
Apesar da redução de 5,2% no preço da gasolina comum anunciada pela Petrobras no final de janeiro, o desconto ainda não chegou nas bombas dos postos de combustíveis de Caxias do Sul. E essa retórica tem se mantido desde que começaram as baixas nos preços do produto anunciadas pela Petrobras para a venda às distribuidoras, em dezembro de 2022. Desde aquele ano, o valor vendido pela estatal caiu R$ 0,51. De lá para cá, foram feitos 11 reajustes, sendo oito cortes e três elevações. Com isso, a queda nominal no preço da Petrobras para as distribuidoras foi de 16,4% no período.
Na última pesquisa feita em 12 postos de combustíveis de Caxias do Sul, na quinta-feira, dia 26 de fevereiro de 2026, a média de preço ficou em R$ 6,23 por litro. Em dezembro de 2022, logo após o anúncio da primeira redução de preços nas refinarias, a média era de R$ 4,84. Ou seja, cerca de três anos depois, mesmo com a redução de 16,4% do preço da venda Petrobras, em Caxias o aumento no período foi de 28,7% para o consumidor final.
De acordo com o economista e professor da PUC-RS Gustavo de Moraes, isso se explica porque há quatro etapas no processo de disponibilidade da gasolina: a extração, o refino, o transporte e a comercialização.
— Um elo apenas (para conseguir) reduzir o preço não é o suficiente, visto que não é um preço tabelado. Na ponta, ou seja, nos postos, o preço dependerá de impostos, de produtos substitutos, no RS o álcool não é uma alternativa viável, e da concorrência da rede de postos. Sobretudo, por ser um produto essencial ao consumo das empresas e famílias, a margem para a redução de preços é pequena na bomba — analisa Moraes.
Ainda de acordo com o professor, também é preciso considerar que os postos de combustíveis perderam margem de lucro por meses, então, a economia aquecida é uma oportunidade de recomposição desse cenário.
— A regra é: quanto mais essencial o produto, mais difícil reduções de custos serem transmitidas ao consumidor, pois o produtor sabe que o consumidor terá dificuldades de adaptação pela essencialidade do bem. No caso da gasolina, podemos elencar por importância os seguintes fatores: recomposição de margens dos postos, caráter essencial do produto, ausência relativa de concorrência e ausência de um produto substituto (álcool) competitivo, além dos impostos. Mas a reclamação é geral no território nacional. Mesmo nos Estados com produção de álcool significativa — observa o economista.
Orientações ao consumidor
De acordo com o coordenador do Procon em Caxias do Sul, Jair Zauza, a Lei de Liberdade Econômica estabelece que os preços nos postos de combustíveis são livres e, por isso, não há como "exercer a pressão devida".
— A gente acompanha e já se reuniu várias vezes para tentar entender, inclusive com a associação dos postos. O que a gente conseguiu verificar em alguns postos aqui, e principalmente do RS, porque sou presidente da Associação Gaúcha de Procons, é que tem Procons onde tem distribuidoras e que fizeram um levantamento mais aprofundado, em que verificou-se que quando o posto de gasolina compra, não houve redução no preço da nota fiscal para eles, logo não teve como repassar esse desconto para o consumidor — aponta Zauza.
A dica do coordenador do Procon para o consumidor é de pesquisar o preço em mais de um posto de combustíveis antes de abastecer o carro.
— O preço normal deve estar em R$ 6,13 a R$ 6,18 na cidade. Mas é possível abastecer a R$ 5,79 a R$ 5,83. Existem alguns postos que em dia determinado da semana tem desconto, ou que têm um aplicativo próprio e, abastecendo lá, tem desconto. Então, o consumidor tem que pesquisar. É a forma de pressionar para que os postos que cobram mais também participem de promoções e deem um desconto maior ao consumidor — afirma Zauza.
- NA COR CINZA: Preços pesquisados em 9 de dezembro de 2022.
- EM AMARELO: pesquisa em26 de fevereiro de 2026.
- A pesquisa considera o valor anunciado para o consumidor do litro da gasolina comum e não leva em conta valores promocionais, como descontos para pagamento via aplicativos.
Procurado pela reportagem, o Sindicato Comércio Varejista Derivados de Petróleo (Sindipetro) Serra Gaúcha optou por não opinar na reportagem e afirmou que "não é nossa função justificar ou explicar porquê não houve redução de preços".

