
Lojas do comércio de rua, de centros comerciais, supermercados e atacarejos disputam neste final de ano pela mão de obra que deve suprir uma demanda histórica em Caxias do Sul. A de vagas temporárias, principalmente para atendimento e organização dos estoques.
Com a aproximação das promoções de Black Friday e principalmente das festas de Natal e Réveillon, o movimento nos estabelecimentos tende a crescer e com ele a necessidade de readequar o quadro de empregados.
A escassez de candidatos, no entanto, não é mais, segundo o Sine, uma situação sazonal e faz com que a vagas, antes tratadas como temporárias, se misturem às definitivas e não tenham mais um período estabelecido para o desligamento. De acordo com a coordenadora da agência FGTAS/Sine em Caxias, Zenaira Hoffman, mais do que nunca quem é contratado neste período pode começar o próximo ano já alocado no mercado de trabalho.
— A procura por funcionários está um pouco maior do que no ano passado, não são vagas de auxiliar de limpeza e logística que são ofertadas ao longo de todo ano, mas posições de balconista, atendente e operador de caixa. As vezes as pessoas dizem que a vaga está sempre aqui, mas o que acontece é que, ao mesmo tempo que fecham, abrem novas vagas — diz.
Os sindicatos patronais, como o Sindilojas, têm dificuldades em estimar quantas vagas foram abertas em preparação ao movimento que se espera ver aumentar a partir do final de novembro com o pagamento da primeira parcela do 13º salário. Mas, segundo o presidente da entidade, Rossano Boff, já se percebe a preocupação em reposicionar funcionários:
— Os empresários precisam estar cada vez mais envolvidos com o dia a dia das lojas cobrindo horários de intervalo e folga dos funcionários. As contratações começaram ainda em setembro quando o empregador tem tempo de ambientar o funcionário na cultura da empresa, mas vai aumentando em função da dificuldade de encontrar. Se o funcionário tiver comprometido é um emprego fixo e garantido, não trato muito como temporário porque esse acontecia quando a economia estava extremamente aquecida.
Divulgada pela Fecomércio, a pesquisa anual sobre temporários ouviu 43 estabelecimentos em Caxias do Sul que apontou ser a terceira cidade do Estado com o maior potencial de contratações, atrás de Passo Fundo e Porto Alegre. De acordo com o documento 53,3% dos estabelecimentos ouvidos em todas as regiões do Estado informaram que tem a intenção de contratar temporários.
Entre os entrevistados, a indisponibilidade de horários foi a dificuldade para contratação mais citada (26,0%), seguida por falta de qualificação (22,9%) e falta de candidatos (20,0%). Cerca de 90% dos estabelecimentos que pretendem contratar esse tipo de mão de obra sentem necessidade para postos de vendas. As demais indicações se distribuem entre as funções de caixa, estoque, depósito, serviços gerais e segurança. Conforme as expectativas dos estabelecimentos, 48,8% dos trabalhadores contratados como temporários possuem chance de efetivação após o final de seu contrato.
Supermercados trabalham com déficit de até 400 funcionários
Com déficit estimado entre 300 e 400 pessoas para contratações imediatas, os supermercados não tratam mais as vagas como temporárias. O presidente do Sindigêneros, Volnei Basso, diz ter certeza que quem for contratado para vaga de final de ano e quiser se manter no emprego será efetivado, principalmente para vagas de empacotador, repositor e operador de caixa.
— Temos no segmento a defasagem no ano inteiro e isso se agrava porque inicia o período de férias. A temporária agora é longa, tenho certeza que se alguém entrar para fazer o final do ano e agradar já fica como funcionário, mas tem que querer. Temos a preocupação de atender bem e não se consegue alcançar a excelência por falta de mão de obra. Setores como padaria e açougue têm funcionários que normalmente se mantêm um pouco mais, mas nos cargos onde estão as pessoas mais jovens a rotatividade é muito grande.

Busca semanal por mão de obra
Com nove lojas para o consumidor final e um espaço para o revendedor, a Boticário emprega em Caxias do Sul mais de 60 funcionários e vê a demanda por mão de obra aumentar em dezembro.
Preencher o quadro necessário, no entanto, é para a operadora do grupo de franquias Letícia Alves o maior desafio da gestão:
— Estamos com dificuldade de completar o quadro normal, temos demanda de vagas efetivas ainda. Agora, por exemplo, para vagas de atendimento, estoquista e consultor de vendas são em torno de 20 vagas abertas. Quando virar dezembro, conforme a demanda, teremos as temporárias, mas quem entra acaba sendo efetivado.
Para encontrar quem queira trabalhar, a empresa aposta em diversos canais, entre eles a agência do Sine, onde todas as segundas-feiras um recrutador faz entrevistas pela manhã.
— Nossas vagas estão abertas por tempo indeterminado no Sine, utilizamos agências para prospectar cargos, anunciamos nas redes sociais, temos nosso próprio site para captação e deixamos cartazes nas lojas. Esse é o principal desafio em termos de gestão principalmente com a nova geração — conta Letícia.
No estoque, setor de maior dificuldade de contração, a empresa aposta em uma bonificação no salário para quem passa do período de experiência. O salário, segundo Letícia, de R$ 1,9 mil pula para R$ 2,3mil no terceiro mês.





