além da operação, como o transporte da mercadoria. Quem comercializa na rua ou beira de estrada não possui esses custos, observa o presidente da entidade.
No momento, Basso percebe uma busca mais tímida nos mercados, até mesmo pela falta do frio:
— A safra está começando e não temos frio. O consumo ainda não está no ápice. Quando o frio chegar, aumenta.

Quem vê, compra
Nas ruas, o preço do quilo em caminhões e pontos, como nas Perimetrais, é encontrado entre R$ 10 e R$ 12,50. Os vendedores costumam comprar a semente direto de produtores.
Em um dos pontos, Juarez Rodrigues de Lima, 66 anos, conta que o movimento está agradando nesta primeira semana de vendas. Apesar de não fazer o frio esperado, o vendedor percebe que quem vê a semente decide comprar.
— Mesmo com o tempo dessa semana, o pessoal está vindo comprar. Começa a esfriar mais e compra mais ainda. Quanto mais esfriar, melhor. Mesmo assim, estão levando bastante para fazer paçoca — contou Lima.
Na quinta-feira (9), Lima havia usado um reboque para carregar o pinhão. No meio da tarde, era visível como a semente estava sendo comercializada rápido.

Safra varia conforme o município
De acordo com a projeção da Emater, a safra deve variar de município para município na Serra, com quedas estimadas entre 12,5% a 60%. Uma das maiores reduções deve acontecer em São Francisco de Paula, um dos principais produtores.
Em anos regulares, a safra é de cerca de 120 toneladas. A estimativa em 2026 é de 40 toneladas entre as 160 famílias que produzem e colhem a semente.
A secretária de Meio Ambiente e Sustentabilidade do município, Michele Knob Koch, reafirma que a quebra pode realmente chegar aos 60% após conversar com produtores. A queda na safra do pinhão é mais uma das consequências das chuvas que atingiram o Estado em 2024:
— Estamos fazendo uma avaliação de bastante queda. O pinhão tem uma característica. A pinha demora dois anos para se formar. Temos que voltar na época da polinização em 2024. A época da polinização gira de agosto a novembro, talvez um pouquinho antes. O ano de 2024 foi muito chuvoso e isso afeta.
Para as famílias produtoras, o pinhão é uma renda extra, já que é sazonal. Com a quebra, o impacto será grande nesse complemento de renda, como percebe a secretária. Para 2027, a expectativa é melhor, já que o inverno de 2025 foi mais seco. Mesmo assim, ainda são necessárias análises mais detalhadas.
Ao mesmo tempo, há cidades que devem manter o patamar do ano passado, como Caxias do Sul. A expectativa é de repetir as cerca de 30 toneladas.
Do outro lado, há municípios que podem registrar alta. É o caso de Canela, em que a semente está inserida no turismo, a alta pode chegar a 100%.
Cenário nos principais produtores da Serra:
- São Francisco de Paula pode ter queda de 120 toneladas em safra normal para 40 toneladas neste ano.
- Muitos Capões prevê colheita de 120 toneladas, com redução de 20% na produção.
- Cambará do Sul prevê colheita de 36 toneladas, com redução de 40%.
- Bom Jesus tem previsão de 35 toneladas, com 30% de redução.
- São José dos Ausentes estima uma produção 30 toneladas, com 50% na produção.
Fonte: Emater/RS


