
Caxias do Sul fechou o ano de 2025 com a geração de apenas 231 vagas de emprego com carteira assinada. Esse é o menor saldo desde 2021. Os dados compõem o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e foram divulgados nesta quinta-feira (29) pelo governo federal. Ao todo, foram 96.553 admissões contra 96.322 desligamentos no maior município da Serra.
O número total do ano passado, bem abaixo da casa dos milhares, foi puxado especialmente pela indústria. Ao longo dos 12 meses, o setor teve mais demissões (34.418) do que contratações (31.733), absorvendo, portanto, um saldo negativo de 2.685 vagas.
Para a diretora de Economia da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC Caxias), Maria Carolina Gullo os resultados não são exatamente uma surpresa, diante de um caminho percorrido desde 2024, principalmente no que se refere à taxa básica de juros, a Selic. Na quarta-feira (28), inclusive, o Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu mantê-la em 15% ao ano.
Com o juro neste patamar, segundo Maria Carolina, as empresas compradoras da indústria caxiense deixam de fazer financiamentos e, como consequência, não investem.
— Temos, então, a perda de fôlego e de ritmo na produção da indústria caxiense, já que o seu consumidor não está comprando porque não está investindo. O setor começa a patinar — analisa a economista, acrescentando:
— Preocupa porque significa dizer que o setor industrial perdeu o ritmo, perdeu a tração, como a gente diz. Não está produzindo na sua capacidade plena e, portanto, está fazendo ajustes no mercado de trabalho. Isso vai se refletir na economia caxiense, primeiro no setor industrial, depois em comércio e serviços — pondera.
Outro motivo, conforme Maria Carolina, está atrelado a uma espécie de sensação de confiança dos empresários. O cenário atual, na opinião dela, deixa a expectativa do setor prejudicado, impactando na possibilidade de novos investimentos e de contratações de mão de obra.

Dezembro teve o maior saldo negativo do ano
O último mês do ano encerrou com 7.879 desligamentos e 4.286 admissões, o que representa -3.593 postos de trabalho em Caxias do Sul. Todos os setores ficaram no vermelho. A indústria teve a maior contribuição para o resultado, com saldo de -1.812.
Para a economista da CIC, a performance do comércio (-487) e dos serviços (-890) chama atenção, uma vez que os ajustes nos quadros da indústria neste período são tradicionalmente esperados. No entendimento dela, os dois setores anteciparam as demissões do começo do ano — época em que há menos demanda, em função do esvaziamento da cidade pelas férias das famílias.
— É intuitivo, eu ainda não tenho os números para comprovar, mas é uma prévia de que talvez a Black Friday e as vendas de Natal não foram tão boas assim quanto o comércio e serviços esperavam e, portanto, eles já fizeram ajustes ainda mesmo em dezembro — opina.
O que esperar para 2026?
Para 2026, a palavra-chave é cautela, na visão da diretora de Economia da CIC. Maria Carolina observa que a taxa Selic em 15% deve ter reflexos, pelo menos, para os próximos 45 dias. Assim, a confiança dos empresários para investimentos não deve ganhar força no primeiro trimestre.
O cenário a longo prazo deve ter impactos diante do período eleitoral:
— O que a gente deve perceber ao longo do ano é uma maior gastança dos entes públicos. E aí eu falo município, Estado, União, porque todos vão se movimentar em função das eleições. O investimento privado, por sua vez, ainda vai estar esperando os acontecimentos e principalmente os desdobramentos a partir de abril, quando deve começar, efetivamente, a definição de candidatos tanto ao Estado quanto ao governo federal — aponta a economista.
Saldo nos últimos anos



