
Oportunidade para varejistas, a Black Friday, neste ano no dia 28, já se firmou como uma das datas mais aguardadas pelos consumidores. Em Caxias do Sul, o ticket médio por comprador deve alcançar os R$ 1.437, de acordo com a pesquisa de intenção de compras realizada pela Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL). O número representa um aumento de 8,2% em relação a 2024.
A expectativa é de que cada consumidor compre três produtos. Os mais desejados são os eletrônicos (18,5%), seguidos de vestuário (17,8%), móveis e eletrodomésticos (17,6%) e calçados (11%).
E apesar de o apelo da Black Friday brasileira ter se consolidado digitalmente, 26% dos consumidores devem aproveitar as promoções nas lojas físicas. A vice-presidente do Sindilojas Caxias, Márcia Costa, observa que o crescimento da procura pelo comércio local está atrelado à confiança do cliente nas lojas.
— A Black Friday é uma data importante para o comércio e vem tomando mais força nas lojas físicas, muito diante dos crimes online e das fraudes no varejo virtual. Os lojistas estão se preparando muito mais na nossa cidade. Nós sempre orientamos que eles façam promoções reais e ofereçam uma condição de pagamento melhor, por exemplo. Isso faz com que as pessoas realmente tenham um ganho real ao comprar — adianta.
Mas e de qual forma o pequeno e o médio lojista podem competir com os gigantes do varejo? Para Márcia, a resposta é o atendimento humanizado e a confiança:
— Hoje, o lojista pequeno da nossa cidade está ali no balcão. Então, ele sabe o que o cliente quer: quer confiança, segurança, produto de qualidade. O cliente quer experiência de compra, não só quer um produto barato. Ele quer comprar com a garantia de que aquele produto vai ter um sentido para ele — pontua.
Desde o início do mês, algumas vitrines já estão decoradas com cartazes que anunciam promoções, condições especiais de pagamento ou com balões e decorações amarelas e pretas, cores que remetem à data comercial.
— A estratégia vai de cada lojista, de como ele quer fazer o escoamento dos seus produtos. Mas não existe uma fórmula que todo mundo segue. Geralmente, as promoções começam antecipadas e não ficam somente naquela sexta-feira, como é o varejo americano — observa.
Incremento de 40% nas vendas na primeira quinzena do mês

Apesar de a data oficial da Black Friday ser apenas no dia 28, a lojista Michele Locatelli Disconsi, sócia proprietária de uma ótica, já começou a oferecer descontos aos clientes. Neste ano, a aposta foi anunciar as promoções mais cedo para atingir mais consumidores.
— Assim a gente "pega" aquele público que recebe no começo do mês, aquele que recebe a quinzena... E a gente se surpreendeu, porque a Black está sendo muito boa. A gente aumentou em torno de 40% as vendas, desde que a gente começou, há 15 dias — afirma.
Alguns clientes, inclusive, já estão aproveitando as promoções para comprar presentes de Natal, segundo a lojista.
Itens específicos com grandes descontos

O segmento mais buscado pelos caxienses nessa Black Friday será o de eletrônicos, segundo a pesquisa da CDL. Com itens de valores mais elevados, o consumidor deve buscar por promoções na data. Na loja Personal Info, em Caxias, o proprietário Rodrigo Menegassi aposta em itens selecionados para a Black Friday.
— A gente tem que lutar contra grandes fornecedores, grandes empresas, magazines cada vez maiores. Pelo nosso posicionamento, temos um pouco mais de valor agregado nos computadores. Então, a gente acaba vendendo mais qualidade do que quantidade, mas acaba aquecendo mais na Black — afirma.
Neste ano, as promoções são de computadores de alto desempenho para públicos como gamers, engenheiros, arquitetos ou quem deseja uma máquina rápida e com qualidade.
"Preços bons porque a gente tem interesse em colocar essa mercadoria para fora"

O empresário Gilmar Dal Pizzol, do Grupo Brisa, aproveita a época da Black Friday para reativar a liquidação de troca de coleção, que se iniciou em setembro.
— Como a gente tem mercadoria que sobrou da promoção de setembro, a gente aproveita essa oportunidade e reativa essa liquidação. É a sobra da sobra, então os preços são maravilhosos porque a gente tem interesse em colocar essa mercadoria para fora — explica.
Dal Pizzol avalia que o momento da Black Friday não é o ideal para o varejo brasileiro, já que a troca de coleções nas lojas costuma ser após o Dia dos Pais. No entanto, mesmo seguindo o modelo americano, aproveita a data para atrair mais clientes para as lojas com promoções de coleções passadas, mas com novidades de novas coleções já nas araras.
— O pessoal vem para buscar a mercadoria na Black e acaba vendo as novidades. Para nós, é mais uma forma de trazer o cliente para dentro da loja do que vender a mercadoria na liquidação — revela o empresário.


