
Após um dezembro em que Caxias do Sul perdeu cerca de 3,6 mil vagas, o ano de 2026 começou com uma recuperação de fôlego. Conforme os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados nesta terça-feira (3), o município teve um saldo de 1,2 mil postos de trabalhos formais no mês de janeiro.
A geração de vagas com carteira assinada ficou concentrada especialmente na agropecuária, com 601, e no setor de serviços, com 463. Ao mesmo tempo, a indústria, que vinha de uma série com mais demissões do que contratações, registrou saldo positivo de 250 admissões.
O doutor em Economia Mosár Leandro Ness analisa que os dados refletem em contextos deste período do ano. Por exemplo, na agropecuária, o período de safra aquece as contratações. Já em serviços, janeiro reflete no período em que aconteciam os preparativos para Festa da Uva.
— Esperamos que se mantenha nessa toada agora em fevereiro e março. Então, esse seria o movimento mais característico da região. O mercado de trabalho brasileiro vem enfrentando algumas dificuldades, embora os números nacionais apontem para um pleno emprego, nós temos que olhar esses números com algum cuidado — alerta o economista.
Dentro dos segmentos em Caxias, o comércio foi o único que ficou negativo. O economista explica que pode ser relativo ao fim de vagas temporárias abertas para as vendas de fim de ano, especialmente na época de Natal.
Para a continuidade do ano, Ness também chama atenção para o calendário, que pode impactar de forma diferente os setores. São pelo menos 10 feriados nacionais, seis pontos facultativos, além de Copa do Mundo e eleições.
— Tudo isso movimenta a economia. (Ter) Muitos feriados não vai ficar legal para a produção, porque a produção vai se ressentir nesses feriados. As empresas vão ter que fazer uma ginástica de banco de horas. Mas, para os outros segmentos, é um período interessante, mesmo para o comércio — comentou Ness.
No Brasil, 112,3 mil vagas de emprego formais foram geradas em janeiro. Já no Rio Grande do Sul, o saldo foi de cerca de 18,4 mil novas contratações.
Indústria gera vagas depois de sete meses
Em 2025, a indústria caxiense fechou o ano com o saldo de 2.685 desligamentos. Foram, inclusive, sete meses consecutivos perdendo postos de trabalho.
A sequência sem a geração de empregos terminou com os números de janeiro, com as 250 vagas formais geradas. O vice-presidente de Relações Institucionais do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico (Simecs), Gustavo Polese, diz que o saldo positivo é comemorado, mas o contexto ainda pede cautela.
Polese recorda que, desde 2020, janeiro, com exceção de 2023, traz saldos positivos na geração de empregos na indústria. Geralmente, com o dado acima de 500 postos de trabalho. Assim, janeiro de 2026 acaba trazendo o menor saldo nesse sentido.
— Comemoramos sempre o aumento, mas ele não é um indicador tão positivo assim quanto a gente enxerga. Pelo contrário, com esses dados que estamos trazendo, na verdade nos traz uma preocupação. Obviamente que tínhamos uma expectativa que com esse movimento do tarifaço, nos Estados Unidos, que é uma redução para nós aqui no Brasil, em termos competitivos com outros países, pode vir a ser ainda um ganho de competitividade. Mas, eu acho que diante do que vem acontecendo desde a última sexta-feira à noite, nós temos muitas incertezas. Então, como indústria, o que destacamos é um olhar com muito comedimento. Muita cautela — avalia Polese, referindo-se à guerra entre Irã, Israel e Estados Unidos.
O conflito pode gerar consequências globais, como aumento no preço do petróleo. Na esteira disso, pode haver altas nos custos de transportes e logística, por exemplo.

