
A economia de Caxias do Sul apresentou uma queda de -2,9% em outubro de 2025 na comparação com o mesmo mês do ano passado. O principal fator foi a retração de -11,3% na indústria. Os dados foram divulgados em coletiva de imprensa na manhã desta quinta-feira (11) pela Câmara da Indústria, Comércio e Serviços (CIC) e Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL).
O diretor de planejamento, economia e estatística da CIC, Tarciano Cardoso, afirma que o setor industrial tem sentido os impactos do mercado brasileiro. Houveram quedas, por exemplo, em horas trabalhadas, compras, vendas e na massa salarial. Um exemplo dado por ele foram as demissões da indústria no mês, quando foram fechados 428 postos de trabalhos. Nos últimos seis meses o setores registrou mais demissos que contratações.
— No ano passado já tínhamos dúvidas quanto a investimentos, o mercado não nos posicionava um crescimento robusto, e a indústria precisa disso. Temos uma taxa de juros elevada, sem investimentos, a indústria cresce de lado, veio o 2025 e continuamos nesse cenário, com os riscos aumentando no cenário nacional, tivemos a questão do agro que sentiu bastante, volume de grão maior e preço menor, com capacidade de investimento menor, o que afeta nossa região.
Por outro lado, o setor de serviços cresceu 6,8% em outubro deste ano quando comparado com o mesmo mês de 2024, enquanto o comércio subiu 6,7%.
Quando comparado outubro de 2025 com setembro, a economia caxiense subiu 1,7%, destaques para o comércio com alta de 4,1% e serviços com 2,2%, enquanto a indústria subiu 0,7%.
Desempenho em outubro

Na análise do indicador acumulado do ano, que compara os dez meses de 2025 com o mesmo período de 2024, o desempenho da economia local mostra uma retração de -0,6%. A indústria recuou -6,8%, enquanto o setor de serviços e o comércio cresceram, 8% e 3,7%, respectivamente.
No indicador de acumulado em 12 meses, a atividade econômica estagnou, registrando 0%. O setor de serviços apresentou alta de 8,3%, seguido pelo comércio, com avanço de 2,7%. Já a indústria acumulou queda de -5,4% no período. Observa-se uma perda de dinamismo na economia local nos últimos meses, reflexo das incertezas no cenário macroeconômico nacional que têm impactado decisões de consumo e investimento. O tom do diretor da CIC é pessimista para o fechamento de 2025:
— Acreditamos que em podemos ser surpreendidos com o valor da economia fechando no negativo. Hoje está no zero a zero nos 12 meses, e no acumulado de 10 meses negativo.
Cardoso pondera que 2026 será de muitas análises. Além de ser um ano eleitoral, eventos como a Copa do Mundo, entre junho e julho, podem ter diversos reflexos, como elevação de demanda em alguns setores, e baixas em outros. Opinião similar é a de Maria Carolina Rosa Gullo, também diretor da CIC, ao afirma que a definição dos candidatos à presidência da República, principalmente na oposição, pode trazer impactos na economia nacional e reflexos locais:
— A grande expectativa é como vamos desenhar 2026, porque temos variáveis absolutamente abertas, o que sabemos é que teremos uma reforma tributária que roda a partir de janeiro — afirma Maria Carolina.
Um surpreendente comércio
Surpresa foi a palavra escolhida pelos especialistas para definir o comércio em outubro. A elevação de 6,8% na comparação com o mesmo mês do ano passado é explicada por Mosár Leandro Ness, assessor de economia e estatística da CDL, como um movimento pré-Black Friday, a tradicional época de promoções em novembro.
Além disso, Ness afirma que outubro foi um mês com boa movimentação no chamado ramo duro, como veículos e autopeças, e que carregam um valor agregado elevado. A expectativa dele é boa para novembro e dezembro:
— Sazonalmente, observamos que outubro temos um repique. No ano passado bateu em 4,78%, mesmo com a mancha de inundação, o se ano passamos dos 4%, isso significa que vem repetindo e já esperamos, torcemos que os próximos meses se mantenham positivos — analisa Ness.
Por outro lado, o comércio teve queda de mais de 5% nas vendas do Dia das Crianças, conforme Carlos Cervieri, gerente administrativo financeiro da CDL.
— A Mercopar deve ter dado algum impacto, porque o ramo duro deu uma alavancada nos resultados — explica Cervieri
Parceria com a Argentina
Durante a coletiva, os especialistas comemoraram o crescimento das negociações com o mercado externo. Em outubro, as exportações da cidade registraram 88 milhões de dólares, com um saldo positivo de 47 milhões de dólares.
Os saldos positivos, recorrentes desde fevereiro, são justificados por Tarciano Cardoso, diretor da CIC, pela retomada as vendas à Argentina. Em um ano, o país vizinho cresceu 9% no que diz respeito ao destino das produções caxienses.
— O mercado externo está atrelado ao que a Argentina renovou das suas máximas em termos de negociações com o mundo.
Em tom de despedida
A coletiva de imprensa marcou, também, a despedida de Celestino Loro da presidência da CIC. Em janeiro, ele entregará o cargo a Ubiratã Rezler, atual presidente do Simecs, que assumirá a entidade.
Loro define que a busca por melhorias na infraestrutura regional foram as principais lutas, como o Aeroporto Regional de Vila Oliva, e a concessão do Bloco 3 de rodovias à concessionária Caminhos da Serra Gaúcha. Também destacou a luta pelo Porto de Arroio do Sal e a expectativa de duplicação da RS-122.



