
Alternativa para diversificar as produções agrícolas da Serra a partir do início dos anos 1990, a venda do caqui agora desafia produtores de Caxias do Sul, município com a maior área plantada no Estado. São ao todo 951 hectares que devem produzir, segundo estimativas da Emater, quase 24 mil toneladas neste ano, quantidade equivalente à última colheita.
O custo com defensivos agrícolas, mão de obra, armazenamento e embalagens, segundo eles, não ajuda a refletir os resultados financeiros como antes.
Além dos custos, a supersafra do ano passado baixou o preço de venda em 2025, e a expectativa de que as plantas produzissem menos por isso neste ano não se concretizou. Algumas propriedades temem, então, pela repetição do valor praticado no ano passado e considerado baixo pelos produtores.
Na última cotação da Ceasa Serra, divulgada na terça-feira (14), o quilo da fruta era vendido a R$ 4,33, muito próximo dos R$ 4 praticados no mesmo período do ano passado. Em 2024, quando a safra foi 15% menor, o preço era de R$ 5,57 na segunda quinzena de abril.
Quem já começou a colher, percebe frutos de muita qualidade e em quantidade ligeiramente menor que no ano passado. A estimativa da Emater para as 447 propriedades cadastradas em Caxias é de que sejam colhidas até 25 toneladas por hectare.
— Ano passado foi exageradamente grande e supersafra não significa resultado financeiro. Refazemos a safra boa porque temos um trato cultural adequado. Em 2024 todos tiveram safra pequena e no ano passado, com a maior produção, não foi um resultado tão bom — comentou Daniel Zanette, de Ana Rech, que considera a colheita deste ano como uma “safra média”.

O bom desempenho da cultura, que em Caxias só perde em tamanho para a uva e a maçã, foi influenciado pelo clima e pelas estações bem definidas, ideais para a floração e amadurecimento do caqui. Apesar de ter auxiliado na brotação, o clima agora pressiona produtores a colher os frutos antes que eles murchem nos pomares.
— Não faz mais frio, se fizesse, a fruta continuaria crocante nos pomares e poderia esperar para ser colhida. Mas se continuar fazendo calor, o caqui amadurece, fica mole e perde valor — explica o produtor Jorge Palandi.
Na propriedade dele, em São Braz, serão colhidas cerca de 600 toneladas nas próximas semanas e é o armazenamento da fruta que aumenta os custos para, nem sempre, serem cobertos.
— Ano passado, com aquela quantidade toda, não passou de R$ 1 o quilo para o produtor. Neste ano deve ficar em R$ 3 no máximo, quando pelo certo teria que ser uns R$ 4 — diz.
Para o consumidor, a fruta já começou a aparecer nas feiras e é vendida com preço que pode variar de R$ 4 a R$ 8, a depender da variedade e de quem comercializa.
O feirante Valmir Bittencourt compra na Ceasa e opta por revender a um preço intermediário, a R$ 6 o quilo.
— Vende bem, quase 250 quilos por semana, o caqui tem uma qualidade boa já há algum tempo e o deste ano está bem bonito — garante.





