
Milhões de compras são feitas anualmente no Brasil por praticamente um clique — ou no máximo, poucos. Por trás do mercado bilionário está uma rede de logística para que os pedidos cheguem o mais rápido possível até a porta de casa. Em Caxias do Sul, o cenário é de ampliação do serviço e oferta de disponibilidade para os diferentes perfis de consumidores.
Conforme dados da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (Abiacom), 438,9 milhões de compras online foram feitas em 2025 no Brasil, a partir de 94,2 milhões de compradores. O Rio Grande do Sul representa 5,79% dessas transações.
O faturamento nacional alcança R$ 235,5 bilhões, com a previsão de bater quase R$ 260 bilhões neste ano. O valor equivale, para comparação, a um terço do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado.
Para o funcionamento dessa rede, as grandes empresas do setor, ao longo dos anos, incrementaram estruturas, como centros de distribuição na região e no Estado, além de diferentes modalidades para o transporte das encomendas e até mesmo agências para retirada em diferentes pontos do município.
Multinacional atua com operação logística interconectada
Uma das líderes em vendas do e-commerce no país, a Amazon Brasil atua por meio do que o líder de comunicação da empresa, Thomas Kampel, chama de uma operação logística interconectada, combinando tecnologia global com conhecimento regional, com o objetivo de acelerar as entregas. Hoje, a empresa tem atuação em todos os municípios brasileiros.

— Para proporcionar agilidade e qualidade nas entregas, a Amazon utiliza diferentes indicadores, como tempos de rota e transferência e tentativas de entrega. É por meio dessa extensa capilaridade logística, do norte ao sul do país, que os produtos chegam a todos os clientes, incluindo do Rio Grande do Sul e cidades como Caxias do Sul — explicou Kampel.
No Estado, como detalha o líder de comunicação, a Amazon conta com 15 centros logísticos interligados, localizados em cidades como Bento Gonçalves, Lajeado, Passo Fundo, Pelotas, Porto Alegre, Rio Grande e Santa Maria. Já o centro de distribuição está em Nova Santa Rita, na região metropolitana de Porto Alegre. A estrutura, inaugurada em novembro de 2020, tem 41 mil metros quadrados, o que equivale a cinco campos de futebol.
— Programas como o Amazon Hub, que conecta pequenos negócios locais à rede logística da empresa, também já estão disponíveis no Rio Grande do Sul, ajudando a ampliar o alcance das entregas e reduzir prazos. Com mais de 250 centros logísticos no Brasil, cem dos quais inaugurados somente em 2025, a Amazon segue acelerando os prazos de entrega em todos os Estados, estabelecendo novos recordes de velocidade e conveniência — completa.

Pesquisa revela prioridades dos brasileiros nas entregas
Conforme Kampel, a Amazon encomendou uma pesquisa à HarrisX, chamada de O Luxo de Ganhar Tempo, que revelou que a velocidade da entrega está alinhada com as prioridades dos consumidores brasileiros. De acordo com o estudo, mais de nove em cada 10 clientes consideram a entrega rápida — no mesmo dia ou no dia seguinte — e o frete grátis como fatores essenciais em suas decisões de compra.
Em 2025, Kampel calcula que a empresa fez mais de 50 milhões de entregas no mesmo dia ou dia seguinte da compra de membros Prime — aqueles que assinam a plataforma. A lista foi liderada pelos itens essenciais do dia a dia, que representam 95 dos cem produtos mais vendidos da empresa. São categorias como higiene pessoal, cuidados com bebês, alimentos e produtos de limpeza.
— Novas soluções logísticas seguem sendo implementadas para ampliar a conveniência e a capilaridade das entregas. Entre elas estão os Pontos de Retirada Amazon, lançados em 2025, que oferecem mais flexibilidade e segurança aos consumidores, incluindo na cidade de Caxias do Sul — destacou o líder de comunicação da Amazon Brasil.
A empresa não revela o número de colaboradores diretos e indiretos no Estado, mas afirma que no Brasil saltou de 18 mil para 36 mil entre 2024 e 2025. Ainda conforme Kampel, a Amazon investiu mais de R$ 888 milhões no RS desde o início das operações.
Há, inclusive, casos que geram um fluxo maior de contratações temporárias. Como no Prime Day, evento de ofertas da empresa, com a admissão de 450 pessoas a mais no ano passado, ou na Black Friday, com mais de 700 contratações temporárias.
Esse cenário reflete no que é percebido pela comunidade local. Quem atua como uma agência de retirada de e-commerce ou quem faz o serviço de entregas vem notando uma demanda cada vez maior.

Pontos de retirada incrementam serviço
Em Caxias, entre as três principais plataformas que operam no município, o que inclui Mercado Livre e Shopee, além da Amazon, são mais de 20 agências de retirada. O número foi calculado por meio de painéis das próprias empresas.
Os pontos que se transformaram em agências para as plataformas são originalmente comércios. A conclusão dos proprietários que aderiram é positiva, uma vez que a retirada das encomendas se transforma em uma oportunidade de fazer novos clientes.
É o caso do Armazém das Rações, no bairro São Pelegrino. O proprietário, Tiago Novelli, 49, cadastrou-se há dois anos para ser um ponto de retirada da Shopee, após encontrar uma publicidade em uma rede social.
No primeiro ano, a loja funcionava apenas como ponto de postagem. Desde o ano passado tornou-se também uma agência para retirada ou devoluções. A média diária para a busca das encomendas é de 10 pessoas. Como define o comerciante, "é como se fosse uma agência dos Correios".
— Vem crescendo (a retirada). É bom porque acaba divulgando, inclusive, a loja. Facilita bastante para o pessoal que não está em casa ou que não possa receber na empresa. Como temos um horário estendido até as 19h, então ajuda — contou Novelli.
O comerciante tem acesso ao sistema da plataforma para o controle das retiradas, além de receber treinamentos e também o material de identificação do ponto como parceiro da Shopee.
— É um movimento que agrega. Não é uma coisa assim para dizer que estou ganhando dinheiro com isso. É um movimento que ajuda nos teus custos fixos e tu faz a movimentação da loja, acaba divulgando a loja — destaca Novelli.
Como já possuía uma sala vaga na loja, o comerciante não precisou fazer grandes adequações no ambiente.
Plataforma diferente, benefício semelhante
Já no bairro Esplanada, a WP Assistência Técnica de Celulares também atua há quatro anos como uma parceira do Mercado Livre. Como relata o proprietário Wellington do Nascimento Paim, 31, o serviço foi ampliado aos poucos.
Primeiro, o ponto era apenas para postagem. Depois, também passou a oferecer a possibilidade das devoluções e as retiradas.
— Uma coisa que ajuda muito o pessoal, porque depois que chega ali, a pessoa tem até sete dias para retirar. Ela consegue se programar ou pedir para alguém retirar por ela por meio de um código que é gerado — descreve Paim.
O proprietário relata que há dias em que a loja chega a receber até cem encomendas. O público que faz a retirada mistura-se entre pessoas que vivem ou trabalham próximo do local.
— Essa foi a ideia inicial de agregar novos clientes, de pessoas começarem a conhecer a loja. Como é uma assistência técnica de celular, 99% do pessoal que vai retirar utiliza o próprio telefone. E aí, quer comprar um acessório, quer fazer uma manutenção, já que o aparelho está estragado, a tela quebrada, alguma coisa assim. Já conseguimos agregar mais esse cliente para nós — comemora Paim.
Nas rotas das entregas
Para quem trabalha nas ruas diretamente com as entregas, a percepção é de fortalecimento das vendas por meio do e-commerce. Há dois anos, Diego de Oliveira Trindade, 36, adquiriu uma Fiorino e iniciou a TR Blessed, com o objetivo de atender o segmento.
Hoje, Trindade trabalha para duas plataformas com o utilitário, destinando as manhãs e tardes para o serviço. O aceite de rotas nas duas empresas é diário, bem como o pagamento estipulado, com preços diferenciados para finais de semana e feriados.
A rotina se dá sempre entre os centros de distribuição das plataformas, os dois em Flores da Cunha, e as rotas para as entregas em Caxias do Sul. Em uma das plataformas, o entregador pode customizar o itinerário, definindo com qual região da cidade quer ficar — o que otimiza o dia e a possibilidade da jornada dupla.
Outro diferencial é o próprio veículo. Trindade cita que há mais demanda para o utilitário, uma vez que consegue transportar tamanhos variados de encomendas.
— Por conta desse bônus, eu consigo trabalhar todos os dias. Para mim compensa. Está compensando, mesmo que eu tenha essa manutenção, combustível, que eu tenha esse gasto. Mesmo assim compensa. Eu era caminhoneiro antes, viajava, ganhava um salário bom. O ruim era que eu tinha que ficar fora de casa, passava viajando. Então, acabei priorizando estar mais em casa com a família — contou o entregador sobre a mudança de trabalho.
A média diária, atendendo as duas empresas, pode ficar em 150 pacotes. O número de paradas geralmente é menor, uma vez que há pontos que recebem mais de uma encomenda.
As próprias empresas, como conta o entregador, disponibilizam aplicativos para auxiliar no controle das entregas e no itinerário. Junto disso, Trindade encontrou flexibilidade na rotina:
— Eles (uma das empresas) começam a carregar às cinco da manhã. Às cinco, eu estou lá no pátio, eu carrego e não é nem seis, eu já estou de volta em casa. Tenho essa liberdade de levar minha filha na escolinha, acompanhar meu filho sair para o colégio, e começo a fazer minhas entregas depois das 8h30min. É chato também de chegar na casa das pessoas e ela dormindo. No domingo, por exemplo, eu começo depois das 10h.



