
A combinação de um inverno rigoroso, chuva e sol na medida resulta em uma safra de maçã com qualidade superior às últimas três na Serra gaúcha. As frutas que serão colhidas devem ser maiores, com coloração mais vibrante e sabores mais equilibrados, conforme a estimativa do presidente da Associação Gaúcha dos Produtores de Maçã (Agapomi), Gilberto Marques.
A entidade projeta uma colheita de 460 mil toneladas no Rio Grande do Sul, cuja predominância da produção se concentra nos Campos de Cima da Serra, em municípios como Vacaria e Bom Jesus. Há produções consideráveis também em São Francisco de Paula, Caxias do Sul e Monte Alegre dos Campos. A perspectiva estadual é a mesma da Associação Brasileira de Produtores de Maçã (ABPM), que prevê uma colheita nacional entre 1,05 milhão e 1,15 milhão de toneladas.
— Esperamos frutos de tamanho superior em relação à média histórica, com excelente coloração e maior suculência. A gente está esperando essa safra como uma das melhores em termos de qualidade de fruto, pelo menos das últimas três — analisa o presidente da Agapomi, Gilberto Marques.
Os números projetados para a colheita 2025/2026 representam um crescimento de 15% em relação à última safra e de 25% se comparada com a penúltima, de 2023/2024.
Assim como outras culturas, como uva e figo, a colheita da maçã está atrasada, mas isso não impacta na qualidade da fruta. A variedade mais precoce, eva, já foi colhida pelos produtores, mas representa pouco no total produzido. Agora começa a colheita da gala, que representa 73% da produção estadual, conforme a Agapomi. A fuji, variedade colhida mais tarde, até abril, representa 30%.
— Não interfere na qualidade. É porque o ciclo foi um pouco diferente, então está atrasando a colheita. Mas agora, na próxima semana, já tem um volume bem expressivo de colheita — projeta Marques.
Ao voltar aos patamares considerados habituais de colheita, a exportação da fruta também volta à normalidade. A expectativa de venda para outros países em 2026 é de aproximadamente 60 mil toneladas, com embarques destinados a mercados como Índia, Portugal, Irlanda, Emirados Árabes Unidos, Rússia, Reino Unido e Arábia Saudita, de acordo com a ABPM. Na última safra, a exportação foi de cerca de 13 mil toneladas.
Clima favoreceu a frutificação
De acordo com o extensionista rural da Emater/RS Thompsson Didoné, o clima durante o ano foi favorável para que a fruta se desenvolvesse com qualidade.
— Nós tivemos um excelente inverno para todas as frutas. A soma de horas de frio da maçã tem que ser maior do que a de uva, por exemplo, e foi muito bom o inverno para nós. De maneira geral, acompanhando as outras frutas, existe um atraso na colheita, em virtude daquele frio na saída do inverno e da primavera. Não tivemos maiores problemas com doenças — analisa.
A cultura da maçã, no entanto, sofreu algumas perdas em lavouras em função de ocorrências de granizo, aponta Didoné.
— Mas, no geral, ficou um ano positivo. É uma safra boa. Uma safra com a produção dentro de uma normalidade, até um pouquinho mais.
Ao todo, conforme a empresa, são cerca de 770 famílias no Estado envolvidas no cultivo da maçã. De acordo com a ABPM, o setor gera cerca de 50 mil empregos diretos e outros 80 mil indiretos em todo o país, especialmente nas regiões produtoras do Sul.
Fruta que deve agradar os mercados interno e externo
Na Rasip Agro, em Vacaria, a projeção é de colher até 55 mil toneladas de maçãs nesta safra, um crescimento de 30% em relação à última colheita. Do volume total, cerca de 20% das frutas é destinada à exportação. A produção da safra é 75% de maçãs da variedade gala e 25% fuji, na propriedade de 1,5 mil hectares em Vacaria.
De acordo com o diretor da Rasip Agro, Celso Zancan, esta safra pode ser considerada normal em relação aos números, mas com boa qualidade da fruta.
— Tivemos uma colorada muito boa, flores de boa qualidade e a fruta está muito bonita. Um bom calibre, com qualidade realmente muito boa. Estamos iniciando a colheita agora e vai até final de março e metade de abril — afirma.
Oitenta e cinco por cento da produção da propriedade é vendida para consumo in natura, seja no mercado interno ou externo, e o restante é destinado para a indústria, para produção de sucos e doces.
— De consumo in natura, cerca de 20% a gente exporta. Vai para mercados europeus, asiáticos. Temos Inglaterra, Irlanda, Portugal, Índia, Bangladesh, Rússia, Dinamarca. Ano mais, ano menos, depende um pouco do tamanho da safra nacional. O consumidor externo gosta muito da nossa fruta — destaca Zancan.
