
Superando as expectativas de produtores e entidades, a safra do figo na Serra neste ano chegará a 1,6 mil toneladas da fruta, de acordo com o levantamento da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/RS). Não será uma safra recorde, como a de 2018, mas vai superar a última, que teve 1,4 mil toneladas. A doçura da fruta foi garantida pelas horas de sol durante a brotação.
Conforme o extensionista rural da Emater Thompson Didoné, nos 49 municípios da região administrativa da Emater são 150 hectares de figo plantados, e Nova Petrópolis é o município de maior produção. De lá saem 600 toneladas da fruta em 42 hectares de terra, com 55 famílias envolvidas no cultivo.
O restante da produção vem de Caxias do Sul (cerca de 25 hectares), Gramado (26 hectares) e Antônio Prado (12 hectares).
— O que caracteriza esses números é uma produção familiar, que inclui a mão de obra familiar quase que em sua totalidade. Em torno de 30% a 35% dessa produção é destinada à mesa e o restante do figo maduro vai para a indústria para fazer a famosa figada, ou figo verde, para as compotas — explica Didoné.

Neste ano, a colheita atrasou em função do clima, mas isso não impactou na qualidade, tamanho e doçura do figo. Dias de frio mais tardios em dezembro atrasaram cerca de 15 dias o trabalho, que se iniciou por volta do dia 20 de dezembro de 2025 no Vale do Caí.
— A fruta e a safra são consideradas boas. O produto é muito bom. O preço dos primeiros figos colhidos estava em torno de R$ 15 a R$ 16 ao quilo para o mercado. Hoje, em Nova Petrópolis, o produtor está ganhando, no Roxo de Valinhos, que é um dos figos mais plantados para a mesa, em torno de R$ 10 a R$ 12 o quilo — analisa o extensionista rural da Emater.
Figo graúdo e doce para celebrar a boa safra
Na Linha Temerária, em Nova Petrópolis, a família Kich conta com a mão de obra familiar e de vizinhos para a colheita das mais de 70 toneladas da safra deste ano. Desde o raiar do sol, perto das 5h da manhã, até o calor escaldante do Vale do Caí perto das 11h, a colheita é feita 100% manual, porque é necessário selecionar os figos que já estão prontos para serem colhidos da figueira.
— Neste ano (a safra) vai ser maior. Pode chegar a 100 toneladas, conforme o clima. Se continuar bem, vai amadurecendo. Só prejudicaria granizo, chuva em excesso, ou se ficar frio muito cedo — explica o produtor Volmir Kich.
A colheita na propriedade pode seguir até o início de junho, se o clima permitir e o fruto continuar se desenvolvendo. Nesse primeiro momento, os figos mais graúdos e doces são vendidos para consumo de mesa e para a indústria de geleias. Mais tarde, os frutos mais verdes e menores vão para Pelotas, para a produção de doces.
— Vai uma parte para o Ceasa, nos mercados, tem as bancas que pegam também e que vendem na beira da estrada. Vai para Nova Petrópolis, um pouco pra Gramado e Canela e vai para Caxias, mas mais aqui por perto — diz.
Neste ano, além da variedade Roxo de Valinhos, que é a mais comum nos mercados, o produtor também investiu no plantio da variedade Figão, que é parecida, mas mais graúda e mais chamativa ao consumidor.
— O forte mesmo é o Roxo de Valinhos. O Figão é um Roxo de Valinhos melhorado. Essa muda vem de Minas Gerais. Eu consegui e estamos ampliando. O figo deste ano, pelo que eu percebo, eu já comi vários, e o pessoal que está comendo diz que está muito doce — comemora.
Nova Petrópolis celebra a fruta com a Festa do Figo
Maior produtora de figo da região, Nova Petrópolis celebra a nova safra nos dias 31 de janeiro e 1º de fevereiro na 51ª Festa do Figo na Sociedade Cultural e Esportiva Linha Brasil. A entrada e o estacionamento são gratuitos.
A programação contará com feira de produtos coloniais, festival de bandas, bandinhas típicas, chope gelado, almoço típico alemão e a fruta estrela da festa: o figo.
Neste ano, a corte da festa é composta pela rainha Sophia Zang e pelas princesas Manuela Wedig e Emanuelli Thomassoni Bino.
Confira a programação completa
Sábado (31/1):
- 10h30min – Abertura oficial
- 12h – Início do almoço
- 14h – Premiação dos expositores
Palco externo
- 15h – Apresentação Grupo de Danças Folclóricas Sonnenschein
- 16h – Cleiton Borges e Banda
Domingo (1º/2):
- 9h – Pedal da Festa do Figo
- 10h – Culto Ecumênico
- 11h15min – Início do almoço
- 14h – Início do Festival de Bandas
Palco Externo
- Tchê Guri
- Banda Bom de Baile
Palco interno
- Banda 10
- Rogério Magrão e Banda


